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O Cabeleira

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Título: O Cabeleira Autor: Franklin Távora Editora: Martin Claret Assunto: Romance Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil Páginas: 184 Ano de edição: 2005 Peso: 145 g
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  • Ótimo Marcio Mafra
    25/06/2007 às 11:55 Brasília - DF

    O Cabeleira é considerado um livro símbolo do realismo nordestino, "gênero" literário iniciado por Távora. Fez escola. Criou lenda, além de muitas trovas populares. Até hoje é citado em cursinhos e vestibulares. Fecha a porta gente, Cabeleira aí vem, Matando mulheres, Meninos também Mesmo assim, no desenvolvimento do texto se percebe o triunfo do mais comezinho e tradicional convencionalismo romântico. O personagem principal, Cabeleira, maldito criminoso, apaixona-se por Luisinha, cuja mãe ele mesmo matou, diante da filha. Para merecê-la, ele se dispõe a levar uma vida escorreita, abandonando armas e as forças do mal em troca da companhia da bela Luisa. O amor que ambos vivem é de um romantismo abestalhado e absolutamente inverossímil. A escrita é boa. Tem muita categoria. A história é trouxa e peca pelo romantismo impossível. Certamente foi um marco literário, em 1876, com muito realismo da vida nordestina, porém se fez acompanhar de um romantismo insosso e impossível que não seria factível, nem naquela época.

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  • A historia do Cabeleira, bandido cruel e sanguinário, que vagou espalhando terror pelo Estado de Pernambuco e Paraíba, virando lenda e referencia em cantorias populares. Cabeleira era filho do igualmente sanguinário José Teodósio. Luisa foi a única paixão de Cabeleira.

  • Quando Luisinha, da areia do rio onde se sentara a descansar se dispunha a levantar-se para tornar a casa, deu com os olhos em um homem que da borda do mato a observava em silêncio com tal interesse que parecia querer atrai-la a si com a vista. Sem demora correu ela ao pote, mas já foi tarde. Formando um pulo do outro lado do rio onde estava, o desconhecido veio cair no mesmo instante entre ela e a vasilha, sem perder, no rápido vôo, uma só das armas com que se achava apercebido. Em vão, meu bem, pretendes fugir-me. Antes que o diabo esfregasse um olho, eis-me aqui ao pé de ti, disposto a não te deixar ir embora senão por minha livre vontade. O sítio era inteiramente deserto, e as trevas da noite não tardavam a envolver de todo a natureza. Luisinha, lançando os olhos pela margem afora, não viu viva alma. Teve então tamanho medo, que involuntariamente caiu sentada aos pés do terrível desconhecido. Lembrou-se de gritar por socorro, mas logo viu que seria inútil esta tentativa, visto que as suas vozes se perderiam no vasto ermo onde unicamente ecoava o coaxar dos sapos e das rãs, o silvo das cobras, o canto agoureiro dos bacuraus. Meu Deus! exclamou ela. Não haverá um cristão que me valha nesta aflição? Ninguém, ninguém te valerá, bonita rapariga — respondeu o desconhecido, levantando-a por um braço e como querendo arrastá-la na direção da língua de terreno por onde se podia ir, a pé enxuto, à margem fronteira. Mas, meu senhor — tornou Luisinha achando em si mesma coragem de que nunca se julgara capaz — por tudo quanto é sagrado lhe peço que me deixe ir embora. Ê quase de noite, e, se me demorar mais tempo aqui, arrisco-me a encontrar algum malfeitor que me ofenda no caminho. Queres maior malfeitor do que eu? Vosmecê não é um malfeitor. Vosmecê veio caçar por estas bandas e, como me encontrou neste ermo, está me metendo medo para divertir-se à minha custa. E creio até que havia de defender-me se alguém quisesse fazer-me mal. Certamente. Nenhum gavião seria capaz de tirar-me das unhas a minha formosa juruti. Ora, vem comigo; não tenhas medo. Atravessamos por este limpo, ganhamos a capoeira, subimos pela aba da serra e... Deus me livre! exclamou Luisinha assaltada por novos terrores. Olhe: se você não quiser vir por bem, vem por mal — disse o desconhecido. Por mal? E onde está Deus? interrogou Luisinha, elevando todo o seu espírito aos pés daquele que está em toda a parte para acudir aos atribulados que o invocam com sincera confiança. — Nem por mal nem por bem. Eu não vou com vosmecê ainda que me custe a própria vida. Eu sei que Deus me está ouvindo de dentro deste mato, de cima deste céu. Ele há de lembrar-se de mim. Diante da firmeza na realidade admirável, com que a frágil moça respondeu à sua ameaça, o malfeitor sobresteve involuntariamente. Tornando logo em si, porém, continuou com certo disfarce de mau anúncio: Ora, menina, deixe-se de asneiras e vamos para diante enquanto o caso não fica mais sério. Se você é bonita, eu também não sou feio; assim, podemos ter filhos galantes como os têm os passarinhos no seio da solidão. Meu Deus, meu Deus, compadecei-vos de mim enquanto é tempo! exclamou ela quase vencida de terror. Cuidas que não vejo quem ali vem? perguntou o desconhecido, apontando o vulto que, como vinha pelo rasto da moça, com pouco mais estaria com eles. Eu podia agora mesmo meter-me contigo pelo mato adentro. Se tentasses gritar, tapava-te a boca, e ninguém saberia o teu fim. Mas quero ficar, para, em vez de uma, levar em minha companhia duas mulheres para o mato, onde há grande necessidade desta fazenda. Estou aqui, minha mãe, estou aqui — gritou Luísa quase ébria de prazer pela sua salvação, que teve por indubitável desde que na mulher recém-aparecida reconheceu Florinda. O malfeitor, porém, seguro de seu poder, nem se moveu, nem se alterou sequer; e para dar testemunho irrecusável de que não fazia caso do inesperado adjutório, chasqueou de Florinda, por se apresentar armada com um cacete e um facão.........Agora te conheço, José malvado — disse a moça. Mata-me também, já que mataste minha mãe que nunca te ofendeu. Ah, conheceste afinal o Cabeleira? Tanto me conheceste tu, desgraçado! Que queres dizer com estas palavras? perguntou o bandido. Olha-me bem. Até de Luísa te esqueceste! Assassino, eu te perdôo a morte: mata-me. Tinham chegado à beira do capão de mato. O Cabeleira estacou. O que acabava de ouvir tê-lo-ia prostrado mais depressa do que um golpe igual ao que descarregara, havia pouco, sobre uma das fontes de Florinda, se no mesmo instante não lhe houvesse chegado aos ouvidos um assobio agudo, sinal de extrema aflição no couto próximo. Ah! era você? Perdoe-me, Luisinha. Eu não a esqueci. Perdoe-me. Eu não sabia que era você — disse então, com brandura, Soltando a moça sem mais demora. Só Deus te poderá perdoar, assassino de minha mãe, — respondeu, abafada em lágrimas e soluços, aquela que se considerava órfã e desvalida pela segunda vez. Perdoe-me, Luisinha. Nem eu a posso levar comigo, nem posso demorar-me por mais tempo. O meu rancho está em perigo, e os camaradas chamam-me em socorro deles. Mas espere por mim um pouco debaixo deste juazeiro, que eu quero que você me ouça. Eu volto já. E, sem perder mais um momento, desapareceu dos olhos de Luísa como uma vã sombra. Texto....As trovas Corram, minha gente Cabeleira aí vem; Ele não vem só, Vem seu pai também. Meu pai me pediu Por sua bênção Que eu não fosse mole, Fosse valentão. Lá na minha terra, Lá em Santo Antão, Encontrei um homem, Feito um guaribão, Pus-lhe o bacamarte, Foi pá, pi, no chão. Minha mãe me deu Contas pra rezar. Meu pai deu-me a faca Para eu matar. “Meu pai me chamou: — Zé Gomes, vem cá; Como tens passado No canavial?” “— Mortinho de fome, — Sequinho de sede, — Me sustentava — Em caninhas verdes.” “— Vem cá, José Gomes, — Anda me contar — Como te prenderam — No canavial.” “— Eu me vi cercado — De cabos, tenentes, — Cada pé de cana — Era um pé de gente.

  • Marcio Mafra
    18/01/2013 às 19:17 Brasília - DF

    Comprei este livro em virtude de seu autor ter sido membro da Academia Brasileira de Letras.

 

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