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Nervos de Aço

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Nervos de Aço

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Autor: Roberto Jefferson  

Editora: Topbooks

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 375

Ano de edição: 2006

Peso: 590 g

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Ótimo
Marcio Mafra
02/07/2010 às 14:32
Brasília - DF


Nervos de Aço é o nome de uma música, de autoria de Lupicínio Rodrigues. Roberto Jefferson adotou este nome para o seu livro de memórias, numa bela alusão ao seu estado de nervos, na ocasião em que resolveu denunciar da tribuna da Câmara dos Deputados Federais o “Escândalo do Mensalão”. Além disso, Lupicínio Rodrigues é um dos autores preferidos do ex-Deputado que nas horas vagas, também é cantor. O livro não acrescenta coisas novas, que não tenham vindo a lume, durante o longo processo de cassação política a que se submeteu o autor, em conseqüência de suas denuncias. Mas é leitura muito boa, porque o talentoso advogado e político é, sobretudo, um excelente contador de casos. A despeito de sua coloração política percebe-se ao longo da narrativa que Roberto Jefferson é um guerreiro corajoso, inteligente, convincente e que não tem medo de falar, não tem medo das idéias, não teme os mais poderosos, nem se apequena diante das adversidades. O livro também é uma análise radiográfica dos meandros da política partidária recente do Brasil, com toda a sua crueza, sua falsidade, seus disfarces, suas conveniências e jogos de cena. É através da leitura de Nervos de Aço, que o leitor pode aquilatar – com serenidade da distância dos fatos – quanto custa movimentar a roda da política, quanto dinheiro se gasta para movimentar a máquina partidária e a máquina política governamental. Se consegue ter noção de quanto dinheiro rola pelos sub-solos dos palácios, hotéis, bancos, companhias transportadoras, das empresas de comunicação, agências de publicidade, companhias prestadoras de serviços, e empresas comerciais, industrias e agrícolas, tanto as ligadas aos governos como as da iniciativa privada. E mais incrível ainda tanto no âmbito nacional como internacional. Ao final do livro qualquer leitor – mesmo os não versados em política ou economia – saberá como se irriga a economia das empresas e das pessoas. Haja corrupto. Haja corruptor. Haja corrupção. A parte mais cínica do livro é quando o autor diz que o PT toma para si todo o dinheiro que as empresas fornecedoras do governo – em seus mais diversos escalões – pagam como “taxa para sustentação da máquina partidária”. Que noutros governos anteriores, essa taxa não era do partido do governo, mas pertencia a cada partido “dono” do ministério” ou da “autarquia” para o qual tinha sido nomeado um político, na sagrada divisão dos cargos. Já a parte mais bobinha do livro é quando o autor diz que contou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o PT e o PTB tinham acertado partilhar R$ 3 milhões arrecadados de empresas prestadoras de serviço à estatal Furnas Centrais Elétricas. Jefferson diz que o acordo fora acertado com o ministro da Casa Civil, José Dirceu.Lula se surpreendeu porque desconhecia o acordo, suspeita Roberto Jefferson. O diálogo com o presidente, na presença de Dirceu e do ministro do Turismo, Walfrido Guias é a única coisa nova, que parece, não tinha sido mencionada durante o episódio na Câmara dos Deputados. Mas é uma passagem inteiramente bobinha. Tanto a surpresa do Presidente como o fato em si. Inacreditável, porém, é que o autor tenha tido a coragem de afirmar:...."O uso de cargos para se obter doações representa um afrouxamento moral? Eu acho que sim. Mas não é algo necessariamente ilícito. Se for possível, por meio da relação do político nomeado com o empresário, a empresa privada ajudar o partido "por dentro", fazendo doações oficiais e declarando à Justiça Eleitoral, por que não? É uma relação política que se estabelece, levando a empresa a ajudar o partido - mas sem extorsão, sem superfaturamento, sem aditivo contratual. É preciso escolher dois ou três empresários que inspirem confiança, que tenham afinidade com o partido e que possam, sem superfaturar, sem ganhar contrato aditivo, sem cometer irregularidade em relação à empresa pública, ajudar o caixa partidário..."



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do Deputado Federal Roberto Jefferson, que auxiliado pelo escritor Luciano Trigo, às vésperas das eleições brasileiras de 2005, conta a história do mensalão. Mensalão foi o nome adotado ao escandaloso episódio orquestrado pelo PT – Partido dos Trabalhadores, em que dirigentes do partido e autoridades do governo distribuíam, em dinheiro, todos os meses, para deputados de outros partidos que compunham a base de apoio político do Governo Lula. O PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, do qual Roberto Jefferson era Presidente, era um dos partidos beneficiados com a farta distribuição da poupuda mensalidade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Todos os partidos querem ter um homem numa área importante de decisão, que estabeleça uma relação com as empresas privadas que gravitam em torno dessa área para, na seleção de algumas - que podem ou não respeitar os parâmetros éticos - pedir que contribuam com o caixa do partido. É assim que funciona.

O uso de cargos para se obter doações representa um afrouxamento moral? Eu acho que sim. Mas não é algo necessariamente ilícito. Se for possível, por meio da relação do político nomeado com o empresário, a empresa privada ajudar o partido "por dentro", fazendo doações oficiais e declarando à Justiça Eleitoral, por que não? É uma relação política que se estabelece, levando a empresa a ajudar o partido - mas sem extorsão, sem superfaturamento, sem aditivo contratual.

Essa relação tem que ser muito sutil, não pode degringolar.

É preciso escolher dois ou três empresários que inspirem confiança, que tenham afinidade com o partido e que possam, sem superfaturar, sem ganhar contrato aditivo, sem cometer irregularidade em relação à empresa pública, ajudar o caixa partidário. É uma linha sutil, mas que faz toda diferença.

Aqueles que são designados para ocupar cargos de relevânncia têm essa missão: arrecadar contribuições dos prestadores de serviço privados para o partido que o indicou. Sempre assumi isso de público. Nenhum líder ou presidente nomeia dirigentes nas estatais sem uma contrapartida para o seu partido. Se o interesse público for preservado e a doação for feita por dentro, não é crime, faz parte do jogo democrático. Se o recurso não sai do caixa da empresa, não há crime em estabelecer relações com as empresas que fornecem serviços à estatal.

E, se os partidos que compõem o governo são coresponsáveis pela administração deste governo, precisam de liberdade para montar suas estruturas, desde que façam isso com responsabilidade e respeitando limites. É algo lógico. Como presidente do PTB, a minha orientação sempre foi a seguinte: primeiro, o interesse da empresa pública; segundo, o interesse da empresa privada que trabalha para a empresa pública; terceiro, e se posssível, a arrecadação para o partido.

Sempre pedi aos nomeados pelo PTB que tentassem captar recursos por meio da boa vontade. Digo isso com toda a trannqüilidade, porque existe uma linha amarela, que eu não deixava ninguém ultrapassar. Pedir doações a fornecedores privados das estatais também pode ser considerado um afrouxamento moral, mas não constitui uma ilegalidade. O que tem que ficar claro é que a relação que leva uma empresa privada a ajudar oficialmente um partido não pode envolver extorsão, nem superfaturamento, nem aditivos contratuais.

Em suma, é uma relação política que se estabelece. Afinal de contas, a democracia é financiada pelo dinheiro. O dinheiro faz a política, mas a política não pode fazer o dinheiro.

Minha luta foi essa. Não aceitei fazer o jogo de receber repasse do caixa único do PT. Não aceitei o Mensalão. Eu dizia ao José Genoíno e ao José Dirceu: "Quem faz caixa no meu partido sou eu. Não aceito mesada de vocês".

As fronteiras entre diferentes condutas podem parecer tênues à primeira vista, mas fazem uma diferença fundamental. Ao governo do PT, que chegou ao fundo do poço em matéria de corrupção, interessou melar o jogo e lançar todos na vala comum da quebra de confiança que hoje contamina a relação entre os políticos e a sociedade civil. Mas é preciso saber discernir quando determinados limites são quebrados, e com que intenções.

O leitor pode se perguntar: mas os fornecedores das estatais não são escolhidos por meio de licitação? São. Mas toda liciitação tem critérios objetivos e subjetivos. E aqui afirmo abertamente: se nos critérios técnicos duas empresas empatam, se as duas atendem ao interesse da estatal, acho perfeitamente natural que a escolhida seja aquela mais afinada com o partido representado naquela diretoria. Isso é muito mais justo e democrático do que favorecer sempre as mesmas empresas, vinculadas aos mesmos interesses.

Por exemplo, uma das acusações feitas contra o PT na CPMI dos Correios foi ter entregue contratos de informática à Novadata, cujos proprietários apóiam o partido e são ligados ao presidente Lula. Fizeram um escândalo. Neste ponto, eu até defendo o PT. Se a Novadata realiza todos os serviços satisfatoriamente, se não prejudica o interesse público, é natural que ela esteja ali, e não uma empresa afinada ideologicamente com a oposição. Desde que não haja superfaturamento, não vejo problema algum nisso. Porque, da mesma forma, na época do governo do PSDB quem prestava esse serviço era uma empresa identificada com os tucanos.

A Novadata é uma grande empresa, independentemente da vinculação de sua diretoria com dirigentes do PT. Que ela reeceba a preferência do governo por critérios subjetivos faz parte da democracia. Por que as empresas ligadas ao PSDB continuariam nos Correios? Se a Novadata tem as mesmas qualidades técnicas e morais e assume a responsabilidade pelos serviços prestados, por que o governo contrataria uma empresa ligada aos seus adversários políticos? Essas coisas ficam subentendidas, mas deviam ser claras. O critério subjetivo existe, e é justo que seja assim.

Mas garanto que nunca autorizei nomeados do PTB a presssionar fornecedores para dar propina ou fazer doações por fora. Nunca autorizei que o superfaturamento de contratos fosse usado como moeda de troca. O PT, sim, fez isso, por meio da diretoria de informática dos Correios e dezenas de outros cargos sob sua influência direta. Não por acaso, todos são ligados às diretorias de engenharia, tecnologia, operações e compras, que são as que dispõem de maiores recursos.

É por tudo isso que, no relatório final da CPMI dos Correios, não se pediu o indiciamento de ninguém ligado ao PTB. Já do PT, pediram vários. A única pessoa do PTB que se sugere ser indiciada sou eu - e mesmo assim porque confessei ter recebido R$ 4 milhões do PT, por meio do Marcos Valério, o que aliás não ficou provado.

Nesse sentido, não era a arrecadação de doações de parceiros privados por dentro, pelo PT, que era ilícita, porque esta era uma fonte legítima de captação de recursos. Não vejo nada de errado nisso, porque a democracia pressupõe o revezamento dos gruupos no poder. Errado seria entrar governo e sair governo, e a diretoria permanecer nas mesmas mãos - caso de Dimas Toledo na diretoria de engenharia de Furnas Centrais Elétricas.

Resumindo, não acho errado estabelecer, com fornecedores privados, com aqueles empresários afinados ideologicamente com o partido, uma boa relação, que inclua contribuições por dentro, declaradas à Justiça Eleitoral. Nem é errado se esforçar para atender pleitos de natureza estratégica desses forne~edoores, que geralmente são do seu estado ou município. É papel do
parlamentar defender projetos que gerem emprego e desenvolvimento na sua base de atuação.

O problema do PT foi que também existia uma fonte ilegítiima de recursos por fora, que tinha como centro de coleta e difusão o publicitário Marcos Valério, o Carequinha operador do Mensalão. José Dirceu, por meio de Sílvio Pereira, comandava as indicações para cargos em estatais com o objetivo de captar recursos para o caixa único do PT e distribuir o Mensalão. Aí a coisa ficou grave. É preciso respeitar uma linha amarela pintada no chão. Eu sempre respeitei essa linha.

É óbvio que empresas privadas não fazem contribuições a partidos políticos por benemerência. Bancos não fazem filantropia. Pode haver interesses em jogo, é claro, mas esses interesses podem ser legítimos. É boa vontade contra boa vontade. Numa boa relação com uma empresa fornecedora, o diretor de uma estatal se empenha para pagar no prazo as faturas, evitar atrasos nos contratos, eliminar embaraços. Mas a contribuição é voluntária, e não envolve dinheiro público. Arrecadar fundos com empresários privados não é desvio de dinheiro público. Os recursos vêm da empresa privada na relação com a empresa pública, mas não saem da empresa pública.

A ilicitude só começa se as doações forem recuperadas pelos empresários na forma de preços superfaturados cobrados ao Estado. O problema é quando se fazem negócios escusos - cobrar comissões, embolsar propinas, enriquecer ilicitamente. Isso aconntece quando o diretor não tem competência técnica ou, o que é mais grave, quando não tem qualidade moral. Aí ele mete mesmo a mão no caixa da empresa pública e bota no próprio bolso, ou divide num esquema com um grupo de deputados, como fez o PT.

Voltando ao caso dos Correios, é evidente que as nomeações feitas pelo PTB se prendiam, sim, a uma estratégia de captação de recursos eleitorais. Nunca neguei isso. Só que abbsolutamente nada foi captado para o PTB. Porque a turma do PT corria na frente.

Pedi a Antônio Osário Batista, diretor de Administração dos Correios, que, se possível, na relação com algum empresário privado, pedisse ajuda para o caixa oficial do partido. Osário é um homem sério, honrado, correto. Investigaram a sua vida e não encontraram nada. Vive do salário do Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], onde é funcionário há 35 anos. Osário não falhou nessa missão, ele simplesmente não teve condições de cumpri-la. Não conseguiu que um empresário sequer fizesse doações ao PTB, porque todos já tinham sido abordados pela gente do PT, que ocupava os cargos estratégicos da empresa.

Homem correto, Antônio Osário demonstrou na CPMI que no seu departamento 60% das compras foram feitas por pregão e 30% por carta-convite. A maior parte da corrupção nos Correios estava concentrada na diretoria de Informática, com contratos milionários e superfaturados em até 300%. E essa diretoria era controlada por quem? Pelo secretário-geral do PT, Sílvio Pereira.

O pior é que, mesmo depois de três CPIs instaladas neste governo para investigar a corrupção, os cargos mais cobiçados da administração federal continuam ocupados por apadrinhados dos principais acusados de operar o Mensalão. Com o aval do presidente Lula, José Dirceu, Valdemar Costa Neto e José Janene, entre outros, ainda dividem os cargos mais poderosos de estatais como a Petrobras e órgãos como o DNIT.

O loteamento político de cargos estratégicos continua. Antes, na área do petróleo, o Sílvio Pereira mandava. Todas as decisões passavam por ele - nomeação da Transpetro, da Petrobras, da Petroquisa, tudo. Silvinho foi abandonado pelo PT, mas muitos cargos continuam sendo distribuídos entre as cúpulas do PT e do PMDB - aqueles cargos com volume maior de contratos gerenciados, e portanto com maior potencial para fazer caixa.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nervos de Aço é livro esgotado. Num passeio pela Estante Virtual, em dezembro de 2009, encontrei o livro num Sebo do Rio Grande do Norte. A compra foi imediata porque - no futuro, talvez distante, quando o Brasil for um país sério - os leitores precisarão saber como eram os políticos que representavam os cidadãos brasileiros no ano de 2005. Também é verdade que os políticos espelhavam adequadamente a sociedade que os elegia.


 

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