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A Casa Pintada

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Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: John Grisham

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Aulyde Soares Rodrigues

Páginas: 394

Ano de edição: 2001

Peso: 460 g

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Ótimo
Marcio Mafra
02/07/2006 às 13:27
Brasília - DF

Surpreendentemente John Grisham escreveu um bom livro. Gustavo Mafra diz que se a história é boa, o livro é bom. Há controvérsias, diria Jô Soares. Na verdade além da qualidade da história, o autor precisa ter talento. A Casa Pintada é uma história longa, contada pelo personagem Luke, com 7 anos de idade, o que dá uma perspectiva diferente para uma saga familiar e se passa no inicio dos anos 50. Muito boa a história, melhor ainda a narrativa - exceto pela longa e insistente descrição do jogo de futebol americano, do qual Luke é um aficionado, apresentando-se no romance como um torcedor fanático do Cardinals, da cidade de S. Louis. Vale a leitura, ainda mais que o Grisham conseguiu fazer um livro abordando assunto que não seja juiz, tribunal, direito, advogado nem sobre julgamentos, embora, apareça o personagem do delegado-justiceiro, todavia num papel secundário.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da família Chandler e sua plantação de algodão, seus hábitos, disputas e lendas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Os soldados chineses e norte-coreanos armaram uma cilada para o comboio americano perto de Pyonggang, matando pelo menos oitenta e fazendo muitos prisioneiros. O senhor Edward R. Murrow abriu o noticiário noturno com a história e minha avó começou a rezar. Como sempre ela estava sentada à mesa da cozinha, na minha frente. Minha mãe, inclinada sobre a pia, também parou e fechou os olhos. Ouvi Pappy tossir na varanda dos fundos. Ele também estava ouvindo. As negociações de paz foram abandonadas outra vez e os chineses mandavam novas tropas para a Coréia. O senhor Murrow disse que a trégua, antes tão próxima, parecia agora impossível. Suas palavras eram um pouco mais pesadas nessa noite, ou talvez estivéssemos mais cansados do que nos outros dias. Depois do intervalo para os comerciais, ele voltou, falando sobre um terremoto. Minha avó e minha mãe se moviam lentamente na cozinha quando Pappy entrou. Passou a mão na minha cabeça como se tudo estivesse bem. - O que temos para o jantar? - ele perguntou. - Costeletas de porco - minha mãe respondeu. Então meu pai entrou e tomamos nossos lugares à mesa. Depois que Pappy abençoou a comida, nós todos rezamos por Ricky. Praticamente não houve nenhuma conversa, todos pensavam na Coréia, mas ninguém queria falar no assunto. Minha mãe falava sobre um projeto da sua escola dominical quando ouvi o leve rangido da porta de tela da varanda dos fundos. Só eu ouvi. Não tinha vento, nada para mover a porta de um modo ou de outro. Parei de comer. - O que foi, Luke? - minha avó perguntou. - Pensei ter ouvido alguma coisa - eu disse. Todos olharam para a porta. Nada. Voltaram a comer. Então Percy Latcher entrou na cozinha e todos se assustaram. Ele deu dois passos para dentro e parou, com se estivesse perdido. Estava descalço, coberto de terra dos pés à cabeça e com os olhos vermelhos, como se estivesse chorando há horas. Olhou para nós, olhamos para ele. Pappy começou a se levantar para resolver a situação. - É Percy Latcher - eu disse. Pappy sentou outra vez, com a faca na mão direita. Os olhos de Percy estavam vidrados, e, quando ele respirou, um gemido surdo subiu da sua garganta como se estivesse tentando dominar a raiva. Ou talvez ele estivesse ferido, ou alguém no outro lado rio estava ferido e ele tinha corrido para nossa casa para pedir ajuda. - O que aconteceu, garoto? - Pappy perguntou. - A cortesia manda que se bata na porta antes de entrar. Percy olhou para Pappy e disse: - Foi Ricky. - O que que foi Ricky? - Pappy perguntou. - O filho é dele - Percy disse. - É de Ricky. - Cala a boca, garoto! - Pappy rosnou e segurou a borda da mesa como se preparando para saltar e bater no pobre menino. - Ela não queria, mas ele a convenceu - Percy disse, olhando para mim e não para Pappy. - Então, ele foi para a guerra. - É isso que ela está dizendo? Pappy perguntou, furioso. - Não grite, Eli - minha avó disse. - Ele é apenas um garoto. - Ela respirou fundo e parecia ser a primeira a pelo menos considerar a possibilidade de ter feito o parto do próprio neto. - É isso que ela está dizendo - Percy retrucou. - E é a verdade. - Luke, vá para seu quarto e feche a porta - meu pai disse, me arrancando do transe. - Não - minha mãe disse, antes que eu tivesse tempo de me mexer. - Isto afeta a todos nós. Ele pode ficar. - Ele não devia ouvir isso. - Ele já ouviu. - Ele deve ficar - minha avó disse, concordando com minha mãe e resolvendo o impasse. Estavam supondo que eu queria ficar. O que eu queria realmente naquele momento era correr para fora da casa, encontrar Tally e dar um longo passeio - longe da família maluca dela, longe de Ricky e da Coréia, longe de Percy Latcher. Mas não podia me mexer. - Seus pais o mandaram vir aqui? - minha mãe perguntou. - Não, senhora. Eles não sabem onde estou. O bebê chorou o dia inteiro. Libby ficou como louca, falando em "pular da ponte, em se matar", coisas assim, e me disse que o pai era Ricky. - Ela contou aos seus pais? - Contou, sim senhora. Todo mundo sabe agora. - Quer dizer todo mundo da sua família. - Sim, senhora. Não contamos para ninguém mais. - Não contem - Pappy rosnou. Ele estava sentando outra vez, os ombros começando a se curvar para a frente, a derrota chegando. Se Libby Latcher afirmava que Ricky era o pai, então todo mundo ia acreditar. Ele não estava em casa para se defender. E num confronto de verdades, Libby provavelmente teria mais defensores do que Ricky, dada sua fama de criar problemas. - Você jantou, filho? - minha avó perguntou. - Não, senhora. - Está com fome? - Sim, senhora. Na mesa havia muita comida que não seria tocada. Nós, os Chandler, sem dúvida tínhamos perdido o apetite. Pappy se afastou da mesa e disse: - Ele pode comer a minha. - Levantou-se, saiu da cozinha e foi para a varanda da frente. Meu pai fez o mesmo, sem uma palavra. - Sente aqui, filho - minha avó disse, indicando a cadeira de Pappy. Serviram um prato para ele e um copo de chá com açúcar. Percy sentou e comeu devagar. Minha avó saiu para a varanda da frente, deixando eu e minha mãe para fazer companhia a Percy, que só falava quando falavam com ele.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sem nada de especial para comentar sobre as razões deste livro estar na prateleira da bibliomafrateca, agora, livronautas.


 

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