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História da Política Exterior do Brasil

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História da Política Exterior do Brasil

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Autor: Amado Luiz Cervo

Editora: UNB

Assunto: Relações Internacionais

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 525

Ano de edição: 2002

Peso: 575 g

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Ótimo
Rafael Mafra
17/10/2006 às 13:25
Brasília - DF

A História da Política Exterior do Brasil consolidou-se como livro texto nas disciplinas de história da política internacional no Brasil devido rrigaa diversos motivos. em primeiro lugar, apresentou-se como uma obra clara e concisa sobre o tema no momento em que houve um crescimento acentuado dos cursos de relações internacionais em todo o Brasil. Em segundo lugar, a obra possui rigor científico, sem perder de vista os aspectos didáticos e ao mesmo tempo em que trata de um tema interessantíssimo.


Cervo é o grande autor da disciplina. Além do exame pormenorizado dos fatos, ricamente documentados, ele segue a linha da moderna historiografia, onde não se furta de analisar os fatos apresentados. A caracterização de determinados períodos da política externa, como "A equidistância pragmática" na política externa de Getúlio Vargas, tornaram-se cânones da política externa e possuem um forte fator explicativo.


Trata-se, portanto, de leitura obrigatória para estudantes de ciência política, relações internacionais e história e é altamente recomendado pessoas interessados em tais assuntos.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da política exterior do Brasil.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Aliança Para o Progresso

Coincidiu com a gestão Jânio Quadros o lançamento, pelo govemo norte-americano, da Aliança para o Progresso, iniciativa de ampla repercussão na América Latina e sobre a qual houve intenso debate intemo. O plano foi exposto por John F. Kennedy, em 13 de março de 1961, na Casa Branca, aos representantes diplomáticos dos países latino-americanos. Para apreciá-Io, a OEA convocou uma reunião extraordinária do Conselho Econômico e Social Interamericano, que se realizou em Montevidéu de 5 a 17 de agosto daquele ano. Chefiou a delegação brasileira Clemente Mariani, ministro da Fazenda. O governo norte-americano prometeu destinar 20 bilhões de dólares à Aliança para serem empregados em programas de desenvolvimento da América Latina no decorrer dos então próximos dez anos.

É oportuno lembrar que o governo cubano não subscreveu a Carta de Punta del Este. Guevara, chefe da delegação da ilha e então presidente do Banco Nacional de Cuba, quando do seu retorno, fez escala em Brasília, onde recebeu de Jânio Quadros a Ordem do Cruzeiro do Sul. Tal gesto contribuiu, em muito, para aumentar a oposição interna à política de Jânio Quadros.

O plano de cooperação econômica norte-americano contido na Aliança para o Progresso corresponde a uma resposta, ainda que tardia, à aceitação da Operação Pan-Americana formulada por Juscelino K. de Oliveira. Entre a proposta de JK (junho de 1958) e o plano de Kennedy (março de 1961), ocorreu a derivação de Cuba para o bloco socialista, fato que teria precipitado a decisão do governo norte-americano.

Para os críticos, a Aliança situava-se no plano norte-americano destinado a "manter e reforçar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina", e era vista como "contrapartida positiva do esforço americano para esvaziar a revolução cubana". A Aliança seria, assim, reformista e contra-revolucionária, reedição de uma forma de "imperialismo ilustrado" norte-americano, oposta à reforma social e pela manutenção do statu quo. A Aliança teria sido uma técnica de intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos de outros países do hemisfério. De qualquer forma, um instrumento para vincular os países latino-americanos visando ao isolamento de Cuba.

No conflito de opiniões sobre a Aliança para o Progresso, Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, publicou, em 1961, artigo em sua defesa, embora em nome pessoal, e não como representante de qualquer órgão norte-americano. Depois de diferenciar o Plano Marshall, aplicado à Europa em 1947, do programa da Aliança, afirmou, todavia, que havia analogia entre os dois planos e que, havendo esforços suficientemente intensos de auto-ajuda da América Latina, a soma apreciável de recursos públicos externos dos Estados Unidos, das instituições internacionais e das nações européias [deveria] - embora num período de tempo maior - ser comparável à que foi canalizada para o Plano Marshall.

Gordon ainda enfatizou a necessidade do alinhamento da América Latina na Guerra Fria.  Roberto Campos, quando embaixador do Brasil nos Estados Unidos, fez uma análise sobre as expectativas da Aliança para oProgresso perante platéia norte-americana, da qual merecem destaque alguns de seus aspectos. Depois de observar, entre outras coisas, que havia então na América Latina recrudescimento do nacionalismo e que a "política internacional independente", levada a efeito por países da área, refletia afirmação da personalidade nacional e diferentes maneiras de ver as conseqüências da Guerra Fria, distinguiu o neutralismo afro-asiático da referida política internacional indepenndente. As diferenças entre um e outra eram:

a) as nações da Amériica Latina eram fiéis ao sistema interamericano, e não sistematicamente não-alinhadas;

b) não estavam interessadas em formar um terceiro bloco; e

c) optaram pela democracia e pelo capitalismo. A Aliança diferia do Plano Marshall não só pela menor quantidade do fluxo de recursos, mas também porque promoveria "utilização melhor das capacidades" da economia norte-americana, então com desemprego e excesso de produtos alimentícios. Ao analisar a antinomia "comércio versus ajuda", afirmou que a deterioração dos preços dos produtos primários exportados pela América Latina aos Estados Uniidos havia descido a tais níveis, cuja perda superava, segundo calculou-se, o que se recebia "sob a forma de empréstimo e doações". Disso decorria que a ajuda não se traduzia em desenvolvimento das economias latino-americanas. A Aliança, vista como reformista, era combatida tanto pela esquerda como pela direita na América Latina. Entre as conclusões, merece realce a que relacionou ajuda externa com liberdade de organização econômica:

Usar a ajuda externa como arma para interferir na liberdade dos governos quanto à escolha das formas de organização econômica e de distribuição de encargos entre empresas públicas e privadas poderá gerar uma fricção perigosa, que é imperativo evitar, sob pena de o desejo de impedir uma socialização limitada levar a uma experiência socialista.

No que se refere à deterioração dos termos de troca, cabe mencionar que, em 16 de dezembro de 1962, o ex-presidente Juscelino Kubitschek afirmou à imprensa francesa que, em conseqüência da queda do preço do café, o Brasil em sete anos perdeu mais do que recebeu dos EUA. Era, assim, necessária a "reformulação da Aliança para o Progresso"

A Aliança para o Progresso não empolgou positivamente a opinião da América Latina. No Brasil, recebeu a repulsa dos nacionalistas que viam na aplicação dos programas da Aliança - numa área carente de quadros técnicos e de tecnologia, mas com forte presença de empresas norte-americanas - o aumento da dependência em relação aos Estados Unidos.

 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rafael conheceu esse livro na faculdade. Foi um dos livros base para a disciplina "Relações Internacionais do Brasil". Por isso, procurou comprar o livro na época, meados do ano 2000. Na livraria Siciliano, o máximo que lhe ofereceram foi a oportunidade de encomenda. Encomendou. Deveria chegar em uma semana. Foi tirando xerox de cada capítulo e o livro nunca chegou. No semestre seguinte, igaram dizendo que "já" chegara e se poderiam reservar. Ele disse que sim e nunca foi lá buscar, por vingança.
Na verdade, o livro havia esgotado e só foi possível encontrá-lo novamente quando uma segunda edição foi lançada. Então pra não deixar a oportunidade passar Rafael e sua Emilia me presentearam este livro, por causa de meu aniversário em 2006.
Subscritaram na página de rosto do livro, uma autêntica opinião, que vai transcrita integralmente, por não se tratar somente de uma carinhosa anotação de aniversário

"Se esta obra não inova no objeto de estudo, sobressai a originalidade e a busca por categorias amplas que possibilitam a identificação de padrões e com uma linha condutiva comum na política exterior brasileira. O substrato fornecido permite análises mais completas em quaisquer níveis de análise e na elaboração de modelos pluralistas que condicionem e sejam condicionados pela "rationale" da política nacional ou pelos constrangimentos do cenário internacional anárquico. Eu quero dizer com isso é que academia é chata, mas conhecimento é legal. Então, pra um livro acadêmico valer a pena, tem que ter muita informação bacana e bem apresentada. É o caso"


 

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