carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Caim

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Caim

Livro Excelente - 1 opinião

  • Leram
    3
  • Vão ler
    6
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    4

Autor: José Saramago

Editora: Caminho

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 181

Ano de edição: 2009

Peso: 240 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Excelente
Marcio Mafra
27/06/2010 às 12:23
Brasília - DF

José Saramago, o genial escritor português, Nobel de 1998, com refinado humor, bastante sarcasmo e muito conhecimento bíblico escreveu a história de Caim, sob um novo instigante ângulo. Ora, se a única autoridade da época era o criador, então foi o bom e velho Deus que permitiu – senão, determinou – que Caim matasse Abel. Perpetrato o crime, Caim ficou marcado e vai, no lombo de um asno, feito um andarilho, vagando por outros episódios, escolhidos pelo autor, sem qualquer lógica temporal. Assim o personagem visita várias passagens do Antigo Testamento. Caim dorme e acorda em épocas e situações diferentes sempre com o objetivo de questionar Deus e cada uma das suas malévolas decisões. Em cada episódio, Caim demonstra o Senhor do Universo como maldoso, rancoroso, injusto, ardiloso e violento. O romance é divertido. Tem muitas passagens curiosas, como a passagem onde Deus admite a culpa pelo crime contra Abel ou quando ele não hesita em estimular guerras e batalhas, cometer infanticídio e impingir graves punições aos seus servos, tanto aos bons como aos pecadores. Em algumas dessas situações o personagem passa a inquirir Deus de como é possível que um homem embriagado possa engravidar uma mulher, ou como todas as espécies de animais do planeta poderiam ter sido embarcadas na Arca de Noé, demonstrando cabalmente as inverdades constantes do Velho Testamento. Com certeza Caim desagradará os religiosos de diversos matizes, mas é uma leitura ótima, leve, simples e gostosa como só um grande escritor sabe fazer.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Caim, segundo filho de Adão e Eva, que matou Abel, seu irmão mais velho e sai montado num jegue, a vagar pelo mundo do Velho Testamento, passando pelos locais e episódios onde aconteceram tragédias, como o da destruição de Sodoma e Gomorra; ou quando da obediência de Abraão que levou seu filho Isaac para assassiná-lo e ofertá-lo no altar de Deus; ou no caso do bezerro de ouro onde as doze tribos de Israel, na curta ausência de Moisés, fundiram em ouro a figura do bezerro para venerá-lo, ao invés de venerar ao Deus de Moisés; sem contar a escolha dos animais embarcados na Arca de Noé e, ainda, no episódio da construção da Torre de Babel. Nas suas andanças, nada acontece a Caim, pois ele fora escolhido por Deus para perpetrar o crime de matar seu irmão, cabendo a responsabilidade do ato à Deus e não a êle Caim.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um dia, por ocasião de uma dessas súbitas mudanças de presente que o faziam viajar no tempo, ora para a frente ora para trás, caim encontrou-se diante de uma tenda, à hora de maior calor, junto das azinheiras de mambré. Tinha-lhe parecido entrever um ancião que lhe recordava vagamente uma pessoa. Para ter a certeza chamou à porta da tenda e então apareceu abraão. Procuras alguém, perguntou ele, Sim e não, estou só de passagem, pareceu-me reconhecer-te e não me enganei, como está teu filho isaac, eu sou caim, Estás enganado, o único filho que tenho chama-se ismael, não isaac, e ismael é o filho que fiz à minha escrava agar. O vivo espírito de caim, já treinado nestas situações, iluminou-se de repente, o jogo dos presentes alternativos havia manipulado o tempo uma vez mais, mostrara-lhe antes o que só viria a acontecer depois, isto é, por palavras que se querem mais simples e explícitas, o tal isaac ainda não tinha nascido. Não me lembro de alguma vez te ter visto, disse abraão, mas entra, estás em tua casa, mandarei que te tragam água para lavares os pés e pão para a jornada, Primeiro hei-de tratar do meu jumento, Leva-o àquelas azinheiras, tens lá feno e palha e há um bebedouro cheio de água fresca. Caim levou o asno pela arreata, tirou-lhe a albarda para que se desafogasse do calor que fazia e instalou-o numa sombra. Depois sopesou os alforges quase vazios pensando em como poderia remediar uma escassez de alimentos que já se ia tornando alarmante. O que tinha ouvido a abraão dera-lhe uma alma nova, mas há que pensar que nem só de pão vive o homem, mormente ele, habituado nos últimos tempos a mimos gastronómicos muito por cima da sua origem e condição social. Deixando o jumento entregue aos mais lídimos prazeres campestres, água, sombra, comida farta, caim dirigiu-se à tenda, bateu à porta para avisar da sua presença e entrou. Viu logo que havia ali uma reunião para a qual, obviamente, não havia sido convidado, três homens, pelos vistos chegados entretanto, conversavam com o dono da casa. Fez menção de se retirar com a discrição conveniente, mas abraão disse, Não vás, senta-te, todos sois meus hóspedes, e agora, se me dais licença, vou dar as minhas ordens. Logo correu para dentro da tenda e disse a sara, sua mulher, Depressa, amassa três medidas da melhor farinha e faz uns quantos pães. Depois foi aonde se encontrava o gado e trouxe um vitelo novo e gordo, que entregou a um criado para que o cozinhasse rapidamente. Concluído tudo isto, serviu aos hóspedes o vitelo que havia preparado, incluindo a caim, Comes com eles ali, debaixo das árvores, disse. E, como se fosse pouco, ainda lhes serviu manteiga e leite. Então eles perguntaram, Onde está sara, e abraão respondeu, Está na tenda. Foi aqui que um dos três homens disse, Para o ano que vem voltarei a tua casa e, na devida altura, a tua mulher terá um filho. Esse será isaac, disse caim em voz baixa, tão baixa que ninguém pareceu tê-lo ouvido. Ora, abraão e sara eram bastante idosos, e ela já não estava em idade de ter filhos. Por isso sorriu ao pensar, Como é que eu vou ainda sentir essa alegria se o meu marido e eu estamos velhos e cansados. O homem perguntou a abraão, Por que é que sara sorriu, pensando que já não pode ter um filho nesta idade, será que para o senhor isso é uma coisa assim tão difícil. E repetiu o que dissera antes, Daqui a um ano voltarei a passar por tua casa e, no fim do tempo devido, a tua mulher terá dado à luz um filho. Ouvindo isto, sara assustou-se e negou que tivesse sorrido, mas o outro respondeu, Sorriste, sim, senhora, que eu bem vi. Neste momento todos perceberam que o terceiro homem era o próprio senhor deus em pessoa. Não foi dito na altura própria que caim, antes de entrar na tenda, havia feito descer para os olhos a fímbria do turbante a fim de esconder a marca à curiosidade dos presentes, sobretudo do senhor que imediatamente a reconheceria, por isso, quando o senhor lhe perguntou se o seu nome era caim, respondeu, Caim sou, na verdade, mas não esse.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em outubro de 2009, poucos dias após o lançamento de Caim, cheguei a Lisboa e percebi em todas as vitrines das muitas livrarias da capital de Portugal, pilhas e pilhas do último livro do Prêmio Nobel de 1998, o magistral José Saramago. Trouxe em minha bagagem a edição portuguesa, de capa amarela.


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!

 

 

 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2018
Todos os direitos reservados.