carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Verdes Vales do Fim do Mundo

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Verdes Vales do Fim do Mundo

Livro Ótimo - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Antônio Bivar

Editora: L&pm

Assunto: Viagens

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 210

Ano de edição: 2002

Peso: 140 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Ótimo
Marcio Mafra
26/08/2007 às 12:53
Brasília - DF

Antonio Bivar é um intelectual da marginalia. Sua narrativa neste Verde Vales abrange a viagem e estada de um ano em Londres, lá pelos idos de 1970, quando arrebatou o prêmio Moliére de teatro. Além do estilo gostoso e elegante de escrita, o livro é quase um testemunho ocular sobre o que a Inglaterra - pós beatles - representou para a intelectualidade, artistas, cantores, jornalistas e outros degredados, do começo da década de 70. Sobra baseado, LSD, haxixe e cocaína num mundo habitado por socialites e intelectuais, inspirados no som de Jim Morrison, Hendrix ou Joplin. Bivar fala com muito estilo sobre os lugares que visitou e das personalidades com as quais conviveu tanto na Europa como nos EUA. É um retrato bem feito - com o talento de um dramaturgo - dos melhores anos vividos pela rapaziada que tinha entre 15 e 25 anos. Coisa pra lembrar e curtir.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Histórias, em forma de diário íntimo das viagens de Bivar por Paris e Londres, quando recebeu passagens de cortesia, da empresa Air France, por haver ganhado o prêmio Moliére de Teatro

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um dia, miss Stevens bateu à nossa porta para reclamar do excesso de gente que vínhamos recebendo no quarto. Disse que a polícia podia aparecer repentinamente e levar todo mundo ao distrito. Que conhecia bem essas coisas, pois fora noiva de Brian Epstein, o empresário dos beatles. Se a policia aparecesse não iria encontrar nada de muito comprometedor. Quando se fumava haxixe ou maconha era porque alguns dos visitantes traziam. Era muito comum ir às casas dos amigos e levar, na bolsinha, a erva que desse para fazer um ou dois baseados. Era normal atravessar o dia de cabeça feita. Mas aproveitei a chance para reivindicar de Sonia uma série de direitos. O gás do fogão da cozinha comum, por exemplo, não estava funcionando há dias, nem mesmo colocando as moedas de seis pences. Aproveitei ainda a bronca de Sonia para reclamar do aquecedor do nosso quarto que estava quebrado, embora estivéssemos no meio do verão, com noites em que José e eu dormíamos com as cinco janelas semi-abertas por causa não do calor, mas porque a brisa da noite era agradável à nossa sensibilidade romântica e fazia bem à saúde. Miss Stevens mostrou-se espantada com a fluência do meu inglês e prometeu reparar o que era preciso desde que parássemos de receber tanta gente no quarto. Passaram-se dias e o gás do fogão da cozinha comum continuou não funcionando e nós continuamos recebendo visitas no quarto.

.......Diário íntimo, última semana de agosto "Segunda-feira: José Vicente decidiu passar a tarde na National Gallery observando Toalete de Vênus," o quadro de Velásquez que ele adora. Combinamos vagamente um encontro para as seis horas na porta do Marquee. Eu estava louco pra assistir a um show do grupo May Blitz e José disse que talvez aparecesse para pagar meu ingresso, já que estou duro. Não apareceu. Na espera dele fiquei conhecendo um alemão, o Gert, que me contou que estava na porta do Marquee porque conhecia o baterista do Grail, que tocava antes do Blitz. Na véspera o baterista garantiu que botava Gert pra dentro. Mas ele chegou um pouco tarde e o Grail já estava no palco, tocando. Gert e eu fomos caminhando da Wardour Street até a estação de metrô em Piccadilly. Falando um inglês perfeito ele me contou que tem 19 anos, mora em Oerlinghausen e está passando as férias em Londres, hospedado numa casa de estudantes em South Kensington. Pegamos o metrô juntos e na despedida dei a ele meu endereço.

........Jorge Mautner estava presente e sugeriu que todos tirassem a roupa e ficassem nus para que, despidas, as peles criassem interessantes contrastes com a brancura total do apartamento. Quase todo mundo estava lá: Caetano. e Dedé. Anur e Maria Helena. Antonio Henrique e a exótica Lodo. Jolmny, David Linger e Naná Sayanes, Sérgio e Marilin. Rodrigo Santiago, Ruth Mantner. Diduzinho de Souza Campos, Johnny Salles e ontros, para citar apenas alguns. - José 'icente, astuto, me disse que ia continuar vestido porque estava achando já bastante contrastante o negro reluzente de sua roupa de couro com a brancura do apartamento. Eu também resolvi seguir minha intuição e manter-me vestido porque meu traje rosa-antigo também contrastava bem com a brancura do ambiente. Nem todos ficaram nus, mas Lodo, surpreendentemente liberada, ficou. Caetano, Rogério, Ruth e Jorge Maumer também ficaram. Os mais tímidos e os que não estavam interessados em nudismo se retiraram para a biblioteca também branca e com os livros encadernados de branco-galalite como se fossem missários de primeira comunhão.

........tocava um reco-reco. E eu, outro. Algumas pessoas viajavam de ácido. Eu, por exemplo. José Vicente, com o rosto banhado de lágrimas emocionadas, perguntava: - Por que o Zé Celso não está aqui? Porque aquele era realmente um espetáculo que José Celso Martinez Correa, do Teatro Oficina, assinaria a direção. Gil cantou em português, inglês, africano e numa língua bebopada que inventava na hora e que aprendíamos no ato, acompanhando-o. Martine Barrat deve ter dado algum sinal, porque, de repente, de dentro da centopéia vermelho-hemorragia saíram doze corpos femininos e masculinos, nus e adolescentes (exceto o corpo nu da própria Martine, que já entrava na casa dos quarenta). Mais aplausos da platéia. Daí Caetano cantou "London London" em inglês para um público atento que prestou atenção na letra. O show brasileiro durou perto de quarenta minutos e terminou com Gil - e toda a sua empatia - cantando "Aquele Abraço". No palco, muita gente chorou de emoção e a platéia, mesmo não entendendo a letra, sentiu a brasiliança do grupo e aplaudiu de pé, pedindo mais, mais, mais! Nos bastidores, os descobridores de talentos assediavam Cláudio Prado. Os homens da CBS estavam eufóricos para contratar todo o grupo. Mas Guilherme Araújo chegou de Londres para dar um não definitivo. Sendo empresário de Gil e Caetano, Guilherme achava que seus contratados deviam continuar suas carreiras individuais, sem amadoradas. E não se tocou mais no assunto.

....SEU TIPO INESQUECÍVEL: Nessa fase era moda trazer, só pra épater, alguém absolutamente incomum para mostrar aos da casa que estava curtindo uma outra. Uma noite em que a sala estava cheia e animada e nós todos, os de casa e as visitas, em tomo da mesa fazendo desenhos com hidrográficas. José Vícente apareceu com seu tipo inesquecível, um marinheiro bronco e escocês encontrado num puh em Paddington. Chegaram com sacos de papel cheios de latas de cerveja. O marinheiro e José, rudes apostaram quem bebia mais. José perdeu. Na vigésima cerveja ele caiu desmaiado no sofá. A sala permaneceu atônita e nós, frios, desenhando. O marinheiro foi-se embora não sem antes nos xingar de "bando de bastardos sofisticados", o que achamos chique....."


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nada para historiar sobre este livro.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.