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Geografia de Dona Benta

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Geografia de Dona Benta

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Crianças

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 261

Ano de edição: 1951

Peso: 595 g

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Bom
Marcio Mafra
20/05/2006 às 12:01
Brasília - DF

Geografia de Dona Benta, é uma aula - nos mesmos moldes da "história do mundo", da "gramática" e da "aritmética". Passa por alguns paises, pela América do norte e do sul e por alguns estados brasileiros, distribuída em 30 aulas. Clone dos livros de aritimética e de gramática. Mesmo assim, ninguém acredita que se consiga fazer um garotinho ou uma garotinha ler um pesado e grosso livro deste tipo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um conto muito longo demonstrando todo o universo, tal qual conhecemos na Geografia.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

México. Mar de Sargaços. Corrente do Golfo. Estados Unidos. O brigue ia nesse momento atravessando o Canal do Yucatan, que separa a ilha de Cuba da península do Yucatan, no México. Dona Benta mostrou o que era canal: uma faixa d'água apertada entre duas terras, e disse que os canais tanto podiam ser feitos pela natureza como pelo homem. O canal do Panamá havia sido feito pelos homens: aquele ali, pela Natureza. Atravessado o canal do Yucatan, o brigue penetrou no Golfo do México. - Estamos nas águas do Atlântico que banham as costas do México, a nação mais interessante de toda a fieira de nações plantadas pelos latinos na América. Esses povos chamam-se latinos porque falam línguas filhas do latim, e também porque os romanos, faladores do tal latim, muito contribuíram para a formação deles, nos tempos antigos, quando Roma era para o mundo o que é hoje a Inglaterra. Todas as republicas da América do Sul e da América Central são hispano-americanas - isto é, misturadas de Espanha e América. O Brasil forma a exceção única. Mas desses paises o que eu acho mais interessante é justamente o México. O México é uma terra que não se confunde com nenhuma outra. Em tudo põe a sua marca - ou revela a sua individualidade, como se diz em língua técnica. Tem uma arte toda sua, pintura sua, musica sua, cerâmica sua, arquitetura sua, costumes só seus. A historia do México é um drama que não tem fim; mal acaba um ato, começa outro - e drama escrito a sangue. Até imperador o México já teve, quando foi invadido pelos soldados de Napoleão III. Esse Napoleão mandou para cá o arquiduque Maximiliano, que era austríaco, e o botou no trono como Imperador. Os mexicanos, porém, revoltaram-se e fuzilaram o pobre soberano, conseguindo libertar o país das garras dos franceses. Mas não têm fim as revoluções havidas no México, que alem disso teve de sustentar uma guerra com os Estados Unidos, na qual perdeu boa parte do seu território. Os Estados americanos do Texas, do Arizona, do Novo México e da Califórnia já foram mexicanos. O território do México é riquíssimo em minerais, sobretudo em prata. Quando os conquistadores espanhóis desceram aqui, ficaram de boca aberta, de tantos ornamentos de prata que viram no corpo dos nativos. Esses nativos eram os índios Aztecas, criadores de uma civilização bem adiantadinha. A ganância de pegar aquela prata levou os espanhóis a destruírem o Império dos Aztecas, abusando da superioridade em armas, porque traziam armas de fogo, desconhecidas dos índios da América. - Já vi isso na "Historia do Mundo", observou Pedrinho. - Pois agora está você diante do país onde ocorreu a tragédia. Os conquistadores, entretanto, não acabaram com toda a população nativa, de modo que no México, até hoje, ha mais gente da raça americana nativa do que europeus, ou descendentes de europeus. Esses mexicanos formam a classe dos Peões, ou homens do campo. O calor estava cada vez maior. Todos suavam em bicas, exceto Quindim, que, como bom filho da África se regalava com as temperaturas altas. - Uf!. .. exclamou a menina descendo do mastro. Estou que não posso mais. E gritou para a cozinha: Sorvete, tia Nastácia! Não pare de fazer sorvete. Estamos morrendo assados aqui no tombadilho. - E é natural, disse dona Benta. Nosso navio está bem em cima dum rio de água quente. - Rio de água quente? - Sim, minha filha. Estamos navegando sobre a celebre Corrente do Golfo, isto é, sobre a Corrente Quente do Golfo do México. O Imediato aproximou-se, de testa franzida. - Explique isso, Capitão. Não estou entendendo nada.. . Dona Benta explicou: - Ha no meio do Oceano Atlântico o celebre Mar de Sargaços. Sargaços são algas, ou plantas marinhas que naquele ponto se reúnem em grandes massas sobre grande extensão do mar. Por entre os sargaços circulam infinidades de peixinhos. Esse Mar de Sargaços constituía outrora o terror dos Navegantes. Navio de vela que arrastado pelos ventos ali fosse ter, ficava encalhado e perdido. Era o mesmo que botá-lo em terra firme. Mas Colombo desfez tal lenda, atravessando com as suas naus esse mar de algas. Pois bem: no fundo do Mar de Sargaços ha qualquer coisa ainda misteriosa para os geógrafos. Forma-se lá um rodamoinho que é a origem da Corrente do Golfo. As águas movem-se em certa direção, como um rio, e passam ali pelo Canal do Yucatan, penetrando neste golfo. Aqui aquecem-se com este terrível calor e seguem, com velocidade cada vez maior, rumo Noroeste, até encontrarem saída pelo Canal da Florida, que é outro canal que separa Cuba da península da Florida, nos Estados Unidos. Nesse ponto está já tão quente o rio marinho, que um termômetro Centígrado nele mergulhado marcará 27 graus, e vai avançando com a velocidade de oito quilômetros por hora. - Velocidade dum homem andando a pé, observou o menino. - Atravessa o canal e segue. costeando os Estados Unidos; depois se dirige para a Europa, indo aquecer as terras do Norte - as Ilhas Britânicas, a Islândia, que é uma grande ilha e a Noruega. E aquece até a Groenlândia; a terra gelada onde vivem os Esquimós. - Os fabricantes daquele sorvete que tem uma capa de chocolate por fora? indagou Emilia. - Não, bobinha. Os esquimós nem sabem o que é sorvete, visto que moram numa terra de gelo. Os produtores desses sorvetes apenas se utilizaram do nome deles para a marca de fabrica. Que idéia! Os esquimós a exportarem sorvetes!... Mas se os tais esquimós podem viver nas terras geladas da Groenlândia, é isso devido á passagem por perto dum ramal do rio de água quente. - Quer dizer, observou o Imediato, que eles podem viver graças ao calor que vai exportado daqui deste golfo? - Exatamente. O Golfo do México é um benemérito. Exporta calor para a Inglaterra, para a Noruega e até para os pobres esquimós. - Uf!... exclamou de novo Narizinho, enxugando a testa. Exporta pouco, pelo que estou vendo. Devia exportar o dobro, o triplo. Quanto mais exportasse, tanto melhor para quem passasse por aqui. Estou que não agüento mais. Sorvete, Nastácia! Tia Nastácia veio da cozinha com uma bandeja de Eskimo Pies, que é o nome inglês do tal sorvete recoberto de chocolate. Na parada do brigue em Trinidad haviam aprendido a receita. - Pronto, calorenta! disse ela. Refresque o papo á vontade. Tenho lá na geladeira outro sortimento. Todos se refrescaram, exceto a "tripulação". Quindim continuava nadando em mar de rosas. Calor era com ele! Dona Benta contou mil coisas do México, e descreveu a Cidade do México, sua capital, rica de monumentos históricos. Depois falou de Tampico, perto da qual se perfuraram os primeiros poços do petróleo mexicano. - O petróleo aqui neste país, meus filhos, é como água. Jorra da terra em quantidades tremendas. Houve um poço de nome Cerro Azul que rompeu com 300.000 barris por dia! - Trezentos mil! exclamou o menino, espantado. Mas isso é um colosso, vovó! Quanto vale um barril de petróleo bruto? - Aí uns $20.00. . . - Quer dizer então que esse poço arrancava da terra, por dia, 300.000 notas de $20.00? - Exatamente.Trezentas mil notas de vinte ou sejam 6 milhões diários. . . Pedrinho ficou pensativo. Estava já a imaginar-se perfurador de petróleo lá no sitio. Quem sabe se não abriria um poço ainda maior que o Cerro Azul? Tudo é possível no mundo. O brigue entrara em plena corrente marinha, isto é, entrara na famosa Corrente do Golfo, de modo que ia com boa velocidade. Passou pelo Canal da Florida e ganhou o Norte, pelas costas dos Estados Unidos acima. Em certo ponto o vento deu de crescer dum modo estranho. Quindim imediatamente recolheu as velas, ou o pano, como dizem os marinheiros. - Que ha? gritou o imediato. Como vai recolhendo as velas assim sem mais nem menos? Não sabe que nada se faz sem ordem minha ou do Capitão? Quindim respondeu que aquele vento lhe estava cheirando a Ciclone - e que se sobreviesse um ciclone, o brigue não se agüentaria de velas abertas. Escangalhava-se todo. Pedrinho correu a falar com o Capitão, mas era tarde. A fúria do vento se tornara tamanha que ele foi arremessado de encontro a uma pilha de cordas, á qual se agarrou. E lá ficou por uns vinte minutos, encolhidinho, enquanto sobre sua cabeça o vento zunia com fúria infernal. Pedrinho teve medo. Parecia o fim do mundo. A previdência da "tripulação", entretanto, havia salvo o brigue. Com as velas recolhidas, "O Terror dos Mares" foi arrastado para muito longe mas nada sofreu. Logo que a horrível ventania cessou o imediato pôde levantar-se e ir ter com o "Capitão". Encontrou dona Benta pálida e tremula. - Do que escapamos meu filho! disse ela. Um ciclone! Um terrível ciclone, desses tão comuns nestas regiões, acaba de varrer a Península da Florida, destruindo a cidade de Miami, como verifiquei através da minha luneta. Pedrinho correu á luneta e espiou. Viu realmente, lá longe, uma linda cidade beiramar em pandarecos. - Estou vendo, vovó! Estou vendo tudo arrasa do.. . - É a pobre da Miami (leia Maiâme, com acento no segundo a), que mais uma vez foi varrida por um ciclone.. . - Mas que é o tal ciclone, afinal? - Os ventos, meu filho, começam com as Brisas, que são ventinhos de muito pequena velocidade. Se a velocidade cresce, a Brisa passa a Vento; se cresce ainda mais, passa a Ventania; se cresce ainda mais, passa a Tufão ou ciclone. No ciclone o vento tem tal fúria e gira em rodamoinho com tamanha força, que a cidade que tiver a desgraça de ser por ele alcançada leva a breca. Foi o que aconteceu com Miami. E por um triz também não levamos a breca. Nossa sorte foi não ficarmos dentro do rodamoinho - ficamos na beira. A idéia da "tripulação", de recolher o pano, valeu-nos a vida. Mande o visconde dar um premio a Quindim - uma ração dupla de alfafa. O visconde nunca tomava parte nas lições de dona Benta porque, como o único steward de bordo, não tinha parada. Emilia, por exemplo, que vivia no leme, não lhe dava um minuto de tréguas. "Steward, traga isto; steward, traga aquilo". Mas naquele dia aconteceu uma desgraça. O tufão o varrera para o mar. Quando a desgraça foi sabida, houve berreiro grosso. - Salvem o visconde! gritava Emilia. Quero o visconde! Narizinho também se mostrou aflitíssima, pois não dispensava a presença do famoso sabugo cientifico. Tia Nastácia, essa, danou, porque ele lhe prestava grandes serviços na cozinha. Era o descascador de batatas, o batedor de ovos, o lavador do coador de café. - Salve-o, sinhá! veio ela pedir de mãos postas. Salve o visconde, pelo amor de Deus! Sem o sabugo não sei lidar naquela cozinha... Dona Benta assestou a luneta sobre as ondas em procura do sabuguinho querido. Nada, nada. Súbito, deu um grito: - Lá está o coitado a debater-se nas agonias da morte. . . De fato, a pouca distancia do brigue todos puderam ver o pobre visconde a debater-se nas águas. Imediatamente Pedrinho preparou uma linha com anzol na ponta para pesca-lo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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