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O Que é Revolução

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O Que é Revolução

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Autor: Florestan Fernandes

Editora: Abril

Assunto: Filosofia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 121

Ano de edição: 1984

Peso: 120 g

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Ótimo
Marcio Mafra
12/10/2006 às 19:18
Brasília - DF

Embora Florestan Fernandes seja um jornalista de nomeada, é também autor de uma obra extensa, com mais de dez livros, todos sob tema polêmicos e políticos como: revolução social, subdesenvolvimento, burguesia, capitalismo de classes, ditadura. Foi professor catedrático da USP. Neste O que é Revolução o autor adotou uma técnica expositiva direta e simples. Ao final o livro proporciona uma boa noção do que é e como se pratica, ou como se faz uma revolução. Tem uma ótima referencia à revolução de 1964. Vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Conceitos e ensinamentos de como fazer uma revolução.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O debate terminológico não nos interessa por si mesmo. É que o uso das palavras traduz relações de poder e relações de dominação. Se um golpe de Estado é descrito como "revolução", isso não acontece por acaso. Em primeiro lugar, há uma intenção: a de simular que a revolução democrática não teria sido interrompida. Portanto, os agentes do golpe de Estado estariam servindo à Nação como um todo (e não privando a Nação de uma ordem política legítima com fins estritamente egoísticos e antinacionais). Em segundo lugar, há uma intimidação: uma revolução dita as suas leis, os seus limites e o que ela extingue ou não tolera (em suma, o golpe de Estado criou uma ordem ilegítima que se inculcava redentora; mas, na realidade, o "império da lei" abolia o direito e implantava a "força das baionetas": não há mais aparências de anarquia, porque a própria sociedade deixava de secretar suas energias democráticas). No conjunto, o golpe de Estado extraía a sua vitalidade e a sua autojustificação de argumentos que nada tinham a ver com "0 consentimento" ou com outras necessidades" da Nação como um todo. Ele se voltava contra ela porque uma parte da Nação precisava anular e submeter a outra à sua vontade e discrição pela força bruta (ainda que mediada por certas instituições). Nessa conjuntura, confundir os espíritos quanto ao significado de determinadas palavras-chave vinha a ser fundamental. É por aí que começa a inversão das relações normais de dominação. Fica mais difícil para o dominado entender o que está acontecendo e mais fácil defender os abusos e as violações cometidas pelos donos do poder. O marco de 1964 (completado pelo apogeu a que chegou o golpe em 1968-1969) ilustra muito bem a natureza da batalha que as classes trabalhadoras precisam travar no Brasil. Elas precisam libertar-se da tutela terminológica da burguesia (isto é, de relações de dominação que se definem, na área da cultura, como se fossem parte do ar que respiramos ou "simples palavras"). Ora, em uma sociedade de classes da periferia do mundo capitalista e de nossa época, não existem "simples palavras". A revolução constitui uma realidade histórica; á contra-revolução é sempre o seu contrário (não apenas a revolução pelo avesso: é aquilo que impede ou adultera a revolução). Se a massa dos trabalhadores quiser desempenhar tarefas práticas específicas e criadoras, ela tem de se apossar primeiro de certas palavras-chave (que não podem ser compartilhadas com outras classes, que não estão empenhadas ou que não podem realizar aquelas.tarefas sem se destruírem ou sem se prejudicarem irremediavelmente). Em seguida, deve calibrá-las cuidadosamente, porque o sentido daquelas palavras terá de confundir-se, inexoravelmente, com o sentido das ações coletivas envolvidas pelas mencionadas tarefas históricas. No nível mais imediato, de luta pela transformação da sociedade brasileira no aqui e no agora, a palavra "revolução" recebe um significado que não depende apenas do querer coletivo das classes trabalhadoras. Toda sociedade de classes, independentemente do seu grau de desenvolvimento capitalista, possui certas exigências econômicas, sociais, culturais, jurídicas e políticas. Certas "transformações estruturais" (designadas separadamente como "revoluções" pelos analistas: revolução agrária, revolução urbana, revolução demográfica, revolução nacional, revolução democrática) indicam as aproximações (ou os afastamentos e negações dessas aproximações) com referência a potencial idades de expansão da ordem burguesa. Uma sociedade capitalista que não realiza nenhum tipo de reforma agrária e na qual a revolução urbana se confunde ou com a inchação, ou com a metropolização segmentada, terá de estar em débito com a revolução demográfica, com a revolução nacional e com a revolução democrática. Essas transformações são concomitantes e se regulam pelo grau de diferenciação interna do sistema de produção propriamente dito. Pode-se dizer o que se quiser a respeito de tais sociedades capitalistas: "Nações-proletárias" ou "Nações de lúmpen-burguesias" a verdade é que elas possuem um enorme espaço interno para as revoluções dentro da ordem. Transformações, que foram desencadeadas em outras sociedades capitalistas avançadas ("clássicas" ou "atípicas") a partir de iniciativas das classes altas ou das classes médias burguesas, nelas terão de transcorrer a partir de iniciativas das classes despossuídas e trabalhadoras: os condenados da terra têm o que fazer e, se eles não fazem, a história estaciona (isto é, o capitalismo não gera dividendos que interessem e aproveitem à Nação como um todo). Lembremos 1964: a revolução democrática é subitamente convertida numa "revolução antidemocrática". Nesse nível, o conceito de revolução não aparece com uma especificidade histórica proletária. Não se trata da revolução dos "outros" e para os "outros", pois as classes trabalhadoras e subalternas possuem um enorme interesse direto e indireto no raio de revolução da sociedade burguesa. Acontece que tempos históricos distintos misturam-se na situação concreta. Um proletariado em formação, por exemplo, carente de meios próprios de organização e de autonomia relativa de classe, defronta-se com um meio histórico no qual as classes burguesas paralisam e solapam todas as transformações concomitantes que marcam as mudanças sociais progressivas do capitalismo. Em conseqüência, esse proletariado deixa de ter o espaço h histórico de que necessita para lutar por seus interesses de classe e para aumentar o seu poder real de classe. O desenvolvimento capitalista sofre menos que os teóricos do passado poderiam presumir; ao contrário, ele pode ser "acelerado" além dos interesses da sociedade como um todo e, especialmente, dos interesses das classes trabalhadoras. E estas, como prêmio, recebem uma dose adicional de superexploração e de ultra-opressão, sem condições materiais e políticas para remover esses males.A moral da história é óbvia.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro também mo presenteou o José Raimundo Pires.


 

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