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Aprender a Rezar na Era da Técnica

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Aprender a Rezar na Era da Técnica

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Gonçalo M Tavares

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 356

Ano de edição: 2008

Peso: 440 g

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Bom
Marcio Mafra
27/08/2010 às 15:45
Brasília - DF

Jerusalém, o outro livro do Gonçalo M. Tavares é um romance de doido. Quatro ou cinco personagens centrais - Ernst, Hinnerk, Hanna,Theodor e Mylia - tem as suas histórias separadas e que se entrelaçam no tempo, na fé, na medicina, na psiquiatria, na libidinagem, no espaço e no hospício. Tem livros que são como alguns filmes de publicidade: feitos para ganhar prêmio. Um espetáculo de livro, diria Lula. Já Aprender a Rezar na Era da Técnica é a história - mais simplória – de um filho de militar, cujo pai não hesitou em matar um de seus soldados por motivo fútil, nem hesitou em obrigar o filho adolescente a ter relações sexuais, em sua presença, com uma empregada da casa. Ao longo da história, para variar, cruzam-se vidas de personagens ligados ao pai e ao filho, coisa que parece obrigatória nos livros de Gonçalo Tavares. O estilo é parecido com Jerusalém: mistura de psicose, graves patologias da banda da psiquiatria, com estilo seco, cru e agressivo. Na vida de Lenz Buchmann não há espaço para compaixão, amor, humildade, fraquezas, miséria, nem quaisquer outros dos nobres sentimentos praticados pelas pessoas. Mas não é um livro espetáculo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Lenz Buchmann, filho de militar hedonista, autoritário e suicida que tinha ciúme de seu único irmão e se considerava o verdadeiro herdeiro do nome Buchmann. Médico famoso, culto e ambicioso decide mudar da medicina para a politica. Lens, respeitável homem público, cuja vida privada esconde depravações profundas vive à sombra da herança emocional do pai ditador, mas precisamente por isso mesmo o ama profundamente.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Albert, entretanto, caminha já por outros meios que não os do mundo do homem: quatro generosos militares carregam o caixão pesado onde o símbolo do país e do Partido se misturam, para alguns de modo inaceitável, com flores que família e amigos quiseram deixar.
Lenz e a sua mulher, em trajo de contida fórmula, onde o preto antecipa o choro, mantêm-se direitos, numa espantosa contenção de movimentos que parece ter sido distribuída a cada um dos presentes, senha entregue de mão em mão na qual se definem os gestos aceitáveis, estranha epidemia que faz com que alguns dos mais activos homens da cidade pareçam, afinal, senhores insignificantes, invadidos por uma preguiça física que os coloca na situação de espera, parecendo que é ao morto que se exigem as grandes acções.
Porém, o cadáver de Albert Buchmann já não está preparado para grandes acções e se alguma actividade existe, esta mantém-se do lado de fora do cemitério. Por
vezes um grito salta de um lado do muro para o outro e chama os senhores activos que continuam a simular uma fraqueza respeitosa. São gritos de crianças que, desproviidas ainda de órgãos capazes de entender os grandes acontecimentos, se mantêm, de comportamento constannte qualquer que seja o tumulto na cidade.
Lenz recebe uma considerável sequência de pêsames, bem como a sua esposa que jamais suportou o cunhado Albert, considerando-o desprovido de «grandes objectivos», mas que agora recebe avidamente cada conforto dado pelos habitantes da cidade. Todos jurariam que aquela mulher estimava o cunhado Albert, tal a recepção sentimental; a certo momento a fila de pêsames teve mesmo de fazer uma pausa, pois Lenz via-se obrigado a dar atenção à sua esposa que chorava abundantemente.
Diga-se que não havia neste choro o mínimo de falsidade. A mulher de Lenz era sincera, não havia qualquer interferência da intenção. O que existia era, sim, a manifestação de uma eficácia impressionante por parte daquele mecanismo a que chamamos enterro. Cada pessoa que chorava, e algumas tinham sido vistas a baixar a cabeça, chorava não pelo morto mas pelo ruído que as rodas daquele mecanismo libertavam. Havia, tanto nas palavras religiosas quanto nos gestos quase universais dos soldados a baixarem o caixão em direção à terra, a fixação num ponto que era comum e não já individual. Esse ponto que unia a comunidade dos presentes era a sensação de que cada um deles poderia, no dia seguinte, ser o morto que os outros homens respeitam. Chorava-se em conjunto pelo fracasso da cidade: ainda não se encontrara antídoto para aquele ruído que parecia ser libertado em cada enterro. Cada homem reivindicava que a morte - e o seu sistema de funcionamento - terminasse antes de chegar a si. E em cada funeral a despedida do morto era também o relembrar de um fracasso comum, de um fracasso, inclusive, da mais alta referência dos humanos: a sua cultura, a sua forma de raciocinar que construíra um novo mundo e que quase tornara o perigo, em tempo de paz, uma energia não normal, extraordinária mesmo. De facto, nas cidades sem guerra, o perigo tornara-se raro, mas a morte, essa, continuava abundante; parecia impossível ao homem dominar o seu preço: este continuava baixo, acessível, igual ao de qualquer produto insignificante. A morte, cada morte individual, manifestava o fracasso económico, técnico e cultural das cidades.
Chorava-se por isso no enterro de Albert Buchmann, como em qualquer outro, não pela falência individual de um corpo mas pela continuação da falência da comunidade dos homens e do seu principal projecto, a imortalidade.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

De repente, perto de acontecer a FLIP, em julho de 2009 os jornais falaram e falaram do angolano Gonçalo M Tavares. Parece que ele foi convidado ou desconvidado ou disse que vinha e não veio, ou algo assim. Foi o que bastou. Comprei logo o Jerusalém e Aprender a Rezar na Era da Técnica.


 

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