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O Jornalismo dos Anos 90

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O Jornalismo dos Anos 90

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Autor: Luis Nassif  

Editora: Futura

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 307

Ano de edição:

Peso: 505 g

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Bom
Marcio Mafra
14/06/2006 às 17:19
Brasília - DF

O Jornalismo dos Anos 90 é uma aula, para estudantes, iniciados, praticantes, cursados, cursantes, militantes ou simpatizantes do jornalismo. É como se fosse um livro didático. Ademais, livro com duas apresentações ministeriais é prá lá de bom. Uma apresentação é assinada pelo Ministro Marco Aurélio do Supremo Tribunal e a outra, pelo não menos famoso Ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. Após a bi-apresentação vem a alma do livro. É a sua melhor parte. Nela o Nassif explica e discorre longamente sobre o padrão dos mais importantes veículos do Brasil, como Veja, Globo, Folha e Jornal da Tarde. Em seguida rola tudo sobre o impeachment do Collor. Depois uma aula sobre o marketing de notícias e o uso de cartazes. Na seqüência fala sobre "esquentamento de manchetes" e "uso de grampos e dossiês". E Nassif continua discorrendo o "manual de sobrevivência" do jornalista, para concluir com uma tese, de como é (será) o "novo jornalismo". Termina falando sobre as técnicas do bom jornalismo. Tudo isso, na introdução do livro. São 42 deliciosas paginas introdutórias. Depois é que vem o livro propriamente dito. Da parte da catarse é destaque um trecho do mestre Buarque de Holanda, sobre uma das características culturais brasileiras.... " a de achar que todo sujeito taciturno é profundo, que todo mal-humorado é sério, que todo indignado é sincero...." Depois da página 43, começam as transcrições de reportagens publicadas pelo Luis Nassif: o caso da Escola de Base, o impedimento do Collor, os juros do Real, o caso Proer, e termina no caso da CPI da Corrupção". Cada reportagem, a partir da pagina 43, é uma chatice particular e também uma chatice coletiva. Não tem a menor graça. Talvez, se um leitor estivesse fora do Brasil, vivendo de 1995 ao ano 2000 numa ilha distante do oceano índico, ele se interesse pela leitura de toda a arenga política e financeira da época. Qualquer um que tenha lido, e principalmente, vivido a história sabe de cor e salteado cada uma daquelas reportagens ou artigos. Eles são chatos, sobretudo porque, sempre dizem mais ou menos assim: ...sobre o Collor, eu alertei isso ou aquilo.... sobre o Sérgio Naya, eu falei não sei o que.... Eu não disse?... Eu alertei a nação... É demais. Parece coisa de vidente. De bola de cristal. A introdução do livro, vale o próprio. O próprio não vale! É chatice jornalística, a despeito de muita ética, muita classe, muita honorabilidade, muita integralidade, muita generosidade, muita retidão...Parece coisa de guardião da moral, dos bons costumes, da retidão do grande cidadão-jornalista. Viva ele. Viva o grande Nassif. Seu livro é apenas mediano.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um estudo - sob forma de reportagens e exemplos - sobre o comportamento da mídia nos anos 90.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O caso collor. Um dos episódios pessoalmente mais penosos em que entrei foi a revisão do governo Collor, em junho de 1994. Fui crítico de Collor desde a campanha eleitoral. Na época, estava fora da grande mídia, tinha um programa de economia na TV Gazeta de São Paulo, o "Dinheiro Vivo", retransmitido pela TV Nacional e pela TV Educativa. O programa conseguiu bom espaço junto aos formadores de opinião, pela cobertura do mercado acionário e pelas críticas insistentes contra o governo Sarney. Durante a campanha eleitoral fui procurado por Leopoldo Collor, irmão de Fernando, e diretor da TV Manchete. Queria me apresentar o irmão - que ele garantia ser o próximo presidente do país - e me convidou a me engajar em sua campanha. Indaguei de outros aliados. Quando os mencionou julguei melhor manter distância prudente. Na campanha eleitoral investi contra Collor, especialmente no episódio que envolveu a filha de Lula. Depois de ele eleito, mantive postura critica desde o primeiro momento. Collor demonstrava acompanhar o programa porque em pelo menos duas festas bebeu bastante e me xingou violentamente. Um desses episódios foi relatado pelo jornalista José Nêumane no "Estadão". Collor me chamara de terrorista, por dizer que a aguda elevação das taxas de juros, na gestão Ibrahim Éris no Banco Central, levaria a uma recessão da economia - previsão posteriormente confirmada. Depois disso, o programa foi tirado do ar na TV Nacional e na Educativa, por ordem do jornalista Marcelo Netto, então presidente da Radiobrás. Mais tarde, sofri pelo menos dois processos de pessoas ligadas a Collor. Finalmente, conseguiram me tirar da própria TV Gazeta. Em dificuldades financeiras, a emissora havia feito um acordo com a rede CNT, dos irmãos Martinez, um dos grupos apoiados financeiramente pelo esquema Collor. Martinez prometeu um pacote de filmes classe A, com a condição de que meu programa saísse do ar. Entendi a vulnerabilidade financeira da Gazeta, não perdi o apreço pelo pessoal que a dirigia, mesmo tendo sido obrigado a deixar a emissora. Nesse ínterim, coincidiu minha volta para a "Folha de S.Paulo" como colunista, convidado por Otávio Frias Filho para substituir a coluna de Joelmir Betting. Tracei esse histórico para ilustrar o desafio psicológico que foi avaliar com isenção o governo Collor, depois que ele havia caído. Era preciso superar todas essas broncas contra o ex-presidente e a implicância com a supina arrogância que cercava ele próprio e todos os seus colaboradores. Quando pipocaram as primeiras denúncias contra Collor, e a CPI começou a ganhar corpo, me dei conta, de cara, que Collor não escaparia do impeachment. provavelmente fui o primeiro jornalista a alertar para a inevitabilidade do impeachment, na minha carta semanal e, depois, no serviço em tempo real da Agência Dinheiro Vivo - que inaugurara esse tipo de informação no país. O artigo mereceu uma página de críticas do "Jornal do Brasil" feitas pelo meu colega e amigo Otávio Costa, que considerou precipitadas e especulativas as conclusões. Minha intenção era a de chamar a atenção das partes envolvidas para a inevitabilidade do impeachment, e para a necessidade de que a transição fosse conduzida com bom senso. Cheguei a elogiar ltamar Franco e avaliar que seu temperamento não era o de uma pessoa irracional. Depois, converti-me em critico ferrenho de seu governo, devido aos impulsos irracionais que o caracterizaram. Quando a campanha contra Collor ganhou velocidade, continuei batendo, mas aí com moderação, defendendo o impeachment, mas denunciando os exageros da apuração. Collor já era cachorro morto.. Chutá-lo não era mais sinal de coragem.. Praticamente todos chutavam - especialmente aqueles que se comportaram com maior subserviência durante seu apogeu. O que me fez pular fora do linchamento foi uma observação do embaixador Walther Moreira Salles - cuja biografia eu estava escrevendo. Crítico de Collor, o embaixador estava escandalizado campanha, não apenas por sua inconstitucionalidade como por virulência. Uma observação me calou fundo: "Essas fases de paroxismo trazem à tona o que de pior existe na natureza humana". Disse isso justamente no dia em que falava do macartismo que testemunho em seu período de embaixador brasileiro em Washington. No livro de Cláudio Humberto, o ex-porta-voz de Collor n que o ex-presidente se surpreendeu quando, em meio à campanha escrevi que o deputado Aloísio Mercadante estava equivocado quando avaliou o saldo da conta corrente de Collor. Segundo Cláudio Humberto, a surpresa de Collor decorria do fato de eu ser dos jornalistas que ele mais detestava. Porém, com todos os seus defeitos, Collor comandara uma revolução no Brasil, com a abertura, a desregulamentação, a busca de competitividade e a mudança de paradigmas importantes. Até então, o álibi ao qual apelávamos, para não reconhecer seus méritos, era o de que o país estava pronto, e Collor apenas dera sorte se tornar presidente no momento correto. A ascensão de ltamar provou que nada estava pronto. A possibilidade de retrocesso era nítida. Ainda no governo ltamar, escrevi série de colunas sobre o programa de abertura da economia de Collor. Fora conceitualmente elaborado ainda no governo Sarney por um grupo brilhante de economistas do BNDES, liderados por Júlio Mourão, mas que nunca havia conseguido colocar os conceitos em prática. Era o modelo da "integração competitiva". Foi Collor quem abriu esse espaço para mudanças. Algum mérito ele haveria de ter. A idéia básica do programa era a de que o Brasil completa ciclo industrial em 1985, quando obteve enorme superávit comei O desafio, agora, consistia em abrir a economia gradativamente para permitir à empresa nacional se internacionalizar e acostumar com a competição. Definiu-se um período de quatro anos para a queda gradativa das tarifas de importação e, ao mesmo tempo, criaram-se programas de qualidade total, através da Fundação Prêmio Nacional da Qualidade; para preparar as empresas brasileiras os novos tempos, enquanto as reformas caminhariam no Congresso. Conversei com pessoas sérias que haviam participado do governo Collor - como o Secretário da Fazenda Geraldo Gardenalli e o futuro presidente da Ford, Antonio Maciel Neto - e seu depoimento me foi surpreendente. No exercício estrito do poder, Collor não era apenas um fantástico visionário, nem um mero bandoleiro, mas um executivo exigentíssimo, e um governante permanentemente ligado em um projeto de país. Jamais havia sugerido qualquer favor à parte técnica de sua equipe, e a apoiou em momentos decisivos. Viam-se dois Collor distintos: um, que comandava um dos piores esquemas de caixinha já vistos na política brasileira; e outro, que se conduzia com total rigor no exercício do poder. Como conciliar essas duas figuras? Andei tateando algumas colunas, tentando entender esse paradoxo. Aos poucos, duramente, foi caindo a ficha. Havia componentes nítidos de estadista em sua ação pública. Em junho de 1994, em pleno período eleitoral, fui a Las Vegas cobrir uma feira de informática. No aeroporto de Atlanta, enquanto esperava o vôo de conexão, resolvi escrever a coluna admitindo o lado estadista de Collor. Mandei pelo computador e, depois, me arrependi. Sabia que iria dar enorme rebuliço e achei imprudência publicar sem estar pessoalmente no Brasil, para acompanhar e rebater as críticas que certamente suscitaria. Retomei ao Brasil dias depois. Chegando, soube que a "Folha" havia repercutido a coluna com o candidato Fernando Henrique Cardoso, - em plena campanha eleitoral, e ele havia concordado com a avaliação. Foi um gesto de coragem intelectual surpreendente, para um político escaldado. Não houve questionamentos rançosos. Apenas um artigo de bom nível de Chico de Oliveira. Tempos depois, soube que um filósofo da USP, de nome Paulo Arantes, questionou violentamente a análise, mas em um livro fechado, de pouca divulgação - embora tivesse acesso aos jornais, particularmente à "Folha", para expor suas ressalvas e encarar uma polêmica. Meses depois, o deputado. José Serra me presenteou com um livro de Ortega y Gasset, "Mirabeau e outros ensaios". O livro trazia um ensaio do filósofo espanhol sobre os estadistas, um clássico. Ali, estavam retratados Collor, no papel do estadista inescrupuloso, ltamar, no papel do pusilânime, e Fernando Henrique Cardoso, no papel do intelectual pouco chegado à ação. Foi o que me convenceu - e, acredito, convenceu parte relevante dos meus leitores - de que esse paradoxo de Collor podia ser entendido à luz de outros estadistas que o precederam, e do estudo de Ortega y Gasset.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei o livro durante a bienal do livro no Rio de Janeiro em 2005.


 

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