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Os Filhos da Rua Arbat

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Os Filhos da Rua Arbat

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Anatoly Rybakov

Editora: Best Seller

Assunto: Romance

Traduzido por: Paulo Bezerra

Páginas: 628

Ano de edição: 1987

Peso: 575 g

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Ótimo
Marcio Mafra
12/04/2008 às 12:36
Brasília - DF

Anatoli Ribakov, foi um dissidente - como todo escritor russo. Desde 1936, quando Stalin mandava matar seus adversários, até 1986, com o advento da Perestroika e da Glasnost,decorreram mais de 50 anos para os bons escritores russos contarem as histórias de suas vidas, ou por outra, mostrarem ao que vieram. Um deles foi Anatoli Ribakov. Quando ele tinha 25 anos de idade, Joseh Stalin assassinava a seus adversários políticos, como quem mata galinhas. O fato indica que as cores de seu romance são cores autênticas, senão autobiográficas. Ribakov é um bom narrador. Nos Filhos da Rua Arbat, que era o centro político e cultural da juventude russa nos idos de 1940/60, ele combina com muito talento fatos da vida real com incursões profundas na alma socialista dos personagens. Esta, aliás, é uma das característica comuns da boa literatura russa. Como em todos os governos do mundo,sejam monarquias, democracias, ditaduras ou correlatos, os fatos históricos sempre foram distorcidos pelos governos de plantão, principalmente quando aconteciam trocas e mudanças de partidos e governos, voluntárias ou não. Historicamente sabe-se que o assassinato do líder político Serguiêi Kirov desencadeou uma onda de matanças de adversários de Stálin, grandes ou pequenos líderes, que tinham sido os seguidores de Lênin, que por sua vez, foi o fundador do estado socialista. O terror generalizado daquela época está retratado com muito talento no romance do Anatoli, quando a eliminação física dos bolcheviques abriu lugar para acomodar os partidários de Joseph Stalin, em todas as instância do Partido Comunista. O assassinato de Kirov é um fato histórico e foi distorcido de acordo com a tradição política. Anatoli Ribakov coloca este fato histórico no meio de sua trama romanesca. E, segundo Paulo Bezerra, o bom tradutor do livro, foi por este motivo que o autor colocou na boca de um dos personagens do romance a frase: "A palavra é a única coisa que tem vida eterna". Prepare-se para uma leitura densa, com um número gigante de personagens, com algumas passagens cansativas e uma coloração política evidente, porém, numa arquitetura literária de muito talento.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Sacha Pankrátov e seu grupo de pessoas, passada na década de 30, ligadas por amizade e pela proximidade do lugar onde moravam ou onde viviam suas vidas: a rua Arbat, em Moscou. O poder central do Partido Comunista, sob a liderança de Joseph Stalin, controlava a todos russos, nos seus mínimos atos, quer fossem homens, mulheres, idosos, jovens ou criancinhas. Toda a manifestação familiar, coletiva ou individual, de ordem política, social, civil ou militar era controlada com mão de ferro. A história é contaminada por covardias, corrupções, tráfegos de influência e omissões, culminando com a morte de Serguiei Kirov.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

De manhã Bons saiu para combinar com o carroceiro. Sacha sentou-se e começou a escrever uma carta para a mãe. "Querida mamãe! Proferiram a sentença dele na mesma sala onde antes o interrogaram. Uma patente militar leu a Deliberação Especial. Artigo 58.10, degredo administrativo na Sibéria Ocidental por três anos, considerando a prisão preventiva. - Assine! Sacha leu o papel. Será que estava escrito por que lhe deram três anos? Não tinha nada escrito. Nem chegava a ser uma sentença, era o ponto de alguma relação geral na qual ele constava como o quinto, o vigésimo quinto ou talvez o tri centésimo vigésimo quinto. Sacha assinou. A sentença foi anunciada de manhã, de tarde houve o encontro com a mãe e a noite o enviaram. Na véspera aparecera o carcereiro, que lhe entregou lápis e papel. - Quem vai chamar para o encontro? Ele escreveu os nomes da mãe e do pai... Vária? Ele pode escrever: Vária Ivânovna - noiva. A noiva eles são obrigados a chamar. Por que logo Vária? Por acaso ele a ama ou ela o ama? E mesmo assim era precisamente ela que ele queria ver. "Das pradarias perfumadas flor, mais que a flauta teu sorriso tem calor:" Ele sentia falta daquela voz suave. Entretanto Sacha não escreveu o nome Vária: estaria ela querendo esse encontro, à espera dele, precisando dele? O carcereiro conduziu Sacha a uma cela minúscula e saiu, fechando a porta. Sacha ficou sentado a uma mesa, pensando como a mãe ficaria horrorizada ao vê-lo de barba, como lhe seria terrível caminhar pelos corredores da prisão. Rangeu a chave, apareceu a cara do carcereiro, atrás dele o rosto da mãe, sua cabeça branca. O carcereiro ficou de lado, bloqueando Sacha com as costas, para que a mãe não se aproximasse dele, indicou a ela uma cadeira do lado oposto da mesa. E ela, baixinha, cabeça branca, precipitou-se para o lugar indicado, baixou a cabeça sem olhar para Sacha. E só depois de sentar-se ergueu os olhos e não mais os tirou de cima dele. Seus lábios tremiam, e a cabeça estremecia levemente. Sacha olhava para ela rindo, o coração sangrando. Como a mãe estava envelhecida, como parecia infeliz, quanto sofrimento havia em seus olhos. Ela vestia um casaco de meia-estação velhinho, que chamava de "minha gabardina", ele lembrou a Sacha que já estavam na primavera e havia visto a mãe em janeiro. A parte inferior da janela estava lambuzada de branco, e da parte superior batia o sol primaveril, seus raios caíam no canto distante onde o carcereiro estava sentado com a cara impassível. - Eu queria me barbear mas não tive tempo, hoje não teve barbeiro - falou Sacha com alegria. Ela olhava calada para ele, seus lábios tremiam, a cabeça tremia - não dava para suportar, procurava não chorar. - O barbeiro é rústico, esfola, ninguém quer se barbear com ele, talvez eu fique bem de barba, que tal eu deixá-la? Ela calava, balançava levemente a cabeça e olhava para ele. - Como estão todos? Vivos, com saúde? Ele tinha em vista seus amigos - estariam em ordem? A mãe entendeu a pergunta. - Todos estão bem, com saúde. Mas a idéia de que todos estavam bem e só Sacha mal, só a ele acontecera aquilo, sem que se soubesse por que logo a ele, essa idéia era insuportável. E ela começou a chorar, com a cabeça apoiada sobre as mãos. - Pare, preciso lhe dizer alguma coisa. Ela tirou o lenço, enxugou as lágrimas. - Eu vou apelar, o meu caso é uma bobagem, está ligado ao Instituto. O carcereiro o interrompeu: - Não falar do caso! Mas a mãe não se assustou como se assustava antes, quando esbarrava na força bruta oficial. Em seu rosto apareceu aquela expressão teimosa conhecida de Sacha, ela ficou tensa ao ouvi-lo, e o ouviu até o fim. E isso era o novo que Sacha percebia em sua mãe. - Eu vou para Novossibirsk, tudo vai ficar em ordem. Ele não queria dizer "Sibéria" e disse "Novossibirsk". - Assim que eu chegar ao lugar, mando um telegrama e depois explico. Vou arranjar serviço, não precisa me mandar dinheiro. - Eu entreguei cento e cinqüenta rublos para você. - Para que tanto? - Entreguei também produtos Alimentícios e botas. - As botas foi ótimo, mas os produtos, em vão. - E meias de lã e um cachecol. - Ela levantou os olhos. - Quanto tempo deram para você? - Coisa à toa: três anos de degredo livre. Daqui a um ano e meio estou de volta. Papai veio? - Veio em janeiro, mas desta vez não pude chamá-lo, só ontem à noite me telefonaram. Como você está de saúde? - Maravilhosamente! Não tenho doença nenhuma, me alimentam bem, um balneário! Ele estava alegre, tentava animá-la, mas ela lhe via o sofrimento, ela mesma sofria, sorria atormentada com suas brincadeiras, também queria animá-lo, soubesse ele que não estava só, que se preocupariam com ele. - Vera lamentou tanto que você não a chamou, ela veio comigo mas não deixaram entrar, também não deixaram Polina entrar. As tias não lhe tinham vindo à cabeça. Confundindo as palavras preparadas com as que lhe ocorriam agora, ela disse: - Cuide-se, tudo isso há de passar. Não se preocupe comigo, eu vou trabalhar. - Onde? - Numa lavanderia, recebendo roupa de baixo, fica no Bulevar Zúbovski, bem pertinho, já acertei tudo. - Mexer em roupa de baixo suja? - Eu já combinei. Não é pra já, é quando eu for visitá-lo. - Para que ir me visitar? - Eu vou visitá-lo. - Está bem, vamos nos corresponder - disse Sacha em tom conciliador. - Apareceu alguém do Instituto? - Aquele baixinho, vesgo... Rúnotchkin! Quer dizer que tudo está em ordem com o pessoal. - O que ele falou? - Falou do vice-diretor... Krivorutchko! Quer dizer que ele está aqui. Diákov não estava enganando. - O problema todo está nele - disse Satha. O carcereiro levantou-se. - O encontro terminou. - O problema está todo nele - repetiu Sacha. - Diga a Mark. Ela meneou a cabeça em sinal de que estava entendendo. Sacha tinha sido preso por causa do vice-diretor, é preciso transmitir isso a Mark. Ela transmitirá, embora saiba que é inútil. Tudo é inútil. Que seja assim, contanto que não piore. Três anos, eles vão passar, um dia têm de chegar ao fim. - Transmita mais uma coisa: não prestei nenhum depoimento. O carcereiro abriu a porta. - Passe, cidadã! Sacha levantou-se, abraçou a mãe, ela se encostou no ombro dele. - Está vendo? - Sacha acariciava os cabelos brancos e macios dela. - Tudo em ordem e você chorando. - Passe, cidadã! Ê proibido abraçar-se, é proibido aproximar-se um do outro, mas todos acabam mesmo se aproximando, se abraçando, se beijando. - Vamos, vamos! - Com o costumeiro movimento de ombros, o carcereiro empurrou a mãe para a porta. - Já não disseram para passar?! Sacha escreveu para a mãe dizendo que tudo estava bem, que estava com saúde, alegre, não precisava mandar nada. Devia escrever-lhe para o povoado de Bogutchani, distrito de Kansk, posta-restante. Borís voltou furioso - ninguém está querendo partir, estão com medo da estrada ruim, estão pedindo uma soma fabulosa. Mas o comando não espera - vão como quiserem. Dão uma miséria para a viagem, não chega nem para a metade do caminho. Tornaram a almoçar no Zagotpuchnina. A uma mesinha vazia em um canto, Ígor estava sentado, encolhido. - O conde está a postos - observou Borís -, espera por mim e por Dulcinéia. Dulcinéia para lhe ler versos, de mim para receber o almoço de graça. Mas vai ter de esperar sentado, agora eu mesmo estou desempregado. Dessa vez a cozinheira não saiu para falar com Solovêitchik, movimentava ruidosamente as panelas, batia com os pratos de alumínio. - Acostumou-se, Borís Solovêitchik, fica sentado desde manhã, para nós é embaraçoso por causa dos funcionários, e aqui não é porta de igreja para se ficar juntando sobras de comida. - Eu vou falar com ele. Borís já não era chefe, mas, como na véspera, a cozinheira lhe pôs no prato mais uma colher de creme de leite azedo. - Precisa entender a posição dela - disse Borís -, no refeitório não é permitida a entrada de mendigos, ela responde por isso. - Ele está com fome - respondeu Sacha. - Sem essa, Sacha - disse Borís irritado -, fui eu que arranjei para os degredados comerem aqui. Agora eu, evidentemente, estou me lixando, vou embora. Mas para quem fica é uma questão de vida ou morte. E vai terminar com eles sendo postos para fora daqui. Eu avisei: vir aí pelas duas horas, quando os funcionários já almoçaram, não fazer barulho, não incomodar, ficar quietinho, com jeitinho...Mas não! Ele aparece de manhã, fica aí o dia inteiro, lambiscando, lendo versos, e como você sabe há versos de todo tipo e gente que gosta de versos também de todo tipo... Você está me entendendo? - Em Paris as pessoas se reúnem no café, se aquecem, Ígor está acostumado a isso. - Eu estou acostumado a um banheiro com água quente - cortou Borís -, a banheira, telefone, restaurante. Como está vendo, me desacostumei. - Vamos lhe dar de comer pela última vez - propôs Sacha -, eu pago, chame-o. Borís deu de ombros, fechou a cara, chamou Ígor com um gesto de dedo. Ígor aguardava esse sinal, agitou-se, levantou-se desajeitadamente da mesa, sorriu de forma interrogativa e aproximou-se. - Como é, recebeu o dinheiro pelos desenhos? - perguntou Borís. - Prometem para esses dias. - Onde está a dama? - Valéria Andrêievna partiu para Leningrado. - Para sempre? - Para sempre. - "Nós nos encontramos estranhamente e vamos nos separar estranhamente" resmungou Borís. - Bom, sente-se. Ígor sentou-se apressadamente, pôs o boné amassado em cima da mesa, apercebeu-se, colocou-o nos joelhos.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Fred Monteiro me presenteou este livro.


 

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