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O Sobrinho de Wittgenstein

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O Sobrinho de Wittgenstein

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Thomas Bernhard

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Maira Parulla

Páginas: 124

Ano de edição: 1992

Peso: 195 g

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Ruim
Marcio Mafra
28/06/2010 às 12:32
Brasília - DF

O sobrinho de Wittgenstein é uma história da vida de dois amigos, Paul e Bernhard, que tem início quando Bernhard acorda de uma anestesia geral, no pavilhão Herman, eis que fora operado para a retirada de um tumor no pulmão. No mesmo instante ele pensa em seu amigo Paul, o tal sobrinho de Wittgenstein, que se encontra noutro pavilhão do mesmo hospital, onde fora internado para tratamento psiquiátrico. Trata-se das memórias, quase autobiográficas de Thomas Bernhard, que usa o tom e a forma de um monólogo sem fim, com imensos parágrafos, que se estendem – num só capítulo – desde o começo ao fim do livro. Os dois personagens, em seus monólogos intimistas, chegam ao limite do desespero humano, sempre permeando os limites da razão. Por vezes a leitura é irritante, de tão negativista, de tão aniquiladora, de tanto niilismo. O desenvolvimento do romance mais parece pano de fundo do que tema explícito, ou conversa de doido, com final patético e incompleto. Livro chato. Muito chato.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história dos amigos Paul Wittgenstein e Bernhard, ambos hospitalizados, um por problemas psiquiátricos e outro por problemas pulmonares, num tipo de ensaio sobre a amizade e o declínio da vida.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Para ela, Ludwig Wittgenstein, assim como Paul Wittgenstein, era um louco, de quem o estrangeiro que sempre deu ouvidos a tudo o que há de mais absurdo fizera um grande homem. Eles abanavam a cabeça e achavam engraçado que o mundo inteiro estivesse caído pelo seu nome de família, que o irrecuperável tivesse subitamente se tornado célebre na Inglaterra e sagrado gigannte do espírito. Em sua arrogância, os Wittgenstein rejeitavam simplesmente sua filosofia e não lhe concediam a menor estima, mas só tinham, e só têm até hoje, desprezo por ele. Assim como em Paul, até hoje eles só vêem em Ludwig um traidor. Assim como fizeram com Paul, eles eliminaram Ludwig, é a verdade, e mesmo a considerável fama de Ludwig estabelecida naquela época não fez ceder o desprezo habitual que tinham pelo filósofo, num país onde, afinal de contas, Luddwig Wittgenstein, ainda hoje, conta pouco ou quase nada e onde, ainda hoje, quase ninguém o conhece. Ainda hoje, os vienenses, é a verdade, não reconheceram nem Sigmund Freud, eles nem o conhecem exatamente, é um fato, porque eles são muito tacanhos. Com Wittgenstein aconteceu a mesma coisa. Meu tio Ludwig, essas palavras sempre pronunciadas com respeito foram as únicas que Paul disse na vida, sem ousar desenvolver seu pensamento e, como homem marcado ele próprio, preferia ficar nisso. Na verdade, nunca pude esclarecer suas relações com este tio que se tornara um grande homem na Inglaterra. E minhas relações com Paul que começaram na casa da nossa amiga Irina, no seu quarto da Blumenstockgasse, eram naturalmente difíceis, não eram uma amizade com reconquista e renovação cotidianas e ao lonngo dos anos elas se mostraram muito cansativas; elas se firmavam em seus momentos mais altos e baixos e em suas provas de amizade. Penso, por exemplo, no papel que Paul desempenhou por ocasião do que chamam a cerimônia da entrega do meu "prêmio Grillparzer". Ele foi o único, juntamente com o meu ser vital, que descobriu todo o sonso disparate dessa entrega de prêmios e definiu essa grotesca cerimônia como ela merecia: uma perfídia bem austríaca. Lembro-me de que para essa entrega de prêmio na Academia de Ciências, eu comprara um terno novo, porque achava que não poderia me apresentar na Acadeemia de Ciências sem um terno novo, e entrei com meu ser vital numa loja de confecções do Kohllmarkt e procurei um terno conveniente, experimentei-o e fiquei com ele. O novo terno era cinnza antracite, e eu achava que naquele terno cinza antracite, eu poderia desempenhar meu papel na Academia de Ciências, melhor do que no velho. Na própria manhã da entrega do prêmio, eu ainnda considerava essa entrega de prêmio como um acontecimento. Ela acontecia na data exata do centenário da mone de Grillparzer e eu sentia algo de excepcional pelo fato de me atribuírem o prêmio Grillparzer no centésimo aniversário do dia da morte de Grillparzer. Eu me dizia: agora os austríacos, meus compatriotas, que até então só pensavam em me pisotear, chegam a me conceeder o prêmio Grillparzer, e achava realmente ter atingido o píncaro. Talvez até, pela manhã, minhas mãos estivessem trêmulas e é bem possível que minha testa estivesse febril. O fato de os austríacos, que até então só tinham me ignorado ou coberto de sarcasmos, me concederem subitamente seu prêmio mais prestigioso era para mim uma reparação definitiva. Estava muito orgulhoso quando saí no meu terno novo da loja do Kohlmarkt, para ir à Academia de Ciências; nunca atravessara o Kohlmarkt e o Graben, nem passara perto da estátua de Gutenberg com esse sentimento de exaltação, mas não posso dizer que me sentia à vontade no meu terno novo. É sempre um erro comprar uma roupa, digamos praticamente sob vigilância e acompanhado e eu cometera mais uma vez esse erro, o terno novo estava apertado. Porém, chegando à Academia de Ciências acompanhado de meu ser vital e de Paul, achei que deeveria causar boa impressão no meu terno novo. As entregas de prêmios são, sem considerar o dinheiro que elas trazem, o que há de mais insuportável no mundo, eu já tivera uma experiência na Alemanha, elas não elevam a pessoa, como eu acreditava antes de receber meu primeiro prêmio, elas rebaixam, e da maneira mais humilhante. Foi apenas por sempre pensar no dinheiro que elas trazem que as suportei, foi realmente a única razão que me fez ir em todas essas prefeituras históricas e em todos esses salões de festas de um terrível mau gosto. Até os quarenta anos. Deixei que cagassem na minha cabeça em todas essas prefeituras, em todos esses salões de festas, pois uma entrega de prêmios nada mais é do que uma cerimônia durante a qual cagam na nossa cabeça. Aceitar um prêmio só significa deixar que caguem em nossa cabeça porque nos pagaram para isso.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Lembro-me, apenas e tão somente, que pessoa de meu relacionamento recomendou a compra deste autor.


 

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