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Os Amantes - 2º Exemplar

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Os Amantes - 2º Exemplar

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Autor: Morris West

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: A B Pinheiro de Lemos

Páginas: 318

Ano de edição: 1994

Peso: 360 g

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Bom
Marcio Mafra
07/09/2007 às 17:52
Brasília - DF

Morris West surgiu no Brasil, pela publicação do Advogado do Diabo. Depois disso foram mais de 20 títulos: Escândalo na Igreja, Alerquim, Concubina, Embaixador, Estrada Sinuosa, Filha do Silencio, Filhos das Trevas, Herege, Kundu, Navegante, Sandálias do Pescador, Terra Nua, Torre de Babel, Fantoches de Deus, entre outros. Todos envolvendo ciúmes, guerras, chantagens, crimes, sexo, dinheiro e poder. O Advogado do Diabo foi um grande sucesso, um ótimo livro. Os Amantes, como todos os outros títulos, são xerox. Ou seja, descaradas cópias, nem sempre muito nítidas da primeira obra. O Morris deve ser reverenciado. O livro "Os amantes", é o fim da picada.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do advogado Bryan Cavanagh e seu grande amor.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Por mais estranho que pudesse parecer, todos foram lhe desejar boa noite, um de cada vez. Giulia foi a primeira. Deu-lhe um abraço longo e sensual e partiu apressada, ao som de passos. A condessa queria agradecer por uma noite divertida e lembrá-lo de que precisavam encontrar um momento oportuno para uma longa conversa. Farnese queria mostrar à sua Aurora a vista da ponte de comando, com a lua subindo sobre os abismos do mar escuro, entre o território continental e a Sardenha. Jackie apareceu para informar que já haviam arrumado tudo no convés e cozinha. Lenore trouxe a notícia de que o chef acordara, numa tremenda ressaca, mas em seu juízo perfeito, e resmungando que ninguém tivera a consideração de despertá-lo para a festa. Leo subiu meia hora depois, revigorado depois de um cochilo, para substituí-lo no timão. - Foi uma boa festa, Leo - comentou Cavanagh. - Estou grato por você tê-la sugerido. - Deu certo, não é? É estranho... Em outras viagens, com ou sem convidados, Molloy era sempre divertido. Desta vez, com Farnese e as mulheres a bordo, ele tem se mostrado muito diferente... meio taciturno, sempre de pavio curto. - Talvez ele esteja assustado com a perspectiva de casar - sugeriu Cavanagh, tentando atenuar a situação. - Essa não! - Leo exibiu um sorriso irônico. - Ele quer tanto que até dói! Mas não pelo sexo, embora seja capaz de matar qualquer um que pense que está farejando sua Giulia... o que significa você, Cavanagh. Vem dando um espetáculo e tanto, mas pode ter certeza de que ninguém vai contar. Todos concordamos com isso. - Pretendo contar tudo, e Giulia também, assim que Molloy voltar - declarou Cavanagh, incisivo. - Jesus Cristo! Essa é mesmo uma grande decisão. Se eu fosse vocês... qualquer um dos dois, ou ambos... pensaria mais um pouco a respeito. Só viu um lado de Declan Aloysius Molloy, o lado do comportamento de festa, do aperto de mão efusivo para os figurões. Mas há outro lado, do pirata brutal, com pistolas no cinto, uma faca nos dentes. - Já o viu em ação? - Eu o vi matar um homem em Cuba... num duelo à moda antiga, depois de um jogo de dados. Hadjidakis foi seu padrinho. O duelo ocorreu num enorme jardim particular. - Quando foi? - No ano passado. Tudo pode acontecer por lá. Sabe disso. - Parece que não sei tanto quanto imaginava. - Pois então lhe darei mais uma informação de graça. Molloy gosta de um homem que o enfrenta. Foi por isso que o contratou, porque você se mostrou disposto a desafiá-lo. Mas o que jamais pode fazer é deixá-lo pensar que está rindo dele. Hadjidakis podia fazer isso, porque sempre sabia como proclamar sua virilidade. Ensinou-o a lutar com qualquer um e a foder qualquer coisa. Como acha que Jackie e eu conseguimos o emprego? - Nunca perguntei, e você não precisa me contar; mas por que Molloy quer casar com Giulia e estragar a vida dela? - Porque não é assim que ele pensa. Será que não percebe? Ele acha que é uma dádiva para ela! Com toda essa história de machismo, com todo seu dinheiro, poder e influência. Você é um homem culto, Cavanagh. Deve conhecer Sir Richard Burton... o sujeito que traduziu As Mil e Uma Noites, que explorou as nascentes do Nilo com Speke, e fez a primeira viagem a Salt Lake City com os mórmons. - Claro que conheço. Um fabuloso aventureiro. - Que fez tudo o que era proibido, e tinha uma esposa que foi louca por ele, até o dia em que morreu. É assim que deve encarar Molloy. Não pode imaginar o poder pessoal que ele tem. E pretende enfrentá-lo de igual para igual, tirar sua mulher? Saiba que perdeu o juízo, Cavanagh. Não sei o que Farnese faria com você, mas Molloy o seguiria até o fim do mundo e explodiria a beira ! - Por que está me dizendo isso? - Você nos deu cobertura em Elba. Acho que lhe devíamos. - Obrigado. Pensarei a respeito. - Faça isso... e continue pensando. Qual é o curso? - Dois trinta. Sem riscos, exceto outras embarcações e redes. Há trezentas braças de água sob a sua quilha durante a maior parte do percurso. - É bem fundo, ainda mais com um bloco de concreto acorrentado a seus tornozelos. Bons sonhos, Cavanagh. - O barco é todo seu. Trate de permanecer acordado. Sozinho em seu camarote, ele tirou os sapatos, esticou-se vestido no beliche. Havia uma série de instrumentos na antepara à sua frente, repetindo as informações da ponte de comando: curso de bússola, revoluções do motor, velocidade do vento. Havia também um sistema de comunicação, com um microfone e um alto-falante, logo acima do travesseiro. A advertência abrupta de Leo deixara-o profundamente perturbado. Ele era o mais inteligente da dupla de bailarinos. Como o chef comentara uma ocasião, "aquele dança com a cabeça tão bem quanto dança com os pés". Leo era instruído, perceptivo, com muitas leituras em algumas áreas improváveis. Portanto, seu resumo da história do caráter e intenções de Molloy se verdadeiro, se não fora inventado para assustar o tripulante novo - devia ter algum peso. O que acarretava a próxima pergunta importante: como comprovar o oráculo? Cavanagh abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira, tirou o volume encadernado em couro que era o diário de Hadjidakis. Folheou apressado, à procura de algum registro do ano de 1951. Em janeiro daquele ano, ao que parecia, enquanto o Salamandra d'Oro ainda se achava em construção nas Ilhas Britânicas, Molloy realizara um cruzeiro pelo Caribe em seu antigo iate: Cuba, Jamaica, Haiti, San Domingo, Barbados. Eram dias selvagens, logo depois da guerra, quando os exploradores de turistas agiam à solta, os banqueiros, financistas e gangsters do exterior controlavam o jogo, a prostituição e o tráfico de entorpecentes, que ainda se encontrava em sua infância. Para um bucaneiro como Lou Molloy, era a temporada de liberdade. Hadjidakis tinha uma frase pitoresca, que resumia tudo com perfeição: "Noites desvairadas em terra, dias tranqüilos a navegar, com o mar e o vento para nos purificar." O duelo em Havana fora registrado, mas com uma indiferença insólita, como um pesadelo: "Estamos no cassino, jogando dados. Uma linda mulata se posta ao lado de Molloy. Ele está ganhando. Antes de jogar os dados, sempre passa a mão por dentro das coxas da mulata, para dar sorte. E ela dá mesmo sorte: cinqüenta e tantos mil dólares! Depois, vem a surpresa: um cubano muito cortês, e muito bêbado, aborda Molloy, acusa-o de indecência com sua mulher. Exige satisfação. Molloy diz que terá o maior prazer em conversar a respeito lá fora. Saímos. Na passagem, avisto Jackie e Leo bebendo no bar. Faço sinal para que eles nos sigam, pois pode haver uma briga. Molloy tenta apaziguar o cubano. Ele se mostra obstinado. Quer um pedido de desculpas. Quer o que ele chama de uma parte da sorte das coxas da minha mulher. Molloy recusa. O cubano o desafia para um duelo. Molloy diz que ele está doido; mas o homem insiste, e seus amigos o apóiam. Ao final, Molloy dá de ombros e concorda. Indica-me para seu padrinho. Pede ao cubano para pôr cinqüenta mil dólares numa aposta em que o vencedor leva tudo. Calcula que isso vai dissuadi-lo. Não tem jeito. O homem tem dinheiro saindo pelos ouvidos. Vamos para sua casa. O duelo é realizado na quadra de tênis. As armas são um par de pistolas de duelo antigas, muito bonitas. O árbitro e quem fica com o dinheiro da aposta é o médico de sua família. Ele enuncia as regras, conta os passos. Molloy atira primeiro e mata o cubano. Pega o dinheiro, aperta a mão do árbitro. Saímos da casa, entramos num táxi, voltamos ao porto. Içamos âncora e partimos logo. Molloy me dá dez mil dólares para dividir com a tripulação. Ele e eu rachamos quarenta mil. Ele fica com o que ganhou nos dados. Diz que devemos nos manter à distância de Cuba por algum tempo. Só lamento não termos trazido a mulata. Lou me diz que com os lucros podemos comprar outra melhor... talvez até duas! Embora estivesse lendo em grego, Cavanagh sentiu um calafrio pela lacônica indiferença da narrativa e os retratos que apresentava de Lou Molloy e do falecido Giorgios Hadjidakis, seu lugar-tenente e cronista. Sempre desconfiara que havia uma razão genuína para temer Lou Molloy, mas a verdadeira dimensão do homem, em poder e potencial de perversidade, até agora lhe escapara; ou melhor, ele preferia se iludir a respeito. Como muitos outros de sua geração, aceitara sem questionar o vitorioso poderio dos Estados Unidos da América e seu predomínio na política global e armas atômicas. O que deixara de perceber era o que compreendia agora, ainda de uma forma um tanto vaga, que o sistema criava tanto gênios como monstros, contra os quais a lei era uma frágil defesa, e para os quais os sonhos faustianos de riqueza, poder e conhecimento estavam sempre ao alcance da mão. Numa sociedade assim, a fronteira entre criminalidade e comércio era muitas vezes indistinta, podia até se tornar invisível. Apesar de todas as proclamações de democracia e liberdade sob a lei, a diferença entre o exercício legítimo do poder e a opressão do súdito era às vezes muito difícil de discernir. As questões, portanto, eram de vida e morte. Lou Molloy poderia persegui-lo até o fim do mundo e liquidá-lo? Era bem possível. E o faria? Era bem provável. O que emprestava um significado e uma pungência especial à indagação da condessa: "Você ama Giulia de verdade?" Ele fechou o diário, guardou-o na gaveta, apagou a luz e resvalou devagar para um sono inquieto.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Fred  Monteiro Filho me presenteou este livro


 

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