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Ecce Homo

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Ecce Homo

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Friedric Nietzsche  

Editora: L&pm

Assunto: Biografia

Traduzido por: Marcelo Backes

Páginas: 188

Ano de edição: 2003

Peso: 155 g

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Ótimo
Marcio Mafra
06/08/2007 às 14:05
Brasília - DF

Ecce Homo, que em tradução livre do velho latim significa: eis o homem, tinha originalmente, um subtítulo: "como se tornar aquilo que se é", foi escrito em 1.888, quando o autor tinha 44 anos. Dez entre dez críticos de Nietzsche consideram Ecce Homo uma perfeita autobiografia, e também, o último suspiro de lucidez do autor, ocasião em que ele, consciente de sua importância foi acometido por delírios de grandeza. E mais, os outros 10 críticos de Friedric Nietzsche, normalmente doutos filósofos da escola cristã, que no entanto, jamais leram um só livro do autor, não se cansam de anunciar que Ecce Homo é a maior demonstração de insanidade mental e de egocentrismo doentio, jamais visto em toda a história da humanidade. No próprio Ecce Homo, Nietzsche comenta as suas obras publicadas até aquela data e revela o significado de Zaratustra. Ao final do livro, ele mesmo anuncia apoteoticamente: “Conheço minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo — de uma crise como jamais houve sobre a Terra, da mais profunda colisão de consciências, de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado, santificado e requerido. Tenho um medo pavoroso de que um dia me declarem santo: perceberão que publico este livro antes, ele deve evitar que se cometam abusos comigo. Pois quando a verdade sair em luta contra a mentira de milênios, teremos comoções, um espasmo de terremoto, um deslocamento de montes e vales como jamais foi sonhado. A noção de política estará então completamente dissolvida em uma guerra de espíritos, todas as formações de poder da velha sociedade terão explodido pelos ares — todas se baseiam inteiramente na mentira: haverá guerras como ainda não houve sobre a Terra.” Cabe, mais um comentário sobre a forma como Nietzsche intitulou os capítulos deste seu Eis o Homem (Ecce Homo). "Por que sou tão finalista?", "Por que sou tão sábio?", "Por que sou tão inteligente?", "Por que escrevo livros tão bons?". Isso levou muitos a considerarem sua obra como anormal, egocêntrica e desqualificada cientifica e literariamente. Delírio total, falaram os críticos. Para entender Nietzsche adequadamente é preciso se ater à concepção da filosofia que ele adotava. Na verdade, ele inverteu o sentido tradicional da filosofia, criando um novo conceito dos "opostos", como a doença e saúde. Para ele, nem a saúde, nem a doença se opõem. Assim como o bem e o mal,o verdadeiro e o falso,a doença e a saúde são apenas "jogos de superfície". Há uma continuidade, diz Nietzsche, entre a doença e a saúde e a diferença entre as duas é apenas de grau, sendo a doença um desvio interior e não uma patologia. Coisas do Nietzsche. A grandiloqüência abunda ao longo do livro. Ainda assim é um bom livro, cuja leitura, à medida que vai avançando, vai aumentando a adrenalina cultural, provocando no leitor desprezo ou veneração pelo autor. Não há como ficar indiferente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Autobiografia de Friedrich Nietzsche intitulada Ecce Homo, que significa Eis o Homem, em tradução livre do velho e bom latim. Segundo o próprio autor, este livro era a melhor forma de entender a obra dele próprio.
São 14 capítulos primorosamente intitulados:
1 - Porque eu sou tão sábio
2 - Porque eu sou tão inteligente
3 - Porque eu escrevo livros tão bons
4 - O nascimento da tragédia
5 - As extemporâneas
6 - Humano, demasiado humano
7 - Aurora
8 - A gaia ciência
9 - Assim falou Zaratrusta
10 - Além do bem e do mal
11 - A genealogia da moral
12 - O crepúsculo dos ídolos
13 - O caso Wagner
14 - Porque eu sou um destino

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eu jamais compreendi a arte de me indispor comigo mesmo - e tambem isso eu devo a meu pai incomparável -, mesmo quando isso me pareceu ser de grannde valor. Eu inclusive nao me senti, por mais que uma afirmativa dessas possa parecer paga, uma só vez que fosse, indisposto comiigo mesmo; pode-se virar minha vida de frente e do avesso e apenas raramente, na verdade apenas uma única vez, se encontrará rastros de que alguém teve contra mim más intenções - mas talvez venha a se encontrar rastros um tanto demasiados de boas intenções ... Minhas próprias experiencias com esse tipo de gente, com o qual todo mundo tem más experiências, falam, sem excessão, em favor deles; eu amanso qualquer urso e sou capaz até de fazer de um palhaço uma pessoa decente. Durante os sete anos em que ensinei grego nas mais altas classes do Liceu de Basiléia, jamais tive motivo para pôr alguém de castigo; ops mais vagabundos eram diligentes comigo.
Sempre fui capaz de superar o acaso - eu tenho de estar despreparado , para me tornar senhor de mim mesmo.


  • Abordagem por Estibordo

    Autor: Afonso Cautela

    Veículo: Jornal A Capital, editado em 8 de agosto de 1980, da cidade de Lisboa, coluna "Leituras de Verão"

    Fonte:

    Gianni Vattimo, um estudioso italiano da filosofia que os alunos portugueses têm introduzido paulatinamente no nosso mercado livreiro, estava predestinado, pela delicadeza do toque, a «introduzir Nietzsche»(*) na cabeça das novas gerações, essas que nunca leram Luckacs, o tal que acusava o filósofo do Alto Engandine de ter inspirado as atrocidades nazis. Afinal, viria a provar-se mais tarde e muito recentemente, que não era Nietzsche mas Heidegger quem se banqueteava com os botifarras nazis. Ironias do destino, que se espera venha a dar-nos outras surpresas tão interessantes como esta que, à boca de cena, nos permite ver reabilitado um filósofo dos mais malditos e amaldiçoados de toda a cultura ocidental. Divulgador «soft» (como diria António Guerreiro) do pensamento filosófico moderno, o publicista Gianni Vattimo procede com grande habilidade à desmontagem do bicho, evitando picar-se nos espinhos: com a desenvoltura de quem dá uma lição na Faculdade de Letras de Lisboa, Vattimo tenta a abordagem do filósofo do «bem e do mal» por estibordo, procurando não evidenciar as heresias do profeta mas sem distorcer a personalidade iconoclasta desse que é o maior destruidor de mitos da cultura ocidental. Pensador desconfortável, portanto, verdadeiro deserto para hedonistas e outros economistas, praticante do karma yoga, completamente expulso da história da filosofia e outros lugares selectos, por não ter deixado inteira uma só das suas ilusões e quimeras, o espanto expressa-se apenas nesta pergunta: porque teima a filosofia em se apropriar de quem a contestou e subverteu? A este respeito e como se sabe, ele teve a intuição que lhe permitiu, no magma incandescente do que chamou o «dionisismo», tactear um pouco da realidade que toda a filosofia ocidental falsificou e, com a ajuda dos deuses e dos Vattimo, continua falsificando. Ao que vem, portanto, a reabilitação do herege? Embora com luvas e munido das necessárias pinças, Vattimo realiza a obrigação didáctica de apresentar Nietzsche em via reduzida e como leitura aconselhável a menores. No fundo, é uma forma possível e suportável de suportar um ser humano, «demasiado humano» como foi Nietzsche, os equívocos e mistérios de um cérebro tantas vezes considerado doente e aberrante pelas maiores sumidades médicas. Baldados que foram os esforços para meter disciplinadamente este Frederico em qualquer das histórias de que História se alimenta - a da Literatura, a da Filosofia, a da Teologia, a da Psicologia e a da Paleontologia - só resta um caminho honesto ao divulgador: confessar que o homem dos bigodes farfalhudos, o lendário louco que beijava na rua o cavalo chicoteado por um magarefe mal disposto, o inversor e subversor de todas as marchas e ordens, continua a ser consumível embora não seja catalogável em nenhuma disciplina universitária que diploma pessoas para a vida. Dá-lo assim avulso, desligado do contexto onde fazia faísca, é a forma de introduzir Nietszche nos círculos elegantes da moda, o que - diga-se - Vattimo faz na perfeição. Poderá então saber-se o «como» e alguns «porquê» que determinaram uma das mais inquietantes aventuras intelectuais do Ocidente, pouco dado a vôos de grande altitude. Ainda hoje em digestão lenta por um sistema que já provou, em todas as circunstâncias, ter uma capacidade infinita para deglutir o que o contesta, Nietszche colocado de novo nos circuitos da moda, e desta vez nos círculos da moda universitária, faz pensar na fartura. E se Vattimo não traz, com seus sequazes e capatazes, alguma na manga. Não tendo Nietzsche, nem uma só linha a ver com o que oficialmente se entende por instituição filosófica, há que desconfiar e perguntar, afinal, ao que vêm tantos comentadores e divulgadores.

  • Ecce Homo - Friedrich Nietsche

    Autor: Bia Zandonadi

    Veículo: Blog Novos Conflitos, Velhas Histórias

    Fonte:

    Sempre tive medo de ler Nietzsche. Sentia-me despreparada para entrar em contato com uma filosofia tão forte, tão diferente do que estamos acostumados em nossa ínfima vida. Entretanto encontrei nas próprias palavras do escritor a coragem para entrar em contato com seu mundo. Disse ele certa vez, “se não se empanturra com os livros, não pensa. Quando pensa atende ele a um estímulo – um pensamento escrito; enfim, não faz mais do que reagir [...] emprega sua força em dizer sim ou não, em criticar o que já foi pensado por outros”. Nietzsche foi um homem louco para alguns, suas idéias ainda são contestadas. Em sua autobiografia ele se considera o primeiro imoralista. E é justamente esta obra que escolhi para abrir meu relacionamento com suas palavras. Ecce Homo foi um de seus últimos livros, só foi publicado após sua morte. Explicou muitos equívocos a respeito de suas idéias, um deles era o fato de atribuírem a ele a característica de precursor dos conceitos do nazismo. Em Ecce Homo, Nietzsche deixa claro o seu repúdio aos alemães, principalmente àqueles que se julgavam espertos demais, “bons” demais. A auto-avaliação feita pelo autor deixa impressões de arrogância e prepotência, principalmente para quem a lê no primeiro contato com toda sua obra. Não pensei assim. Durante os capítulos do livro ele dá explicações sobre o porquê sua afirmação de ser contrário ao cristianismo, o que o levou a ser ateu. “Os conceitos de alma, espírito e enfim, também aquele de alma imortal foram inventados para ensinar o desprezo do corpo, tornando-o doentio – isto é, santo para se opor a todas as coisas que merecem ser tratadas com seriedade na vida (aos problemas da nutrição, da habitação, da assistência aos doentes, do asseio, do tempo) uma inenarrável superficialidade”! Além de descrever momentos de sua vida, conta como foi concebido seu Zaratustra. Um de seus livros que mais marcou a humanidade, Assim falou Zaratustra. Para o próprio Nietzsche, “dentre toda minha obra, Zaratustra ocupa um lugar predileto, com ele fiz à humanidade o mais valioso dos presentes que lhe seria dado fazer”. Ele caracteriza a ideologia de um espírito que ingenuamente, isto é, sem intenções e por exuberância de força e de potencialidade brinca com tudo aquilo que era tido como sagrado, bom, inatingível, divino. É preciso esperar a hora certa para entrar em contato com ele. A leitura de Ecce Homo pode ser mais valorizada depois de um estudo da obra de Nietzsche, e ainda, da leitura de outros de seus livros. Mas, para quem gosta de começar do fim como eu, para quem gosta de saber onde pisa, de ter argumentos para criar suas conclusões, esta é uma excelente oportunidade de ler a que pode ser considerada a última obra de Friedrich Nietzsche. Postado por Bia Zandonadi às 3:29 PM.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não pode haver uma só bibliotequinha sem - pelo menos - um livro de e sobre Nietzsche.


 

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