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Quem é John Galt ?

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Quem é John Galt ?

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Ayn Rand

Editora: Expressão e Cultura

Assunto: Romance

Traduzido por: Paulo Henrique Britto

Páginas: 903

Ano de edição: 1987

Peso: 1.070 g

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Bom
Marcio Mafra
30/07/2006 às 12:42
Brasília - DF

Este é um dos livros mais citados pelos economistas de vitrine, pelos PHD e pelos doutores em economia, ainda que não passe de uma obra de ficção. Quem é John Galt? é um "romance de tese econômica", se é que isto é possível, ou seja, transportar a ficção para a realidade.


Mas, para americano do norte, se isso significa um discurso em favor da grana, então pode!!!


O romance utiliza muitos conceitos, doutrina e chavões das políticas econômicas liberais, já em moda nos EUA, ao final dos anos 60 e tão em moda, no Brasil, a partir dos anos 80. John Galt é o principal personagem do livro. Ele conduz uma inédita greve das elites, representadas pelos cidadãos mais importantes e donos do "pensamento" que todos devem seguir, para ter sucesso nos negócios. A autora foi brilhante na escolha e na arquitetura do romance. Já a tradução foi prejudicada pelo complexo de superioridade da raça americana, onde "nada existe ou tem importância além dos limites do EUA". O desenvolvimento da narrativa, por vezes, chega a beira da confusão, por excesso de personagens secundários que fazem escada para o John Galt (como no circo o ajudante de palhaço faz para o palhaço principal aparecer mais). Para fazer escada em economia é preciso muito jogo de ganha-ganha ou de perde-perde, só que é tudo ficção, parecido com filme de mocinho e bandido. Um sempre ganha e outro sempre perde. São quase 50 personagens. Mais de uma centena de negócios. Muita minúncia. Muito detalhe. Mais de 40 lugares ou cidades importantes mencionadas ao longo de 900 paginas.Capitulos mais longos que o necessário. Frases, diálogos e descrições impressionantemente longas, de fazer inveja a James Joyce. Ao final, fica um ranço de tempo perdido. Talvez possa valer como tese de economia-liberal. Como romance é chato, longo e difícil. Livro pesado, que não vale o tanto quanto pesa.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da estrada de ferro transcontinetal "Tagart Transcontinetal", que se passa quando as grandes forças políticas americanas eram da esquerda, mais para socialista que comunista, e a economia do país entrou em decadência, ficando os EUA à beira do abismo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Onde a gente ia, a coisa acabava. As fábricas fechavam, as máquinas paravam. . . - e acrescentou, num sussurro, como se enxergasse algum terror interior só seu: - os motores paravam. - E levantou a voz: - Ah, meu Deus! Quem é . . . - Não concluiu a pergunta. - .,. John Galt? - acrescentou Dagny. - É - disse ele, e sacudiu a cabeça, como se para afastar alguma visão - só que eu não gosto de dizer isso. - Nem eu. Eu queria saber por que as pessoas dizem isso, e quem foi que inventou essa expressão. - Pois é, madame. É isso que me preocupa. Talvez até tenha sido eu que inventei. - O quê? - Eu e mais uns seis mil. É possível. Acho que fomos nós, sim. Espero que não. - Como assim? - Bem, foi uma coisa que aconteceu na fábrica onde eu trabalhei durante vinte anos. Foi quando o velho morreu e os herdeiros tomaram conta. Eles eram três, dois filhos e uma filha, e inventaram um novo plano para administrar a fábrica. Deixaram a gente votar, também, para aceitar ou não o plano, e todo mundo, quase todo mundo, votou a favor. A gente não sabia, pensava que fosse bom. Não, também não é bem isso, não. A gente pensava que queriam que a gente achasse que era bom. O plano era o seguinte: cada um trabalhava conforme sua capacidade, e recebia conforme sua necessidade. Nós. . . o que foi? A senhora está bem ? - Qual era o nome dessa fábrica? - perguntou ela, com voz quase inaudível. - A Fábrica de Motores Século Vinte, em Starnesville, Wisconsin. - Continue. - Aprovamos o tal plano numa grande assembléia; nós éramos seis mil, todo mundo que trabalhava na fábrica. Os herdeiros do velho Starnes fizeram uns discursos compridos, e ninguém entendeu muito bem, mas ninguém fez nenhuma pergunta. Ninguém sabia como é que o plano ia funcionar, mas cada um achava que o outro sabia. E quem tinha dúvida se sentia culpado e não dizia nada, porque do jeito como os herdeiros falavam, quem fosse contra era desumano e assassino de criancinha. Disseram que esse plano ia concretizar um nobre ideal. Como é que a gente podia saber? Não era isso que a gente ouvia a vida toda dos pais, professores e pastores, em todos os jornais, filmes e discursos políticos? Não diziam sempre que isso é que era certo e justo? Bem, pode ser que a gente tenha alguma desculpa para o que fez naquela assembléia. O fato é que votamos a favor do plano, e o que aconteceu conosco depois foi merecido. A senhora sabe, nós que trabalhamos lá na Século Vinte durante aqueles quatro anos, somos homens marcados. O que é que dizem que o inferno é? O mal, o mal puro, nu, absoluto, não é? Pois foi isso que a gente viu e ajudou a fazer, e acho que todos nós estamos os malditos, e talvez nunca mais vamos ter perdão. . . A senhora quer saber como funcionou o tal plano, e o que aconteceu com as pessoas? É como derramar água dentro de um tanque onde tem um cano no fundo puxando mais água do que entra, e cada balde que a senhora derrama lá dentro o cano alarga mais um bocado, e quanto mais a senhora trabalha, mais exigem da senhora, e no final a senhora está despejando balde quarenta horas por semana, depois quarenta e oito, depois cinqüenta e seis, para o jantar do vizinho, para a operação da mulher dele, para o sarampo do filho dele, para a cadeira de rodas da mãe dele, para a camisa do tio dele, para a escola do sobrinho dele, para o bebê do vizinho, para o bebê que ainda vai nascer, para todo mundo à sua volta, tudo é para eles, desde as fraldas até as dentaduras, e só o trabalho é seu, trabalhar da hora em que o sol nasce até escurecer, mês após mês, ano após ano, ganhando só suor, o prazer só deles, durante toda a sua vida,. sem descansar, sem esperança, sem fim. . . De cada um, conforme sua capacidade, para cada um, conforme sua necessidade. . . Nós somos uma grande família, todo mundo, é o que nos diziam, estamos todos no mesmo barco. Mas não é todo mundo que passa dez horas com um maçarico na mão, nem todo mundo que fica com dor de barriga ao mesmo tempo. Capacidade de quem? Necessidade de quem, quem tem prioridade? Quando é tudo uma coisa só, ninguém pode dizer quais são as suas necessidades, não é? Senão qualquer um pode dizer que necessita de um iate, e se só o que conta são os sentimentos dele, ele acaba até provando que tem razão. Por que não? Se eu só tenho o direito de ter carro depois que eu trabalhei tanto que fui parar no hospital, depois de garantir um carro para todo vagabundo e todo selvagem nu do mundo, por que ele não pode exigir de mim um iate também, se eu ainda tenho a capacidade de trabalhar? Não pode? Então ele não pode exigir que eu tome meu café sem leite até ele conseguir pintar a sala de visitas dele? . . . Pois é . . . Mas aí decidiram que ninguém tinha direito de julgar suas próprias capacidades e necessidades. Tudo era resolvido na base da votação. Sim, senhora, tudo era votado em assembléia duas vezes por ano. Não tinha outro jeito, não é? E a senhora imagina o que acontecia nessas assembléias? Bastou a primeira para a gente descobrir que todo mundo tinha virado mendigo - mendigos esfarrapados, humilhados, todos nós, porque nenhum homem podia dizer que fazia jus a seu salário, não tinha direitos nem fazia jus a nada, não era dono de seu trabalho, o trabalho pertencia à "família", e ela não lhe devia nada em troca, a única coisa que cada um tinha era a sua "necessidade", e aí tinha que pedir em público que atendessem as suas necessidades, como qualquer parasita, enumerando todos os seus problemas, até os remendos na calça e os resfriados da esposa, na esperança de que a "família" lhe jogasse uma esmola. O jeito era chorar miséria, porque era a sua miséria, e não o seu trabalho, que agora era a moeda corrente de lá. Assim, a coisa virou um concurso de misérias disputado por seis mil pedintes, cada um chorando mais miséria que o outro. Não tinha outro jeito, não é? A senhora imagina o que aconteceu, que tipo de homem ficava calado, com vergonha, e que tipo de homem levava a melhor? Mas tem mais. Mais uma coisa que a gente descobriu na mesma assembléia. A produção da fábrica tinha caído quarenta por cento naquele primeiro semestre, e aí concluiu-se que alguém não tinha usado toda a sua "capacidade". Quem? Como descobrir? A "família" decidia isso no voto, também. Escolhiam no voto quais eram os melhores trabalhadores, e esses eram condenados a trabalhar mais, fazer hora extra todas as noites durante os próximos seis meses. E sem ganhar nada a mais, porque a gente ganhava não por tempo nem por trabalho, e sim conforme a necessidade. Será necessário explicar o que aconteceu depois disso? Explicar que tipo de criaturas nós fomos virando, nós que antes éramos seres humanos? Começamos a esconder toda a nossa capacidade, trabalhar mais devagar, ficar de olho para ter certeza de que a gente não trabalhava mais depressa nem melhor do que o colega ao nosso lado. Tinha que ser assim, pois a gente sabia que quem desse o melhor de si para a "família" não ganhava elogio nem recompensa, mas castigo. Sabíamos que para cada imbecil que estragasse um motor e desse um prejuízo para a fábrica - ou por desleixo, porque ele não tinha nenhum motivo para caprichar, ou por pura incompetência - quem ia ter que pagar era a gente, trabalhando de noite e no domingo. Assim, a gente se esforçava o máximo para ser o pior possível. Tinha um garoto que começou todo empolgado com o nobre ideal, um garoto muito vivo, sem instrução, mas um crânio. No primeiro ano ele inventou um processo que economizava milhares de homens-hora. Deu de mão beijada a descoberta dele para a "família", não pediu nada em troca, nem podia, mas não se incomodava com isso. Era tudo pelo ideal, dizia ele. Mas quando foi eleito um dos mais capazes e condenado a trabalhar de noite, ele fechou a boca e o cérebro. No ano seguinte, é claro, não teve nenhuma idéia brilhante. A vida inteira nos ensinaram que os lucros e a competição tinham um efeito nefasto, que era terrível um competir com o outro para ver quem era melhor, não é? Nefasto? Pois deviam ver o que acontecia quando um competia com o outro para ver quem era pior. Não há maneira melhor de destruir um homem do que obrigá-lo a tentar não fazer o melhor de que é capaz, a se esforçar por fazer o pior possível dia após dia. Isso mata mais depressa do que à bebida, a vadiagem, a vida de crime. Mas para nós a única saída era fingir incompetência. A única acusação que temíamos era a de que tínhamos capacidade. A capacidade era como uma hipoteca que nunca se termina de pagar. E trabalhar para quê? A gente sabia que o mínimo para a sobrevivência era dado a todo mundo, quer trabalhasse quer não, a chamada "ajuda de custo para moradia e alimentação", e mais do que isso não se tinha como ganhar, por mais que se esforçasse. Não se podia ter certeza de que seria possível comprar uma muda de roupas no ano seguinte - a senhora podia ou não ganhar uma "ajuda de custo para vestimentas", dependendo de quantas pessoas quebrassem a perna, precisassem ser operadas ou tivessem mais filhos. E se não havia dinheiro para todo mundo comprar roupas, então a senhora também ficava sem roupa nova. Havia um homem que tinha passado a vida toda trabalhando até não poder mais, porque queria que seu filho fizesse faculdade. Pois bem, o garoto terminou o secundário no segundo ano de vigência do plano, mas a "família" não quis dar ao homem uma "ajuda de custo" para pagar a faculdade do filho. Disseram que o filho só ia poder entrar para a faculdade quando houvesse dinheiro para os filhos de todos entrarem para a faculdade - e, para isso, era preciso primeiro pagar a escola secundária dos filhos de todos, e não havia dinheiro nem para isso. O homem morreu no ano seguinte, numa briga de faca num bar, uma briga sem motivo; brigas desse tipo estavam se tornando cada vez mais comuns entre nós. Havia um sujeito mais velho, um viúvo sem família, que tinha um hobby: colecionar discos. Acho que era a única coisa de que ele gostava na vida. Antigamente, ele costumava ficar sem almoçar para ter dinheiro para comprar mais um disco clássico. Pois não lhe deram nenhuma "ajuda de custo" para comprar discos - disseram que aquilo era um "luxo pessoal". Mas, naquela mesma assembléia, votaram a favor de dar para uma tal de Millie Bush, filha de alguém, uma garotinha de oito anos feia e má, um aparelho de ouro para corrigir seus dentes - isto era uma "necessidade médica", porque o psicólogo da empresa disse que a coitadinha ia ficar com complexo de inferioridade se seus dentes não fossem endireitados. O velho que gostava de música passou a beber. Chegou a um ponto em que nunca mais era visto sóbrio. Mas parece que uma coisa ele nunca esqueceu. Uma noite, ele vinha cambaleando pela rua quando viu a tal da Millie Bush; deu-lhe um soco que lhe quebrou todos os dentes. Todos. A bebida, naturalmente, era a solução para a qual todos nós apelávamos, uns mais, outros menos. Não me pergunte onde é que achávamos dinheiro para isso. Quando todos os prazeres decentes são proibidos, sempre se dá um jeito de gozar os prazeres que não prestam. Ninguém arromba mercearias à noite nem rouba o colega para comprar discos clássicos nem caniços de pesca, mas se é para tomar um porre e esquecer, faz-se de tudo. Caniços de pesca? Armas para caçar? Máquinas fotográficas? Hobbies? Não havia "ajuda de custo de entretenimento" para ninguém. O "entretenimento" foi a primeira coisa que eles cortaram. Pois a gente não deve ter vergonha de reclamar quando alguém pede para abrirmos mão de uma coisa que nos dá prazer? Até mesmo a nossa "ajuda de custo de fumo" foi racionada a ponto de só recebermos dois maços de cigarro por mês - e isso, diziam eles, porque o dinheiro estava indo para o fundo do leite dos bebês. Os bebês eram o único produto que havia em quantidades cada vez maiores - porque as pessoas não tinham outra coisa para fazer, imagino, e porque não tinham que se preocupar com os gastos da criação dos bebês, já que eram uma responsabilidade da "família". Aliás, a melhor maneira de conseguir um aumento e poder ficar mais folgado por uns tempos era ganhar uma "ajuda de custo para bebês" - ou isso ou arranjar uma doença séria.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

José Raimundo Pires, me presenteou com alguns livros para o acervo da bibliomafrateca. Já havia um Quem é John Galt em nossa prateleira. Ficaram os dois exemplares em homenagem a russa Ayn Rand.


 

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