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O Despenhadeiro

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O Despenhadeiro

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Fernando Vallejo  

Editora: Alfaguara

Assunto: Romance

Traduzido por: Diogo Henriques

Páginas: 169

Ano de edição: 2008

Peso: 315 g

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Ótimo
Marcio Mafra
21/03/2010 às 11:08
Brasília - DF

Fernando Vallejo no seu O Despenhadeiro conta uma história que transita entre o real e a ficção, onde as figuras de retórica e as lembranças se sobrepõem ao presente. Interessantíssimo - senão assustador - é quando o autor transforma a morte em personagem da história, e com esta trava diversos diálogos ao longo do livro. Darío, seu irmão mais moço, juntamente com seu pai, são os personagens mais reais - se é que é possível um personagens ser "real" - com quem o autor conta, canta e encanta a sua história de amor, drogas, violência e muita diversão desvairada na cidade de Medelin. O tema do "despenhadeiro" é uma história de derrota, queda, desbarrancamento, decadência ou descida, mas ainda assim não é uma história amarga. É - antes de tudo - uma história de violência, permeada pelas drogas, pela ironia política e desunião familiar. Mas é triste. De outro lado, o Fernando Vallejo lembra - as vezes, mais parece imitação - o Junot Diaz, aquele dominicano que escreveu Afogado e A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Despenhadeiro é a história do "morro abaixo" de uma família colombiana, onde se destacavam o pai que era um político importante da Colombia e Darío, irmão do narrador, com quem compartilhou experiencias intensas na juventude.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Filho: consiga uma nomeacão e valorize o cargo.

Que nada passe com a sua assinatura sem que voce receba tambem a devida propina, pois o mundo é dos vivos e o ceu é dos idiotas. Não de nada sem que lhe deem tambem e se não dão que aguardem, que a pressa é deles: eles é que tem a siderúrgica em atividade e não podem esperar.

Voce sim, voce vive de salário. Industrias? Agricultura? Trabalho para os desempregados? Eles que as abram, eles que plantem, eles, que são os exploradores, que lhes deem emprego: voce não, voce é um santo. Tenha sempre em mente que funcionário que deixa o cargo já não é: foi. Por isso dizem "o ex-ministro", "o ex-presidente", com um xis lamentoso. Nesse xis está toda a diferença entre ser e não ser. De modo que nao deixe um posto sem ter outro já engatado. Humilhe os seus comandados, puxe o saco dos seus superiores, e se os seus superiores caírem da-lhes um pontapé no mesmo saco, pois a lealdade e um vício de traidores. Como voce poderia trair os seus próprios interesses por causa de um ex-chefe? Um ex ja não é nada. E suba, suba, suba, que quanto mais voce subir mais o seu país irá baixar. Ninguem pode estar em cima se não houver alguem embaixo. Nas reuniões, não se abra, pois voce não é uma mulher apaixonada, e não esqueça que hoje em dia gravam tudo; diga que nem sim nem não, turve a água, pois em rio transparente não se pesca. Masturbe o povo, adule os poderosos, chore com as vitimas, e a todos faça promessas, promessas, promessas, e uma vez eleito proclame aos quatro ventos o seu amor pelo país, mas se quiserem compra-lo, venda-o ou senão hipoteque-o que as próximas gerações pagam. 0 futuro pertence aos jovens. As casas, as ruas, as escolas, os hospitais, as uniiversidades, as estradas que voce prometeu, deixe-as como as pontes: no ar, suspensas, entre as duas margens de um vazio. É absurdo gastar em lugares públicos suntuosos aquilo que é para os seus próprios gastos: suas mansões, seus aviões, seus palácios, seus palacetes, suas ilhas, suas praias, seus iates, suas putas, suas delicatessen. E ao partir, se é que partirá, lembre-se que o vento seguinte vai levar tudo aquilo que voce deixou: dinheiro em cofre público é tão volátil quanto a essencia de terebintina. Isso, mais isso e mais isso é o que eu daria como conselho a umn filho se o tivesse. Mas, que pena, eu não copulo com as filhas de Eva, e a existencia, pelo visto, não acontece sem algum agente causador. Louvaçõeszinhas para mim? Louvado seja o Papa, Sua Santidade! Que além disso é muito trabalhador: agita a enxada de sol a sol.

Imitadora desse infatigavel homem de labor, vaticano, a Louca se instalou no andar de cima de sua casa para trabalhar: com suas pobres cordas vocais:

Desça e fale para o seu pai ligar a lavadora, que ele sabe - mandava a mim, que passava por ali.

Não, Mandolina. Desça e fale voce - respondia eu, e ia embora.

Suas sutilezas mandonas tinham chegado a tal ponto que, para não ter de gritar, mandava por interposta pessoa. E o seu pai? Meu pai, 0 ex-senador e ex-ministro, o santo marido dela? Jungido ao carro de seu destino, o boi arava. Sorveu-o. Chupou-lhe o espírito e de seu corrpo, sugando-o, deixou apenas a carcaça. Por isso, quando uma sociologa da Universidade de Antioquia afirmou que na Colombia só as familias dos politicos eram felizes, eu respondi:

-Ha, ha ...

Num dia em que eu e a Louca estavamos em silenncio na biblioteca, ela vendo televisão e eu a vendo embruutecer-se, antes que lhe ocorresse articular alguma palavra para dar ordens, mandei:

- Desce e me faz um suco de laranja.

Abriu uns olhões, de tanta incredulidade metafisiica! 0 mandão mandado! E começou a ter uma taquicardia. Recomendo a Cuba uma atitude similar em relação ao tirano: vontade inquebrantável e ação decidida.

Tinha adormecido meditando sobre o ser e o parecer, tentando contar quantos canos existem na imensa estrutura de andaimes de hipocrisia e mentira sobre a qual se construiu a vida humana, mas tive um belo sonho. Sonhei que estava na Colombia e que tinham-me dado um carguinho no Ministério das Relações Exteriores e que eu abri uma brecha para deixar passar para os Estados Unidos um caminhão lotado de coca. A coca, apócope de cocaina, e um pózinho branco, sútil, que acaricia o cerebro através do nariz, e que apesar de sua sutileza rende mais do que o café. 0 café e uma erva daninha, umn fungo, um parasita, o túmulo das ilusões, e, se voce não acredita em mim, cultive-o para ver. Auxiliado pela burocracia, essa sujeira foi cagada por toda a Colombia. Maldito aquele que o trouxe. E a mãe dele tambem. E junto com eles a Espanha também e a religião católica. E afundado ate o cocuruto, com água saindo pelo nariz por causa do pózinho travesso que escapava pelas frestas do caminhão, eis que o telefone toca e me acorda. Era minha cunhada Nora que me ligava do país dos sonhos para me avisar que papai, o papi, meu pai, o único que eu tinha e que valia a pena ter (porque uma mãe não vale merda nenhuma), estava mal e que os médicos temiam pelo pior. Que eu precisava decidir se voltava ou não voltava.

- Claro que vou voltar e imediatamente, mas enquanto eu me troco e pego o avião não deixe nenhum desses nojentos chegar perto dele.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Fernando Vallejo era uma das personalidades bastante incensadas na Flip de 2008, embora sua mesa de discussão - sobre o tema "Paraiso Perdido" - estivesse marcado para o final da tarde do ultimo dia da festa.

Durante a sua apresentação, não deu para perceber qual era exatamente o tipo de literatura que o autor utilizava em seus livros, até porque o trecho lido não passou de dois ou três minutos de leitura.

Trouxe o seu livro mais recente editado no Brasil " O Despenhadeiro". Só consegui voltar ao Fernando Vallejo em março de 2009. Valeu a pena. É - sem nenhuma dúvida -um bom autor, mas seus livros nos remetem ao estilo do dominicano Junot Diáz.


 

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