carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Maria Bonita

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Maria Bonita

Livro Bom - 1 opinião

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Afrânio Peixoto

Editora: Ediouro

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 108

Ano de edição:

Peso: 110 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
27/01/2007 às 16:01
Brasília - DF

Maria Bonita é um romance escrito à mais de 90 anos (1914), portanto de difícil compreensão das suas paisagens, coisas, personagens e costumes. O autor, com certeza muito bom escritor, descreve cada um dos personagens, com um perfil diferente e todos muito marcantes. Talvez o talento de bem descrevê-los advenha do fato do autor ser um médico legista. A mulher da romance, pela sua beleza acaba sempre castigada pelas desgraças e pelos homens que ela atrai. É uma mistura de amor, beleza, paixão e desarmonias na vida política, sentimental, familiar, religiosa dos sertanejos e da elite daquela época. Maria Bonita não é livro de se "devorar", mas é bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Helena, cuja beleza só lhe traz desgraças.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O rio Pardo era, àquela hora, "uma imensa serpente de prata, coleando entre outeiros de verdura". Depois da sesta, a merenda e os preparos para o banquete, para o qual outros convivas eram esperados. Desde as quatro, foi uma lufa-lufa pela copa e pela sala de jantar. A baixela dos dias solenes, de prata maciça cinzelada, porcelanas e vidros finos, compoteiras de cristal, açafates de trama metálica para frutas, toalhas bordadas de crivo, guardanapos duros de goma, tudo era remexido e disposto ao longo da grande mesa familial, com uma suntuosidade ignorada naquelas regiões. Não era em vão que dona Mariana, criada na Bahia, habitava uma fazenda próspera do Rio Pardo. Na cozinha, um pandemônio. Grupos numerosos simultaneamente davam cabo a todas as empresas de culinária e confeitaria, de que o gênio da terra é pródigo. Quando às sete horas o jantar foi servido e o promotor entrou conduzindo ao braço dona Mariana, seguido pelo coronel, que trazia a filha, acompanhados por numerosos convidados, todos homens, que representavam o melhor da sociedade do rio Pardo, foi uma admiração geral. Apenas dona Mariana tinha um riso condescendente para o bacharel, como a significar que a eles da Capital não seriam estranhas tais pompas. A mesa, de ponta a ponta, era um bufete de iguarias, todas à mostra e imponentes, armadas em grandes pratos de travessa. Eram perus inteiros, galinhas aos pares, sem cabeças nem pés, nus, tostados, em atitudes de uma acrobacia macabra, pernas enfiadas nos ventres cheios de farofa; eram leitoas adormidas no unto e na porcelana, ornadas de rodelas de limão e espetadas de flores de papel recortado, como farpas que se fisgam nas touradas; eram peixes, grandes lombos, arroz de forno, enormes terrinas de sopa e, a fartar, doces e compotas, em uma grande variedade, por toda parte, entre os pratos, ao alcance de cada conviva. Seria o jantar servido à brasileira, "destrinchadas" as peças na mesa por um conviva, ordinariamente o que se supunha mais capaz neste exercício. Coube o peru ao Gonzaga, porque, sendo meio médico, "devia saber anatomia". ......"- Se der mais um passo, eu grito! - Você perderia mais, com o escândalo, do que eu... replicou Diogo com voz descansada. - Por que há de ter tanto luxo? por que há de ser tão brava? Uma "quentura" de vergonha subiu-lhe pelo rosto, ante a afronta do desejo e do cinismo, que a insultavam. - Engana-se, quando pensa que sou como as que você conhece. Engana-se! Ouviu? Tinha a voz trêmula e entrecortada. Depois, num arranco, decidida, gritou-lhe: - Deixe-me passar... Ele ficou tolhido, estupefato dessa coragem, já sem mais o ímpeto de agarrá-la, violentá-la, satisfazer ali mesmo o seu mau desejo. Seria uma brutalidade descabida, sem proveito. Da casa próxima acudiriam aos gritos. Deixou-a atravessar, quase rente a ele, que tomava a passagem, contentando-se em dizer-lhe, entre despeito e ameaça: - Você me paga... havemos de ver! ..,.."As festas em honra do promotor público esfriaram logo, e se reduziram, até o termo, ao mínimo que a decência ou as cerimônias o permitiam. A dona Mariana não escaparam as inconveniências do moço, cortejando sem rebuços, não a noiva presuntiva, pela qual viera ao Rio Pardo, e da qual recebera desde a Capital tantos favores e comodidades, mas a uma simples agregada. No seu orgulho, em que a casta, a família, a riqueza, os costumes, a devoção, primavam sobre quaisquer méritos físicos, não podia entrar a idéia que ela mesma causara o desastre, juntando, em parelha, uma criatura fanada e encolhida, pobre dos atrativos da idade, e outra, viçosa, louçã, que tinha os dons de agradar realçados por despretensão humilde, novo engodo, além dos tantos que lhe dera a natureza. Acrescentando um travo de decepção ao amor-próprio ferido, atribuía o estouvamento do rapaz à má paixão, que antevira prazer fácil. Seria como a mocidade desses tempos, sem respeito nem compostura, que abandona a virtude, a honra, ainda o interesse digno, quando está ao alcance um gozo de depravação. Talvez fosse bom, indício do céu, para não entregar a filha a um leviano, que a iria desdenhar e fazer sofrer mais tarde. Todas estas reflexões seriam despeito. O caso é que, alguns dias depois de volvido o moço a Canavieiras, receberam dele, dentro de vistoso sobrescrito, e por mão do canoeiro da fazenda, uma longa carta. Agradecia as fidalgas deferências e favores que o acolheram e continuavam os tantos que já lhes devia. Trouxera dos dias encantadores que passara, não só grata lembrança, senão também sentimento que pedia permissão para manifestar: a timidez natural não lhe permitira aludir a ele à própria pessoa a quem mais podia interessar. Convinha, segundo a moda antiga e boa dos nossos maiores, talvez não deixá-lo perceber a ninguém, antes daqueles que Deus dera por conselho, guia e providência aos filhos. Estendia-se por aí e acabava por pedir a mão de Pequenina. O rapaz refletira, e longe dos olhos, voltando a sisudez dos bons avisos, retomava o caminho direito. Uma carta hábil ia emendar certos estouvamentos e colocaria o caso nos seus termos reais. Teve dona Mariana o primeiro ímpeto de dar-lhe uma lição.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este foi mais um livro de 10 reais adquirido quando de uma promoção da submarino, em julho de 2006.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2018
Todos os direitos reservados.