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Placido de Castro e Araquiri

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Placido de Castro e Araquiri

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Autor: Valdir de Oliveira Calixto

Editora: FEM

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 260

Ano de edição: 2003

Peso: 475 g

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Ótimo
Marcio Mafra
01/07/2006 às 12:51
Brasília - DF

Plácido de Castro e a Construção da Ordem no Aquiriri é um livro surpreendente. Aquiri é o resultado fonético de como antigos índios, habitantes da área, denominavam o Rio Acre.


Valdir Calixto, faz uma grande reflexão sobre a história do Acre, passando todo o processo político-econômico e a economia extrativista da borracha, em que foi urdida a anexação do Território Federal Acre ao território brasileiro. A narrativa é bem estruturada, mas pelo fato de ter sido baseada na tese de doutoramento do autor, na USP, em 1993 - então - por vezes o livro perde um pouco do seu ritmo e se torna repetitivo em muitas passagens, chegando a ser chato , monótono e por vezes cansativo, como é comum na linguagem das teses e monografias.


Mesmo assim, se aprende bastante sobre o mandonismo e o coronelismo, que se constituíram nas formulas empregadas pelo recém inaugurado governo republicano do Brasil. Aliás, práticas que continuam nos dias atuais em muitas das regiões interioranas do país.


Assim foi a figura controvertida e fascinante, que salta no livro: José Plácido de Castro, espírito revolucionário, crítico da oligarquia e considerado pelos seringueiros o libertador do Acre. José Plácido, que nasceu no Rio Grande do Sul em 1873, e morreu no Acre em 1908 é um dos raros heróis da pátria que têm seu nome inscrito no Panteão da Pátria, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.


Foi considerado herói no ano de 2004, exatamente por ter liderado a resistência dos acreanos contra os bolivianos. Para isso organizou um exército de seringueiros e índios, conseguindo libertar o Acre do domínio estrangeiro.


São 10 os heróis da Pátria:


Tiradentes,


Zumbi dos Palmares,


Deodoro da Fonseca,


D.Pedro I,


Duque de Caxias,


Plácido de Castro,


Marques de Tamandaré,


Almirante Barroso,


Santos Dumont e


José Bonifácio


O livro também aborda a questão do domínio dos ingleses sobre o comércio internacional do Brasil, que na ocasião do "ouro negro" acaba passando ao âmbito dos EUA, de cujo eixo de influência ainda não saiu, decorridos mais de cem anos.


Plácido de Castro a a Construção da Ordem no Araquiri é livro que vale pela leitura, pela erudição e pela aula de história política. É um livro ótimo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do Estado do Acre, também conhecido como Aquiri - quando era um estado independente - presidido por Galvez, passando pela revolução comandada por Plácido de Castro, até a assinatura do tratado de Petrópolis, que encerrou o período de conflitos com a Bolívia e definiu as terras acreanas como brasileiras.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Alberto Moreira conseguira, em comum acordo com o governo de Puerto Alonso, que este aceitasse as cláusulas do referido contrato de arrendamento. Entretanto, quanto ao que mais lhe interessava, ficara a ver navios, pois, em Puerto Alonso, não conseguira ser empossado na qualidade de concessionário das rendas daquele posto alfandegário. O Governo boliviano, através de seus qualificados agentes, procedia, pois, por métodos outros além da cooptação de influentes patrões locais, dispostos a colaborarem no estabelecimento da ordem. Mas a idéia de arrendamento do Aquiri permanecia como a mais pertinente junto aos próceres políticos e magnatas situacionistas da Bolívia. Assim, quando Felix Avelino Aramaio, recebe, no Rio de Janeiro, a sugestão do Embaixador Inglês para que se firmasse um acordo entre o Estado e alguma poderosa companhia que se dispusesse àquele fim, não demorou muito em encampá-la. Do Rio de Janeiro à Bolívia, a proposta amadurecera, sendo entusiasticamente saudada pelos desenvolvimentistas daquele país. Com efeito, em Cochabamba, El Comercio estampava em sua edição de 24 de junho de 1900: El Acre, por las ingentes riquezas que encierra y por la facilidad de la exportación, es objeto, hoy por hoy, de mas una mirada codiciosa. Aprovechamos de ella para darle en arrendamiento à alguna companía poderosa, ó europea que haja valer los derechos que le asistan ante el gobierno para que este, à su vez, conduya con el alamiento en beneficio de la companía e suyo, primero de La Paz y nuestro en definitivo. Tinha razão o jornal. Naquele momento, o capital monopolista convergia "una mirada codiciosa" para a terra da borracha. E, se tal cobiça era uma realidade, por que não aproveitar para, juntamente a "alguma companhia poderosa", dar prosseguimento ao processo de acumulação iniciado pela administração Paravicini? Não era esse procedimento, fundamental ao projeto de Pando para fazer da Bolívia um grande país, integrado ao mundo capitalista civilizado? Após algumas infrutíferas sondagens, Aramaio, por fim, encontrara um grupo de financistas disposto à empresa - a constituição de um Sindicato que, doravante, assumiria, no Aquiri, aquilo que à Bolívia era extremamente difícil executar. O próprio diplomata recordaria, em livro, as circunstâncias excepcionais que lhe haviam possibilitado entrar em contato. (...) con un grupo de capitalistas norte-americanos que habían tenido ocasión de informarse sobre las riquezas naturales que encierra nuestro solo, y ayudado del prestigioso explorador Sir Martín Conway, ventajosamente conocido ya en nuestro país, logré interesarlos a tal punto con mis informes, que uno de ellos, el distinguido abogado de la casa Vanderbilt, Mr. Willingford Whitridge, fue delegado para tratar conmigo en Londres. O capital - devia pensar o prestigioso diplomata - viera, qual dadivoso deus ex machina, para, quem sabe, colocar a Bolívia em outro patamar de desenvolvimento econômico, a "salvação da Pátria". Assim deviam pensar José Manuel Pando e os congressistas, ao aprovarem, em 17 de dezembro de 1901, o texto elaborado pelo próprio Aramayo. Resumidos por TOCANTINS, eis os pontos principais da lei criadora do Bolivian Syndicate! 1 ° - O Sindicato, com sede na cidade de Nova Iorque, ficava com a administração fiscal do território do Acre, podendo, assim, cobrar toda a espécie de impostos, direitos alfandegários, usufruir rendas da terra, de conformidade com as leis bolivianas. 2° - O Sindicato possuía a faculdade de exercer e assegurar, até pela força, todos aqueles direitos e privilégios. 3° - O capital inicial seria na base de 500.000 libras esterlinas, cabendo 60% dos lucros ao Governo boliviano e 40% à sociedade. 4° - O Sindicato ficava investido do direito de adquirir por compra toda ou qualquer parte das terras compreendidas no Território do Acre. Aos posseiros ou ocupantes seria assegurada a posse. 5° - O Sindicato tinha o direito de navegar livre e tranqüilamente por todos os rios do território acreano, e podia, a seu critério exclusivo, outorgar concessões para a navegação nos ditos rios, respeitados os tratados internacionais do gênero. 6° - O Governo boliviano concedia ao Sindicato todos os direitos de exploração de minas na área submetida à sua administração fiscal. 7° - Ao Sindicato competia construir, manter, usar, explorar ou arrendar diques, molhes, portos, ferrocarrís, telégrafos, centrais elétricas, telefones, instalações hidráulicas, fábricas de gás e outras obras de qualquer natureza que achasse útil e conveniente. 8° - O Governo boliviano conferia ao Sindicato, pelo período de trinta anos, computados depois de expirar doze meses da confirmação ou ratificação do contrato pelo Congresso, o direito e autoridade exclusivos para arrecadar e exigir o pagamento de toda e qualquer espécie de imposto de renda. 9° - O Governo da Bolívia e o Sindicato nomeariam e manteriam, todo o tempo, cada um, representante ou Delegado residente no Território do Acre, por meio dos quais se fariam todas as comunicações entre as duas partes. 10° - O Sindicato respeitaria todos os contratos existentes entre o Governo e os atuais e legítimos possuidores de terras, exigindo, porém, que os mesmos registrassem seus títulos, de acordo com a legislação vigente no País. 11 ° - O Sindicato obriga-se, depois de um ano, a partir do dia em que entrasse na plena administração fiscal do território, a estudar os meios de unir o rio Acre, por estrada de ferro ou canal, com os rios Órton e Madre de Dios. 12° - Em caso de necessidade, a juízo do Governo boliviano, o Sindicato podia equipar e manter uma força armada de navios de guerra, para a defesa dos rios ou a conservação da ordem interna, ou outros objetivos, em adição à força de polícia. A Bolívia decidia partilhar sua soberania no Aquiri com uma poderosa chartered Company, integrada, inclusive, por representante da haute finance norte-americana. Como o próprio Aramayo explicava ao Presidente Manuel Pando, o Sindicato era composto (...) de algunos de los banqueros más poderosos e influyentes de Nueva York, tales como Twombly y whitridge, que manejan todos los negocios de la familia Vanderbilt; B.J. Gross que representa la firma bancaria Bliss y Cia; Emilin Roosevelt, primo del actual Presidente da Republica, Jefe de la casa Roosevelt e hijos; A. Iselin, banqueiro; F. P. Olcott, Presidente de la Central Trust Company; Brown Brothers, banqueros que en Inglaterra giran bajo la razón de Brown, Shipley & Co. Cualquieras de estas firmas por si tiene os medios de prover el capital que este negocio requiere, y sin embargo han invitado a Pierpont Morgan y otros capitalistas ingleses, con el propósito de dar a Ia empresa espiritu cosmopolita. A confiança e o entusiástico apelo à fina-flor da haute finance internacional revelam quão distantes andavam os liberais da era Pando em relação aos postulados clássicos, formulados, na Bolívia, por Eliodoro Camacho, demiurgo e organizador da ideologia liberal em seu país. Da aceitação do laissez-faire como princípio e prática econômica correspondente à livre concorrência entre competidores, passava-se ao elogio dos trusts e suas práticas monopolísticas. Da concepção do Estado como simples expectador que, de fora, devia garantir a estrutura do livrecambismo, o direito a livre associação, o respeito à soberania popular e à manifestação livre da consciência, evoluía-se para a aceitação de um Estado regularizador do mercado e, cada vez mais, assemelhado a uma espécie de "vigia noturno" que, com seu big stick, impunha sua ordem ao mundo. Tal devia ser o estado psicológico e ideológico não só de Aramayo e Pando, mas de toda a fração burguesa agro-mineira-exportadora, particularmente os que auferiam grande lucro com a exportação de estanho. Neste contexto, assumiria tonalidade patética a justificativa de Aramayo, quando ante o Congresso, tentou explicar o porquê daquele acordo: Cuando yo logré ajustar el contrato de que se trata me llené de intima satisfacción, y desde ese momento no tuve otro pensamiento que e de venir a compartir con mis compatriotas mis esperanzas y mis inquietudes. No habrá un solo boliviano, me dije, que no vea en este contrato la salvación de la patria. La aprobación de o pactado ha de ser unánime. Com estas ilusiones he llegado hasta aquí. Si me he equivocado, si no obstante mis arraigadas convicciones, prevalecer ideas contrarias que deslruyan la obra del gobiemo abonaré las atenciones de carácter público que tan hondamente me han preocupado. A apreensão existente em alguns setores políticos ligados ao Estado, acabaria se rendendo ante o ponto alto do discurso de Aramayo: Si ahora no nos abrimos pronto paso al Atlántico por el camino dei Acre, perderemos también irremisiblemente, cerrándonos olra de nueslras esperanzas, alimentada por nuestros prohombres de todos los tiempos; y el Paraguay, en vista de nueslra impotencia, se encargará de cerramos la tercera. A desesperada busca de uma interligação marítima - principal raison d' etat - valia o risco da perda da soberania? Mais importante que o Acre era a inserção definitiva do Estado ao âmbito do capitalismo mais avançado, pois, do contrário, a pátria estaria perdida. As negociações com o Chile e o Peru, haviam, até aquele momento, obstado por duas vezes a realização daquele desideratum - a saída para o amar. A difícil questão limítrofe com o Paraguai, relativa ao controle da rota fluvial Pilcomayo - Paraguai - Prata poderia, no entender de Aramayo, impedir, pela terceira vez, a consecução daquele objetivo maior - a necessária interligação marítima já citada. Uma vez resolvida, a nível interno, a aprovação do contrato, havia que se enfrentar a resistência externa à implantação do mesmo. Brasil e Peru, principais paises aos quais aquele acordo dizia respeito, precisavam ser convencidos, por todos os meios possíveis de que o Bolivian Syndicate não representava perigo para suas soberanias. Para tentar quebrar a resistência do Brasil que, principalmente em relação ao livre trânsito de embarcações estrangeiras nos rios amazônicos, não abria mão de sua soberania, o Governo boliviano não hesitaria, sequer, utilizar meios nada civilizados - o suborno. Falhando tal procedimento, o próximo passo seria dado pelo próprio Sindicato. Um passo mais ousado, pois visava desestabilizar o governo brasileiro junto aos tradicionais credores do Brasil, o grupo Rothschild. Divulgando na imprensa um boato segundo o qual este poderoso grupo decidira participar no lucrativo negocio, o trust nada mais fazia do que lançar mão de uma velha prática: enfraquecer o adversário, retirando lhe as bases de sustentação. Quanto aos Rothschids, estes se apressariam desmentir os boatos de que prefeririam romper sua tradicional relação com o Brasil, para aderir aos planos do Sindicato. Como recusar o lucro certo que o recém assinado Funding-loan previa e aceitar participar de um negócio cujo controle lhe poderia escapar? Além do mais, em relação à produção e comercialização da borracha, os capitalistas e o Estado Inglês já elaboravam outros planos.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Meu amigo Bira, anualmente, convida para participar de um evento chamado prêmio "Excelência Gráfica" que é atribuído aos profissionais do ramo. Durante um jantar, são expostos os melhores trabalhos feitos no ano anterior, ao qual comparecem autoridades, empresários, imprensa e profissionais ligados ao negócio. Na ocasião, anoto os títulos de livros que mais me chamaram atenção e informo ao Bira a minha opinião. Dias depois ele me presenteia com os títulos que eu mais gostei. Não sei o que seria melhor: mais eventos deste tipo, ou mais amigos do tipo Bira.


 

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