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O Jogo da Amarelinha

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O Jogo da Amarelinha

Livro Excelente - 2 comentários

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Autor: Julio Cortázar  

Editora: Civilização Brasileira

Assunto: Romance

Traduzido por: Fernando de Castro Ferro

Páginas: 639

Ano de edição: 2005

Peso: 775 g

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Excelente
luiz felipe
02/12/2013 às 22:11
Arealva - SP
O livro é realmente genial, encanta por pelo menos dois bons motivos: questão formal (é considerado um anti-romance) que faz com que possa ser lido por pelo menos duas maneiras distintas, sequencial ou saltando capítulos (como na brincadeira infantil que lhe dá o nome) seja pela questão temática: latino-americanos vivendo em Paris, e aí, se você tem algum conhecimento sobre literatura hispano-americana você saberá que o tema e comum a um Vargas Llosa, a um Gabriel Garcia Marquez, a um Octavio Paz ou a um Jorge Luís Borges...para quem não gosta do coisas óbvias e desconfia que há muitos mundos nesse mundo, leitura para lá de obrigatória.

Excelente
Marcio Mafra
03/10/2006 às 13:21
Brasília - DF

O Jogo da Amarelinha, poderia se chamar, também, o labirinto. Trata-se de uma mistura de personagens, de conexões sem nenhuma lógica, entremeadas de histórias, amores e nihilismos de dois personagens principais: Oliveira e Maga. Oliveira e Maga não gostavam de programações previamente combinadas. Preferiam os desencontros. Gostavam de andar sem rumo por Paris, e deixar que o destino fizesse com que se encontrassem ou não. Eram apaixonados de si próprios e desapaixonados da vida. Estavam convencidos de que não havia nada menos casual em suas vidas do que um encontro casual. Azar, sorte, casualidade, destino, fatalidade, acaso, como um jogo de dados e aos pulos, como no jogo da Amarelinha.


Esse é o âmago do Jogo da Amarelinha. A narrativa começa em qualquer acaso e acaba em qualquer pensamento, quando não ao contrário. A leitura do Jogo da Amarelinha, tanto pode ser um acaso ou ocaso. O processo, ou a estrutura da narrativa privilegia pensamentos descontínuos, que mais parecem manipulação da literatura, coisa de existencialista, ou intelectual pedante. Ao longo das 639 paginas, raras são as passagens boas, ou, pelo menos, interessantes. No geral o livro é chato.Cortázar é um ícone argentino. Ainda bem, porque seu livro está há muitas milhas do realismo fantástico de Garcia Marquez e não tem nada com o enteléquio de Aristóteles.É verdade, todavia, que se trata de um livro mágico.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Oliveira, de Maga, do Clube da Serpente, entrecortada de soluços e acasos, na cidade de Paris. Um triângulo amoroso, em ordem quase crescente, que vai do capitulo 1, até o 55. No entanto, se for iniciada a leitura no capitulo 56 e seguindo a ordem numérica sugerida pelo autor ( a sugestão aparece entre parêntesis ao final de cada capítulo) a história privilegiará o acaso, a arte do nada e do existencialismo, como num jogo de dados ou de amarelinha.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estou amarrando os sapatos, contente, assobiando; e, de repente, a infelicidade. Mas, desta vez, eu te pesquei, angústia, senti a tua chegada antes de qualquer organização mental, logo com o primeiro indício de negação. Te senti como uma cor cinza que fosse uma dor e fosse o estômago. E quase ao mesmo tempo o repertório incompreensível abriu caminho, com uma primeira idéia explicatória: E agora vou viver outro dia etc. Do que se deduz: estou angustiado porque...etc.


  • OUSADIA MANTÉM VIVO CLÁSSICO DE CORTÁZAR

    Autor: Cadão Volpato

    Veículo: Eu & Fim de Semana - Valor Econômico, edição 19 de julho de 2019

    Fonte: Valor Econômico, caderno Eu & Fim de Semana, edição sexta feira, 19 de julho de 2019, pagina 31

     

     

    OUSADIA MANTEM VIVO CLÁSSICO DE CORTÁZ

    "O Jogo da Amarelinha " ganha nova edição, com textos críticos. 

    Por Catão Volpato, para o Valor, de São Paulo.

    Talvez haja mesmo um tempo certo para se ler determinados livros.

    Quem devorou "On the Road", o clássico de Jack Kerouac, quando era jovem, encontra um outro livro se decide  relê-lo mais tarde. 

    E aí talvez "On the Road" não suporte essa segunda leitura, transformando-se em livro velho, algo oposto ao que prometia. 

    "O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar, que veio ao mundo como um estrondo em 1963, antecipando o boom latino-americano dos anos seguintes, fá se ressentiu  de releituras  mais amargas logo na década seguinte.

    O próprio Cortázar havia dado uma guinada tão grande na sua literatura, abraçando a causa das revoluções do continente, que aquele livro vanguardista, atrevido e juvenil até o osso, parecia cada vez mais distante.

    Mas o temperamento de Cortázar, seu entusiasmo e seu talento, sempre foram maiores do que seus livros menores.

    Não há como negar um papel histórico revolucionário a "O Jogo da  Amarelinha".

    O livro veio para  bagunçar a literatura bem-comportada de todas línguas - não é à toa que foi  traduzido para vários idiomas. 

    Ao narrar de forma inovadora as  aventuras metafísicas de um grupo de  imigrantes latinos entre Paris e Buenos Aires, o escritor colocou no papel suas próprias angústias, seus  questionamentos de artista argentino vivendo num país estrangeiro. 

    A França, com seus movimentos vanguardistas do tipo surrealista e  dadaísta, lhe deu régua e compasso. 

    Cortázar, ele mesmo, viveu dividido  entre esses dois mundos, sendo um estrangeiro de pátrias diferentes, tendo nascido na Bélgica, crescido em Buenos Aires e depois se autoexilado em Paris, voltando poucas vezes para a  Argentina.

    O mundo de Oliveira e  Maga, Traveller e Talita, era também o   mundo de Cortâzar.

    O resultado é tão fascinante que ele  não se explicaria apenas pelas tensões  de vida do autor.

    O livro continua vivo  porque pulsa com as imperfeições, as digressões, as repetições, os famosos parágrafos errantes e as interrupções   da narrativa que Cortázar conduz de  maneira vibrante - e às vezes excessiva,  na opinião de muitos críticos. 

    O livro talvez continue de pé justamente porque arriscou, foi além, esticou todos os fios e não teve medo de quebrar a cara em muitos momentos.

    Essa ousadia é típica da juventude.

    Cortázar já não era mais um garoto  quando o publicou: tinha 49 anos.

    No entanto, a atitude do escritor é desafiadora, energética, cheia de juventude, como costumam ser as obras de vanguarda.

    "Para mim, "'O Jogo da Amarelinha'" era uma espécie de compromisso metafísico", ele disse muitos anos depois.

    "Estava destinado aos jovens, e não aos homens da minha idade. Os jovens não gostam que lhes deem lições." 

    Embora seja um romance amargo do  ponto de vista do protagonista,  Horacio Oliveira, o jogo do título e as  ousadias narrativas empurram o livro  para um terreno menos seguro, menos  pesado.

    A proposta do autor é que ele  seja montado como um quebra-cabeça: você o lê de forma linear até determinado capítulo e depois começa  a viajar livremente nas sequências,  compondo sua leitura pessoaL 

    Curiosamente, os leitores de hoje tendem a ser tão dispersos quanto a  ideia original do livro.

    A aventura de  ler "O Jogo da Amarelinha" passa por  essa dispersão crônica em que   vivemos.

    E ainda que seja um livrão de  quase 600 páginas na edição brasileira, ainda vale o sacrifício.

    É daquele tipo de volume que a pessoa antigamente  carregava de um canto a outro nas  férias, sem a angústia do tempo  perseguindo seus passos de leitor. 

    A nova edição traz ótimos acompanhamentos.

    Há um artigo de Haroldo de Campos escrito em 1967 para o "Correio da Manhã", saudando  a obra antes mesmo da sua primeira  tradução.

    Há um texto emocional de  Mario Vargas Llosa que reconhece os efeitos pessoais do livro e do autor  independentemente das opiniões  políticas opostas que os separavam.

    E  há a tradução plenamente confiável  de Eric Nepomuceno, que foi amigo  de Cortâzar e já verteu com grande  elegância inúmeros outros clássicos  latino-americanos. 

    ''Acredito que ler 'O Jogo da  Amarelinha' segue sendo uma  experiência intensa", diz o editor e  escritor Emilio Fraia.

    "E é espetacular  pensar que alguém pode entrar em  contato com o romance do Cortázar,  hoje, pela primeira vez, depois de ter lido Roberto Bolafío, 'Os Detetives Selvagens' -l ivro que o escritor  catalão Enrique Vila-Matas chamou  de 'um fecho histórico e genial para  'O Jogo da Amarelinha'."  

    Se o livro de Cortázar tem ainda  alguma grande virtude é a de parecer tão jovem depois de tantos anos.

    Na  Argentina, alguns escritores  o consideram leitura de adolescentes,como se, ao amadurecer, o leitor  migrasse para autores mais adultos,  como Jorge Luis Borges ou Emesto  Sabato.

    É injusto para um escritor que correu tantos riscos e continua vivo no coração dos leitores, mesmo os que envelhecem. 

     

     

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro - cujo autor é citado por 10 entre 10 argentinos - e que talvez não seja lido por nenhum não argentino,  foi comprado por indicação do Rafael, que dele bastante ouviu falar.


 

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