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Tristes Trópicos

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Tristes Trópicos

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Claude Lévi-Strauss

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Costumes Brasileiros

Traduzido por: Rosa Freire D'Aguiar

Páginas: 400

Ano de edição: 1996

Peso: 470 g

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Bom
Marcio Mafra
27/01/2007 às 18:42
Brasília - DF

Claude Levi Strauss, um respeitado antropólogo, escreveu este livro, como livro-tese sobre as sociedades indígenistas do Brasil. O livro questiona antropólogos, historiadores e cientistas sobre o universo dos cadiueu, dos bororo, dos nambiquara e dos tupi, que eram raças indígenas - sequer muito conhecidas dos estudiosos brasileiros. A compreensão da tese do autor não é coisa para não iniciado. Como tal é um livro cansativo, extenso, explicativo e de fluência difícil para o leitor desavisado. Difícil de classificá-lo. Com certeza a leitura é chata.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história sobre os indígenas do Brasil central, com passagens pelas relações entre o Velho e o Novo Mundo, o significado da civilização e do progresso.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Pelo menos indiretamente, eu desejava ter uma idéia do total aproximativo da população nambiquara. Em 1915, Rondon calculara-a em 20 mil, o que provavelmente era um exagero; mas nessa época, os grupos chegavam a várias centenas de membros e todas as indicações recolhidas na linha sugeriam um rápido declinio: havia trinta anos, a fração conhecida do grupo sabanê compreendia mais de mil indivíduos; quando o grupo visitou a estação telegráfica de Campos Novos em 1928, foram recenseados 127 homens, além das mulheres e das crianças. Contudo, em novembro de 1929 surgiu uma epidemia de gripe quando o grupo estava acampado na localidade chamada Espirro. A doença evoluiu para uma forma de edema pulmonar, e trezentos índios morreram em 48 horas. Todo o grupo debandou, deixando para trás os doentes e os moribundos. Dos mil Sabanê outrora conhecidos, só subsistiam dezenove homens em 1938, com suas mulheres e seus filhos. Para explicar esses números, à epidemia talvez se deva acrescentar que os Sabanê entraram em guerra~ há alguns anos, contra cenos vizinhos orientais. Mas um grande grupo instalado perto de Três Buritis foi liquidado pela gripe em 1927, com exceção de seis ou sete pessoas, das quais só três ainda estavam vivas em 1938. O grupo Tarundê, no passado um dos mais importantes, contava doze homens (mais as mulheres e as crianças) em 1936; desses doze homens, quatro sobreviviam em 1939. Qual era a situação no momento? Não mais do que 2 mil indígenas, provavelmente, espalhados pelo território. Eu não podia conceber um recenseamento sistemático por causa da hostilidade permanente de certos grupos °e da mobilidade de todos os bandos durante o período nômade. Mas tentei convencer meus amigos de Utiariti a me levarem até sua aldeia depois de terem organizado uma espécie de encontro com outros bandos, parentes ou aliados; assim, eu poderia avaliar as dimensões atuais de um agrupamento e compará-las em valor relativo com os observados anteriormente o chefe do bando hesitava: não estava seguro quanto a seus convidados, e se meus companheiros e eu mesmo viéssemos a desaparecer naquela região onde nenhum branco penetrara desde o assassinato dos sete operários da linha telegráfica em 1925, a paz precária que ali reinava corria o risco de ficar comprometida por muito tempo. Finalmente, ele aceitou, com a condição de que reduzíssemos nossa equipagem: levaríamos apenas quatro bois para carregar os presentes. Mesmo assim, teríamos que desistir de pegar as trilhas habituais, nos fundos de vale atravancados pela vegetação onde os animais não passariam. Iríamos pelo planalto, seguindo um itinerário improvisado para essa ocasião. A viagem, que era muito arriscada, aparece-me hoje como um episódio grotesco. Mal acabávamos de sair de Juruena, meu companheiro brasileiro observou a ausência das mulheres e das crianças: só os homens nos acompanhavam, armados de arco e flechas. Na literatura de viagem, tais circunstâncias prenunciam um ataque iminente. Assim, íamos avançando em meio a sensações confusas, verificando vez por outra a posição de nossos revólveres Smith and Wesson (nossos homens pronunciavam "Cemite Vechetone") e de nossas carabinas. Temores infundados: pelo meio do dia, encontramos o resto do bando que o chefe previdente mandara partir na véspera, sabendo que nossos burros andariam mais depressa do que as mulheres carregadas com suas cestas e atrasadas por causa da criançada. Contudo, pouco depois os índios se perderam: o novo itinerário era menos simples do que tinham imaginado. À tardinha, foi preciso parar no meio do mato; haviam-nos prometido caça, os indígenas contavam com nossas carabinas e não tinham levado nada, e nós só possuíamos provisões de emergência, que era impossível dividir entre todos. Um bando de veados que pastavam às margens de uma fonte fugiu aos nos aproximarmos. Na manhã seguinte, reinava um descontentamento geral, visando ostensivamente o chefe responsabilizado por um negócio que ele e eu tínhamos acertado. Em vez de fazer uma expedição de caça ou de coleta, cada um resolveu se sentar à sombra dos abrigos, e deixaram o chefe encontrar sozinho a solução do problema. Ele sumiu, acompanhado por uma de suas mulheres; à noitinha, vimos os dois voltando, com suas cestas pesadas cheias de gafanhotos que eles haviam passado o dia inteiro colhendo. Embora o patê de gafanhotos não seja um prato muito apreciado, todos comeram com apetite e recobraram seu belo humor. Retomamos o caminho no dia seguinte.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Livro adquirido numa grande promoção, em julho de 2006, do Submarino, que vendeu livros à dez reais.


 

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