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O Outro Lado da Luz

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Título: O Outro Lado da Luz Autor: Colum McCann Editora: Record Assunto: Romance Traduzido por: Beatriz Horta Corrêa Páginas: 267 Ano de edição: 2000 Peso: 340 g
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  • Bom Marcio Mafra
    27/08/2010 às 15:36 Brasília - DF

    O Outro Lado da Luz, que no original é “This side of brightness” poderia ter sido traduzido como A Luz no Fim do Túnel, porque pode ser o trem vindo em sentido contrário. McCann nesse romance tece uma trama de duas histórias, vividas num intervalo de quase oitenta anos, com o mesmo pano de fundo, onde os personagens – tal qual párias indianos - são indivíduos excluídos de uma sociedade desigual. Seguem na vida, abandonados e esquecidos. O’Leary, Nathan Walker, Eleonor Treefog fazem parte da trama e da crítica, nada sútil, de como a sociedade americana frustra as tentativas dos estrangeiros pobres em constituir um lar. A leitura requer atenção aguçada e por vezes fica cansativa. Mas o final é muito bom, ainda que lógico.

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  • A história de abandonados e excluídos do sonho americano, como Treefoog, morador dos túneis do metrô de Nova York que come ratos, vende plásticos e latas para reciclagem e toma banho na neve derretida, que se funde com a história de Com O’Leary , morto numa explosão havida durante a construção dos mesmos túneis nos anos 1915/1925.

  • O sol de inverno surge no céu e começa a derreter a neve, por isso Treefrog ouve os carros lá em cima espirrando lama quando passam. Mas no túnel o vento fustiga, trazendo um frio que não acaba. Já são trinta e dois dias de neve e gelo. O pior inverno que ele já viu. Treefrog cobre a cabeça com o capuz do saco de dormir e o rosto com uma camisa, os botões frios gelam seu nariz.
    É melhor ficar na cama o resto do dia, pensa, mas Castor sobe, aconchega-se embaixo da camisa e se encosta no rosto dele.
    Dentro do saco de dormir, Treefrog veste mais camisas, põe luvas, depois vai pegar um pouco de leite no Gulag e vê que o líquido está congelado. Fura a caixa com uma faca e um cubo de leite cai na panela. Rápido, aquece-o em fogo baixo. Castor bebe sofregamennte, pula no colchão e se enrola nos cobertores; no escuro, seu pêlo branco fica quase fosforescente. Treefrog pega um velho termômetro numa caixa cheia de calotas de carros. Levanta-o e toma a temperatura em todo canto: na estalactite, no muro gelado, nos trilhos, no fundo da caverna, no sinal de trânsito quebrado que era de Faraday, no Gulag, no braseiro onde faz fogo e na mesa-de-cabeceira, onde o termômetro marca apenas nove graus negativos está frio, frio à beça.
    Aquece o termômetro com o bafo até ele atingir oito graus negativos, número par. Feito isso, faz um esforço para urinar numa das garrafas para mijo.
    Está na hora de esvaziar as garrafas lá em cima.
    Põe Castor dentro de sua camisa e sai pelo portão do túnel, onde a claridade machuca seus olhos. Põe os óculos e derrama o mijo escrevendo seu nome na brancura em volta das macieiras selvagens, mas não há mijo suficiente para fazer o nome todo. Treefrog quebra um galho gelado e escreve as letras que faltam.
    Já são quatro semanas e meia de neve e gelo, sem parar. Talvez ele devesse marcar o número de dias com traços dentro do Gulag.
    Segue pela curva da estrada até os bancos verdes na beira do Hudson.
    Ainda há gelo na água e ele pensa em seu grou, até onde terá ido em direção ao mar. Do outro lado do rio, Nova Jersey concentra toda a luz.
    Angela está sentada sozinha no banco. A neve se amontoa sobre seus sapatos.
    - Olá - diz ele, mas Angela não responde.
    Ela abriu um plástico azul sobre o banco para suas roupas não ficarem úmidas. Treefrog senta no encosto do banco. Tira Castor de dentro da camisa, coloca-a no colo de Angela e a gata se enrosca, feliz.
    - Linda manhã, linda - diz Treefrog.
    - Não acho - diz Angela.
    - O que há de novo?
    - Quero lavar meu cabelo.
    - Vamos até o meu ninho, eu esquento água para você.
    - De jeito nenhum, não vou subir lá. - Ela enrola o lenço no pescoço.
    - Como pode estar tão frio com o sol brilhando?
    - É refração - diz ele. - O sol bate na neve e não se propaga.
    - Ah, é? Você é tão inteligente, não? A única coisa que bate na neve é sua bosta. - Logo depois, diz: - Sabe de uma coisa? Quando eu morava naquela casa rodeada por uma varanda, sempre tínhamos água quente. Era vermelha porque continha muito ferro e eu não gostava de lavar meu cabelo nela porque ficava duro e eu achava que estragaria a cor, mas agora gostaria de lavar meu cabelo naquela horrível água quente, lavaria de dia e à noite também.

  • Marcio Mafra
    18/01/2013 às 19:17 Brasília - DF

    Colum McCann foi o primeiro convite de autor confirmado para a FLIP 2010. Ele é um grande contador de história que estreou na Bibliomafrateca com O Bailarino. Comprar O Outro Lado da Luz e Deixe o Grande Mundo Girar foi uma conseqüência natural. Sua palestra foi um sucesso. O tema era Nova York e outras Aldeias. Logo no início ele declarou: “Todo mundo tem que escrever sobre o que sabe. Quando não sabe, aprende e escreve”