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O Picapau Amarelo e A Reforma da Natureza

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O Picapau Amarelo e A Reforma da Natureza

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Crianças

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 295

Ano de edição: 1951

Peso: 565 g

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Ótimo
Marcio Mafra
21/05/2006 às 12:35
Brasília - DF

Picapau Amarelo é um diferencial entre os livros infantis do Monteiro Lobato. Embora esteja circunscrito à mídia da época, a sua genialidade reside na mistura entre o real e o imaginário. Tal foi possível, quando verificamos que Emilia, Rabicó, Dona Benta, Visconde e etc., tidos como "personagens reais" - se não reais, ao menos mais próximos da realidade caipira e brasileira - foram visitados por personagens da literatura mundial de então, como Branca de Neve, Pinóquio, Cinderela e outros menos votados, e com eles interagem as idéias, as aventuras e os encantos. A Reforma da Natureza, experimenta também a mistura entre o "real" e o "imaginário" quando toma o raciocínio ingênuo e simples da criança, com a racionalidade das coisas e expressões consagradas pelos adultos, como a proposta da Emília e Rabicó, de se ir engolindo as folhas de um livro, ao invés de apenas lê-lo. Ou como a jabuticabeira que ao invés de uma grande árvore produzir frutos tão pequeninhos, poderia trocar com a abóbora, que tem uma folha tão rasteira e um fruto tão grande, assim as jabuticabeiras poderiam dar abóboras enquanto as abobreiras poderiam dar jabuticabas e..., em coisas deste tipo reside a reforma da natureza. Muito interessante.






Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Picapau Amarelo, é livro das historias dos personagens tradicionais: Branca de Neve, Cinderela, Peter Pan, Pinóquio, etc., em visitas ao sitio do Picapau Amarelo, interagindo com as figuras Emilia, Rabicó, Visconde, etc. Reforma da Natureza trata de adaptações mais adequadas das pessoas às coisas do mundo, como o leitor para ler um livro, bastaria rasgá-lo e ir engolindo-o ao invés de lê-lo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Branca de Neve e os meninos. Dona Benta estava sentada na sua cadeirinha de pernas curtas, a serzir meias de Pedrinho. A seu lado, na rede, D. Quixote roncava sorridente, sonhando com a formosa Dulcineia. Sancho, lá na copa, farejava o guarda-comida. O grito de tia Nastácia acordou D. Quixote e pôs Sancho de orelha em pé. - Nossa Senhora! Que será que aconteceu? murmurou dona Benta, pondo as meias na cestinha e levantando-se. Encaminhou-se para a varanda. Lá tropeçou na negra estendida no chão. Agarrou-a, sacudiu-a. "Nastácia! Nastácia !" Foi o mesmo que sacudir uma pedra. Nisto voltou os olhos para o terreiro e deu com a Quimera. "Ai!... " O seu susto foi tamanho que também desmaiou. D. Quixote erguera-se da rede, e depois dum longo bocejo berrou pelo escudeiro. - Sancho, Sancho! Onde estás, amigo Sancho ? - Aqui, meu amo! respondeu Sancho, emergindo da copa, com a boca cheia de qualquer coisa. - Dormi uma boa soneca, amigo Sancho. E sonhei lindos sonhos. Quão formosa a Dulcineia me apareceu!. . . - Pois eu realizei belos sonhos, disse o escudeiro com o pensamento nos petiscos encontrados na copa. Estou aos arrotos. . . Lá no castelo de Branca de Neve os meninos ouviam a historia da galante princesinha contada por ela mesma. - Pois é assim, dizia Branca. A minha perversa madrasta tanto fez que me transformou em princesa. Isto é que se chama atirar no que vê e acertar no que não vê. Os anõezinhos me salvaram. Veio o príncipe e casei-me. - Uma coisa curiosa, disse Emilia, a gente sabe toda a vida de vocês princesas, mas nunca sabe nada dos príncipes consortes. Esses príncipes só aparecem no fim das historias. Casam-se, ha uma grande festa. e pronto! Até hoje ainda não consegui ver um só desses principes-maridos. Onde anda o seu? - Caçando. E' doidinho por caçadas. Só á noite me aparece por aqui, com uma penca de faisões ou perdizes. - E é feliz com ele ? quis saber Narizinho. - Muito. Meu marido não me amola. Deixa-me na maior liberdade aqui dentro, com os meus anões. Homem que não sai de casa é a maior das pestes. Vovó diz sempre que o lugar do homem é na rua, observou Narizinho. Nesse momento chegou-lhes um soar de trompas ao longe. Branca ficou de ouvidos á escuta. Depois disse: - Lá está ele atrás dos veados! A caçada hoje é de veado... Narizinho falou á Branca da maravilhosa fita que andava correndo mundo com o titulo "Branca de Neve e os Sete Anões", feita pelo famoso Walt Disney. - Quem é esse Disney ? - Oh, um gênio! berrou Emilia. O maior gênio moderno - maior que Shakespeare, que Dante, que Homero e todos esses cacetões que a humanidade tanto admira. Faz desenhos animados, mas com uma graça da gente chorar de gosto. A fita de você, Branca, é o suco dos sucos! Branca não era do tempo do cinema, de modo que não sabia o que fosse "fita", nem como pudesse haver desenhos animados. E por muito que Pedrinho explicasse a grande invenção, ficou na mesma. - Pois o cinema, continuou Pedrinho, é a única invenção realmente boa que os homens inventaram. E' uma invenção só de paz. - Que quer dizer isso ? - Invenção de paz é a que não se presta para a guerra. As outras, Branca, você nem imagina que calamidade são! Assim que aparecem, como a tal maquina de voar, os homens logo as aproveitam para armas de guerra - para matar gente, para bombardear cidades, etc. Mas o cinema, não. Não ha cinema-de-bombardeio, não ha cinema-lança-chamas. Só ha cinema da gente assistir e regalar-se. Eu, se fosse dono do mundo, proibia qualquer invento que não fosse de paz.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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