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A Escultura de Mafra

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A Escultura de Mafra

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Autor: José Fernandes Pereira

Editora: IPPAR

Assunto: Artes

Traduzido por: Livro Editado em Português (de Portugal)

Páginas: 237

Ano de edição: 2003

Peso: 2.225 g

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Excelente
Marcio Mafra
06/09/2010 às 16:53
Brasília - DF

Mafra conjuga o grandioso Palácio Nacional com uma proposta de divinização que a Igreja Católica impunha à época, tanto do partido arquitetônico como da excepcional qualidade decorativa. Sua biblioteca é uma harmonia entre o belo e a literatura que se vai descobrindo e fruindo os seus encantos, assim como se faz com a sua fantástica escultura. Trata-se de um livro excepcional que foi a tese, intitulada A Arquitetura e a Escultura do Convento de Mafra - do doutorado de José Fernandes Pereira. Excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A estatuária do Convento de Mafra, que foi o maior empreendimento artístico e econômico do reinado de D. João V, só possível graças ao ouro do Brasil que permitiu ao rei magnânimo pôr em prática o seu verniz cultural, tanto para os seus súditos como para efeitos de política externa. O Palácio Nacional de Mafra desenvolve-se a partir de um centro situado na sala da bênção, tal como São Pedro de Roma, ponto culminante de uma fachada religiosa ladeada pelas fachadas palacianas e tendo na zona posterior o convento. O partido arquitetônico seguido pelo monarca inspira-se na Roma papal e num barroco que se refletiu na fachada influenciada por Bernini, sem esquecer algumas influências germânicas trazidas pela própria rainha e também por Ludovice, seu arquiteto.
D.João V queria "perfeição", qualidade do material (mármore muito branco) e rigor nos atributos. De Itália eram enviados desenhos seguidos de modelos em terracota para aprovação final do monarca. Nesta primeira fase do programa escultórico de Mafra se compõe de cinqüenta e oito estátuas dos melhores escultores italianos, que representam os santos fundadores das principais ordens religiosas da igreja católica. No reinado de D. José deu-se continuidade ao mecenato de D. João V com a criação de uma escola de escultura em Mafra, dirigida pelo mestre italiano Alessandro Giusti.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A importância e o significado da escultura de Mafra no conjunto da arte portuguesa dificilmente serão entendidos na sua globalidade se a encerrarmos no espartilho das classificações estilísticas ou nos meros circunstancialismos da conjuntura joanina. Será mais interessante problemizar esta encomenda inserindo-a num sistema artístico, isto é, de um período longo da escultura portugesa, com os seus valores e práticas. Assim sendo, propomos que a escultura de Mafra faça parte de uma época clássica, conceito mais operativo para o seu entendimento que o de estilo barroco.

Por época clássica entendemos um longo período da arte portuguesa situado cronologicamente entre os finais do século XV (primeiros sintomas e obras de escultura clássica) e o século XIX (quando a escultura se rege segundo os princípios do romantismo).

Ao longo destes cerca de três séculos a escultura produzida em Portugal não se regeu toda ela segundo os modelos eruditos do classicismo europeu. Há distintamente dois modos de a escultura, quanto à metodologia, à estética, à função: um participa do sistema clássico, outro cinge-se a práticas ancestrais, reactualiza-as e engloba as obras num processo estético de sentido novo. Em vista disso, podemos afirmar que na época clássica a escultura portuguesa rege-se segundo um regime bipolar onde o confronto é tão significativo quanto os índices de estruturação de cada um dos sistemas de representação.

A introdução do classicismo renascentista representa um primeiro momento de abertura à erudição escultórica, ocorrendo tanto por importação de obras como de artistas. No caso temos sobretudo presente as encomendas feitas directamente a Itália, se bem que raramente contemplem escultura de vulto. No segundo caso é conhecida a presença de vários escultores oriundos de França, como Nicolau Chanterenne e João de Ruão, e cujas obras representam o nosso mais valioso espólio de escultura humanista. Nessas obras encontramos alguns dos pressupostos estéticos da escultura clássica como a elegia do corpo a sua representação segundo a métrica e os cânones da tratadística, o equilíbrio da representação, do que é visível, como manifestação de um equilíbrio interno de crenças e emoções.

A importância dessa primeira fase da escultura clássica termina porém com a morte dos principais artistas em meados do século XVI, circunstância agravada pela inexistência de continuadores portugueses, revelando uma falta de apetência pelos novos valores e um arreigado apelo à tradição.

A estes factos haverá que juntar circunstancialismos conjunturais da política cultural portuguesa como a refutação do neoplatonismo e o triunfo definitivo dos comentadores de Aristóteles na Universidade de Coimbra bem como a implantação das normas e valores tridentinos que dão um sentido diverso à concepção das obras de arte.

Desde então, e até finais do século XVII, a escultura portuguesa seguirá um caminho próprio de desenvolvimento e aprofundamento dos valores teológico-estéticos definidos no Concílio de Trento. Desde logo a dissolução da estética, entendida como ciência de reflexão filosófica sobre o Belo, numa teologia e numa ética onde os valores artísticos têm um valor diminuto e, logo, não têm autonomia. Depois é a própria concepção da Imagem (conceito que reúne as obras pertencentes ao domínio das artes plásticas) que denuncia um progressivo afastamento dos valores materiais do mundo. A Imagem é uma emanação, um duplo de essências sobrenaturais, não tendo, por isso mesmo, valor em si. A Imagem surge como uma necessidade devocional, como uma pedagogia destinada a uma estratégia de convencimento e fixação dos valores do catolicismo. Antes de existir como arte, a obra deve apelar à piedade e impelir à contemplação e oração.

A fixação dos programas iconográficos, tanto os que retomam valores ancestrais do catolicismo como os que resultam das decisões tridentinas e pós-tridentinas, pertencem exclusivamente à Igreja e à sua hierarquia; são definidos e sancionados pela autoridade, prevendo-se pesadas penas para os prevaricadores. Deste modo, o que resta ao artista, se não lhe pertence a invenção do tema nem a definição do modelo estético? Resta-lhe a técnica, o conhecimento das ferramentas de trabalho, o conhecimento das potencialidades dos materiais, em suma, uma actividade meramente oficinal que, por natureza, é de sentido unificador, assim se explicando o carácter serial da maior parte da escultura portuguesa do século XVII.

Se o século XVI foi em grande parte o tempo da escultura humanista, se o século XVII desenvolveu e pôs em prática o programa tridentino, o século XVIII será o da coexistência dos dois modos. Tem por isso um sentido essencialmente ecléctico nos programas e nas intenções, embora se assista a uma maior clarificação das escolhas.

É nesta conjuntura multissecular que a escultura de Mafra encontra a sua explicação mais séria. A decisão de encomendar em Itália cinquenta e oito estátuas para Mafra não é um capricho de mecenas ou, apenas, uma exibição de retórica grandeza. Pelo contrário, é o mais claro indício da compreensão de tudo o que estava em jogo na escultura portuguesa nas primeiras décadas do século XVIII: a falta de artistas portugueses em quantidade e qualidade para satisfazer uma encomenda tão vasta, a necessidade de uma informação pedagógica que potenciasse uma nova prática e um novo gosto


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em outubro de 2009 fiz uma memorável viagem a Portugal, quando visitei a extraordinária e histórica cidade de Mafra, pouco ao norte de Lisboa, para conhecer o Palácio Nacional de Mafra e, especialmente, sua biblioteca. Símbolo do magnânimo reinado de D.João V é indiscutivelmente a obra mais monumental e completa daquele monarca, que em 1730 o inaugurou. Em 1729 trabalhavam na obra 47.836 homens. Em 1730 chegou a contar com 52.000 pessoas sendo 45.000 operários e 7.000 soldados. Nunca foi calculado o custo da construção que se iniciou em 1717 e teve seu projeto completamente alterado em 1728, mas sabe-se que foi construído exclusivamente com o ouro extraído da Colônia Brasil. As esculturas em mármore existentes no Palácio somam mais de cem. Dentre outros livros, trouxe a Escultura de Mafra.


 

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