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As Brasas

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As Brasas

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Sandor Marai

Editora: Círculo do Livro

Assunto: Romance

Traduzido por: Rosa Freire D'Aguiar

Páginas: 177

Ano de edição: 1999

Peso: 235 g

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Excelente
Marcio Mafra
20/04/2008 às 19:33
Brasília - DF

Os romances que tratam da amizade, lealdade e honra, geralmente muito bons, narram histórias de personagens que têm a emoção e o afeto à flor da pele. Sándor Márai, ao contrário, constrói a sua narrativa com os personagens comportando-se como lordes ingleses. Calmos, educados, precisos, elegantes e finos, sem paixões e arrebatamentos. Até nos ambientes o autor retrata uma época, sem excessos de detalhes, para que o leitor se situe no tempo e no espaço. O âmago do romance acontece durante um jantar, no qual Henrik recebe Konrad, depois de 41 anos e 43 dias de separação. Algo muito grave aconteceu na véspera do sumiço de Konrad. As razões de seu desaparecimento se constituem num mistério que agora, já no fim da vida, eles vão decifrar. Entre os dois se interpõe a figura de Kriztina, falecida mulher do General Henrik, por quem eles eles debatem através de um elegante diálogo, que dura até o amanhecer, quando as brasas da lareira, na sala de jantar do imponente castelo de Henrik, já quase se apagam. A impressão que o general tivera há mais de quarenta anos, quando eles realizavam uma caçada, e o amigo Konrad levantara a espingarda, em sua direção, pode ter sido uma simples alucinação de Henrik, que precisava ser esclarecida, em nome da honra e da lealdade que presidia aquela amizade. Leitura difícil no seu início, mas impossível de ser interrompida depois do 1º terço do livro. O final é muito bom. Excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Henrik, um general de 75 anos, e Konrad seu inseparável amigo da época em que ambos tinham cerca de 30 anos de idade. Eles não se viam há mais de 40 anos. Henrik recebe seu amigo para um jantar de ajuste de contas, pois o rompimento da profunda amizade se deu durante uma caçada que eles faziam, quando um episódio inesperado e surpreendente os envolve...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Viveram lado a lado desde o primeiro instante, como gêmeos no útero materno. Não precisaram fazer pactos de amizade como costumam fazer os garotos dessa idade, que se lançam com paixão e ostentação a rituais ridículos e solenes, dessa forma inconsciente e grotesca com que o desejo se manifesta entre os homens, quando decidem pela primeira vez arrancar de resto do mundo o corpo e a alma de outra pessoa para possuí-Ia com exclusividade. O sentido do amor e da amizade estava todo ali. A amizade deles era séria e silenciosa como todos os grandes sentimentos destinados a durar uma vida inteira. E como todos os grandes sentimentos, também continha certa dose de pudor e de culpa. Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras...." ..."No colégio os outros logo pararam de zombar daquela amizade, com a qual se habituaram como se fosse um fenômeno natural. Agora só se referiam a eles pelos dois nomes, como se faz com os casais. Mas não debochavam. Naquela relação, cheia de ternura, seriedade e dedicação, havia alguma coisa de fatal, de tão luminoso a ponto de desencorajar qualquer sarcasmo. Relações desse tipo provocam um sentimento de inveja em todas as comunidades humanas. Não há nada que os homens desejem tão ardentemente como uma amizade desinteressada. Mas é um desejo sem esperança. No colégio, os rapazes se refugiavam no orgulho de suas origens ou nos estudos, em libertinagens precoces, em proezas físicas ou em amores prematuros, incoerentes e tristes. Nessa confusão humana, a amizade de Henrik e Konrad irradiava uma luz calma semelhante à de certas cerimônias devotas medievais. Não há nada mais raro, entre os jovens, do que um sentimento desinteressado que não exija em troca nenhuma ajuda nem sacrifícios. A juventude sempre espera um sacrifício daqueles em quem depositou suas esperanças. Os dois rapazes percebiam que se encontravam numa condição inefável, maravilhosa, uma espécie de estado de graça. Não há nada mais delicado do que uma relação como esta. Tudo o que a vida propiciar mais tarde - sentimentos de ternura ou desejos brutais, paixões impetuosas e ligações fatais - será mais rude e mais desumano. Konrad era sério e pudico, e desde os dez anos de idade já se notava nele o homem que se tornaria. Quando os garotos, entrando na adolescência, começaram a tomar gosto pelas obscenidades, a fuçar com o maior atrevimento os segredos que cercavam a vida dos adultos, Konrad fez Henrik jurar que levariam uma vida casta. Cumpriram por muito tempo esse juramento. Não foi fácil....." ...."Estou absolutamente convencido de que se trata de uma doença cuja causa ainda não se conseguiu descobrir. Talvez seja a água. Talvez sejam as plantas. Ou talvez os amores malaios. É impossível acostumar-se com aquelas mulheres. Há algumas estupendas. Sorriem o tempo todo e têm uma suavidade muito especial na pele, nos gestos, no sorriso, nos hábitos, no modo de servi-lo na mesa e na cama... Mas é impossível acostumar-se a elas. Os ingleses, sim, sabem se defender. Levam a Inglaterra dentro da mala. A arrogância cortês, o distanciamento, a boa educação, os campos de golfe e as quadras de tênis, o uísque e o smoking que vestem à noite nas cabanas de teto de zinco, no meio daqueles pântanos. Nem todos, é verdade. No fundo, tudo isso não passa de lendas. Depois de quatro ou cinco anos quase todos ficam tão embrutecidos como qualquer outro, belgas, franceses, holandeses. Os trópicos corroem as boas maneiras adquiridas no college, assim como a lepra corrói a carne. Os trópicos os privam do verniz que adquiriram em Cambridge e Oxford. Como você deve saber, na Inglaterra convém desconfiar de todos os ingleses que passaram certo tempo nos trópicos. As pessoas os respeitam, reconhecem seus méritos mas desconfiam deles. Tenho certeza de que na ficha confidencial de cada um há uma anotação que diz: "Trópicos". Como se dissesse "Sífilis" ou "Serviço de Espionagem". Quem passou muito tempo nos trópicos é um tipo mesmo se não fez mais nada além de jogar golfe beber uísque nos círculos de Cingapura, comparecer de vez em quando às recepções do governador vestindo smoking ou o uniforme carregado de condecorações, é sem parecer pessoa suspeita. Porque viveu a experiência dos trópicos exposto ao contágio de uma doença horrorosa que ignora os bons costumes e exerce, como todo perigo mortal, uma espécie de fascinação misteriosa. "Podemos nos curar das doenças tropicais, mas dos trópicos nunca nos curamos" ...."Disse exatamente isso. E não outra coisa. E não lhe faço nenhuma pergunta. Ficamos de pé na sala sem dizer palavra. Depois Krisztina olha ao redor, fixa os móveis, os quadros, os objetos, passa-os em revista, um por um. Sigo seu olhar que parece dar adeus a um lugar e a objetos familiares. Olha ao redor com ar de quem já conhece tudo e sabe que agora chegou o momento de se despedir. Há dois motivos de olhar as coisas, sabe? Como se a pessoa as estivesse descobrindo pela primeira vez ou como se lhes dissesse adeus. No olhar de Krisztina não há nada da curiosidade de quem descobre alguma coisa. Seu olhar vaga pela sala com a calma e a naturalidade de quem olha o próprio lar, onde conhece o lugar de cada coisa. Em seus olhos, estranhamente embaçados, de vez em quando percebo uns lampejos. Parece se esforçar para manter o autocontrole, mas sinto que está prestes a perdê-lo, assim como está prestes a perder a você e a mim. Bastaria um olhar, um gesto repentino, uma palavra lançada. alguma coisa que pudesse ter conseqüências irremediáveis... Fica olhando por instantes os quadros sem um interesse particular, depois dá uma olhada altiva para a espaçosa cama turca, e vejo-a fechar os olhos. Depois se vira e sai da sala tal como entrou, sem dizer uma palavra. Não a sigo, mas da janela aberta vejo-a atravessar o jardim. Afasta-se ao longo de uma fileira de rosas - desabrocharam justamente nesse dia - e sobe na pequena caleça que a espera no portão, agarra as rédeas e parte. Vejo-a desaparecer na curva da estrada." Interrompe-se e ergue os olhos para o hóspede. "Não o estou cansando?", pergunta, cortês. "Não", responde Konrad com voz rouca. "De jeito nenhum. Continue." "Tenho medo de ser prolixo", diz quase se desculpando. "Mas tem que ser assim: só podemos compreender o essencial partindo dos detalhes, esta é a experiência que tirei tanto dos livros como da vida.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei as Brasas, no sebo virtual Tenda das Idéias, em fevereiro de 2008, porque buscava um livro do Sándor Márai, que volta e meia aparece na crítica.


 

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