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A Harmonia do Mundo

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A Harmonia do Mundo

Livro Bom - 2 comentários

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Autor: Marcelo Gleiser

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Cosmologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 327

Ano de edição: 2006

Peso: 400 g

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Ótimo
Iuri Livramento Toniato
22/03/2015 às 21:36
Boa Esperança - ES
Livro com narrativa simples e envolvente, Li durantes as ferias e adorei. O final é surpreendente.
Vale a pena ler.

Bom
Marcio Mafra
28/08/2010 às 16:05
Brasília - DF

Neste livro o mestre Marcelo Gleiser achou por bem romancear a história para contar a vida do astrônomo e matemático Johannes Kepler (1571/1629), que formulou as três leis fundamentais da mecânica celeste e escreveu Astronomia Nova, Harmonicies Mundi e Astronomia de Copérnico. Suas obras forneceram algumas bases para a teoria gravitacional de Isaac Newton. Os personagens do romance têm nomes dos discípulos, autoridades e de outros cientistas da época, como o astrônomo Tycho Brahe, os Imperadores Rodolfo II, Matias I e Matias II. A história de Kepler em A Harmonia do Mundo é a sua própria carreira. São os insucessos e os sucessos do astrônomo que foram trilhados inicialmente pelas mãos e sabedoria do Mestre Maestlin à quem Kepler idolatrava. Abandonado pelo seu mestre, Kepler só conseguiu formular a lei que relaciona a distância do sol e velocidade das órbitas dos planetas quase ao final de sua vida e a registrou em seu diário. Só mesmo um cientista conseguiria fazer uma ficção, com fatos e personagens históricos, senão reais. Mas qualquer leitor convirá que Marcelo Gleiser é melhor quando escreve na condição de físico e cientista.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia da vida do astrônomo Johannes Kepler, que nasceu em 1571 e morreu em 1629. Só mesmo um cientista conseguiria fazer uma ficção, com fatos e personagens muito históricos e muito reais.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No dia marcado, Kepler lavou-se bem e vestiu sua melhor roupa, um casaco de veludo preto com listras verticais e botões de seda, uma blusa de linho branco com gola de renda enfeitada de detalhes triangulares e um cinto com fivela de prata. Usava também o medalhão de Sebald, com o brasão da família. Ocasionalmente, o medalhão ainda se aquecia por si só: "Sempre que minha mãe pensa em mim", murmurou Kepler, olhando-se no espelho. Imaginou-a em seu laboratório improvisado, feliz da vida, preparando poções exóticas e elixires mágicos, panelas borbulhando, a fumaça espalhando-se, as janelas embaçadas, o cheiro insuportável. Jurou que em breve a visitaria. Será que ela o reconheceria, agora que estava tão diferente, com seu cavanhaque cuidadosamente aparado e os cabelos castanho-escuros penteados para trás? "Quase atraente", disse para sua imagem, "a cara de um prínncipe espanhol!" E foi para a sala atiçar o fogo.
Bárbara também caprichara: usava seu vestido bege com brocados florais e os cabelos presos no alto da cabeça. Kepler sorriu ao vê-la entrar na sala, ainda espantado com a recente transformação da mulher. Ela baixou os olhos, encabulada. A seu lado, Regina sem dúvida imaginava-se uma princesinha no vestido de renda branca com listras de seda azul-clara, a mesma seda que revestia seus sapatos e da qual era feito o grande laço que lhe cingia a cintura. Seu rosto parecia incandescente, os olhos também. Ela ia toda hora à janela para ver se a carruagem havia chegado. Não perderia a oportunidade de abrir a porta para o convidado ilustre, de ser a primeira a vê-lo. A neve continuava a cair, mais leve agora, brilhando em tons violeta contra o céu que escurecia.
"Ele chegou, ele chegou!", gritou Regina. "Olha, mãe, que cavalos lindos!" A carruagem, ricamente decorada com detalhes florais pintados em ouro, puxada por dois enormes cavalos negros mais bem tratados do que a maior parte da população da Bavária, estacionou em frente à casa dos Kepler. Um lacaio, de uniforme azul-marinho e chapéu de abas largas que o protegiam da neve, desceu do veículo e abriu a porta com toda a pompa que o chanceler merecia. Herwart von Hohenburg era um homem alto, esguio, com a expressão triste de quem costuma passar longos períodos ponderando as grandes questões meta físicas, as que jamais podem ser respondidas. Tinha o aspecto que a bondade e a sabedoria teriam se assumissem a forma humana. De seus olhos escuros emanava um brilho terno, que inspirava confiança e até reverência. Sua aparência era complementada pela roupa elegante e discreta: um colete de veludo preto sob uma comprida capa da mesma cor, presa nos ombros por broches de ouro. Um colar de prata quase lhe tocava a cintura, de onde pendia um medalhão de ouro com o brasão de sua nobre e antiga família.
Rapidamente, Kepler abriu a porta e desceu os três deegraus até a rua. Por alguns instantes, os dois homens entreolharam-se, tímidos, dando vida a uma amizade que existia apenas no papel. Enfim, abraçaram-se como velhos amigos. Kepler, que tinha ensaiado várias vezes o que diria ao distinto convidado, espantou-se com sua informalidade.
"Meu caro Johannes, finalmente nos encontramos!"
"Ah, finalmente! Fico muito feliz por o senhor ter vindo, chanceler", disse Kepler, inclinando-se.
"Eu também, meu caro. Havia muito desejava conhecê-lo, apertar a mão de um jovem. tão talentoso. Após tantas cartas, já era mesmo hora."
"É verdade, senhor, é verdade." Kepler sorriu, orgulhoso.


  • O Erro de Kleper

    Autor: Marcelo Gleiser

    Veículo: Jornal Folha de São Paulo, 1º de agosto de 2010 - ciência pagina A 23

    Fonte:

    Em 1596, com o furor de uma mente devota, o jovem Johannes Kepler, então com apenas 25 anos, publica seu primeiro livro, "Mysterium Cosmographicum" ou "O Mistério Cosmográfico". Nele, o astrônomo principiante propõe nada menos do que a solução para a estrutura do Cosmo, o que acreditava ser o plano divino da Criação.

    Tudo se deu durante uma aula que ministrava para um punhado de estudantes desinteressados. Quando explicava as conjunções dos planetas Júpiter e Saturno, Kepler se perguntou se o fato de Satumo estar aproximadamente duas vezes mais longe do Sol do que Júpiter era sintoma de uma ordem mais profunda: talvez a estrutura cósmica seguisse as regras da geometria. Fosse esse o caso, a mente humana teria acesso aos segredos mais profundos da Criação e à mente de Deus. E a língua em comum entre homem e Deus seria a matemática.

    Após várias tentativas frustradas, Kepler obteve a solução que tanto almejava. Na época, só eram conhecidos seis planetas, de Mercúrio a Satumo. Urano e Netuno, invisíveis aos olhos, só foram descobertos bem mais tarde. Kepler, numa visão genial, imaginou que o cosmo seria organizado a partir dos cinco sólidos platônicos, os cinco objetos mais simétricos que existem em três dimensões. Conhecemos bem dois deles, o cubo e a pirâmide (tetraedro). Kepler entendeu que, ao coloocar um sólido dentro do outro, como aquelas bonecas russas, com esferas entre cada um deles, poderia acomodar apenas seis planetas: Sol no centro; esfera (Mercúrio); sólido; I esfera (Vênus); sólido; esfera (Terra); sólido etc. Portanto, o número de planetas seria decorrente do número de sólidos perfeitos!

    Kepler foi além. Como os sólidos obedecem às regras da geometria, seu arranjo determina também as distâncias entre si e, portanto, entre as esferas que os cercam. Experimentando com padrões diferentes, Kepler encontrou um que previa as distâncias entre os planetas com uma precisão de 5% - quando comparado com os dados astronômicos da época, um feito sensacional.

    Para um homem que acreditava profundamente num Deus matemático, criador da ordem cósmica, nada mais natural do que uma solução geométrica. Kepler via seu arranjo como a expressão do sonho pitagórico de obter uma explicação geométrica para os mistérios do mundo. Para ele, essa era a teoria final.

    Podemos aprender algo com Keepler. Soubesse ele da existência de outros planetas, Urano e Netuno, como teria reagido? Certamente, seu sonho de uma ordem geométrica para o Cosmo dependia do que se sabia na época. Seu erro foi ter dado ao estado do conheciento empírico do mundo uma finalidade que não existe. Para Johannes Kepler, era inimaginável que o Cosmo puudesse se desviar de sua estrutura geométrica. No entanto, sabemos que nosso conhecimento do mundo é limitado, e será sempre.

    Por isso, devemos julgar declarações sobre teorias de tudo ou teorias finais com enorme ceticismo. A história nos ensina que o progresso científico caminha de mãos dadas com nossa habilidade de medir a Natureza. Achar que a mente humana pode imaginar o mundo antes de medi-lo pode ocasionalmente dar certo. Mas, em geral, leva a mundos que existem apenas na imaginação.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ninguem pode resistir a um escritor que aparece nos meios de comunicação. Se este aparecimento é semanal, num "quadro" do programa Fantastico, da Rede Globo de Televisão, o escritor vira estrela. Marcelo Gleiser é uma constelação inteira e brilha sem poeira nenhuma, em qualquer biblioteca, por mais modesta que seja.


 

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