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A Barca de Gleyre 2º Tomo

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A Barca de Gleyre 2º Tomo

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 363

Ano de edição: 1951

Peso: 660 g

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Ótimo
Marcio Mafra
12/05/2006 às 10:42
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. O segundo volume, da Barca de Gleyre é uma simples continuação do primeiro, onde consta mais correspondência trocada entre Lobato e Rangel. É muita correspondência. Claro que tem passagens muito gostosas sobre a vida deles que começou no Belenzinho, em São Paulo, num lugar parecido com uma república de estudantes, como hoje ainda existem em Ouro Preto, Minas Gerais. A republica se chamava Minarete, em virtude da forma arquitetônica da casa. Como no primeiro volume, a leitura do segundo também é lenta, as vezes maçante ou monótona para quem não viveu, ou pelo menos, não tem conhecimento da época. Mesmo assim, Lobato chegou aos 66 anos, escrevendo para seu amigo Rangel. Na véspera de São João do ano de 1948, ele ainda escreve sua última carta, logo após ter sofrido AVC, que na época era mal diagnosticado. Morreu por essa époc. Coisa maluca, difícil de acreditar é que no dia anterior a sua morte (ou no dia anterior ao agravamento do AVC) ainda tenha escrito para seu amigo Rangel. A razão do titulo atribuído ao livro, é simples, está mencionada no primeiro e no segundo volume. Também não é um livro de contos. De toda a coleção, é o único livro do autor que pode ser classificado como "memórias". Neste caso, é muito mais que simples memória, é um auto-testemunho da vida.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Correspondencia literária entre Monteiro Lobato e Godofredo Rangel, abarcando os anos de 1915 até 1948.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Véspera de S. João, 1948 Rangel. Chegou afinal o dia de te escrever, e vai a lápis, porque a pena me sai mal. Ainda estou com uma perturbação na vista. Uma perturbação que se vai deslocando do meu campo visual, e que num mês deve estar desaparecida. Só então voltarei a ler correntemente. Tenho estado, todo este tempo, privado da leitura - e que falta me faz! A civilização me fez um "animal que lê", como o porco é um animal que come - e dois meses já sem leitura me vem deixando estranhamente faminto. Imagine Rabicó sem cascas de abóbora por 30 dias! Tive a 21 de abril um "espasmo vascular", perturbação no cérebro da qual a gente sai sempre seriamente lesado de uma ou outra maneira. Depois de 3 horas de inconsciência voltei a mim, mas lesado. A principal lesão foi a da vista que no começo me impedia de ler sequer uma. frase. As outras perturbações ando eu agora a percebe-las: lerdeza mental, fraqueza de memória e outras "diminuições", Não sou o mesmo: Desci uns pontos. Não é impunemente que chegamos aos 66 de idade. O que eu tive foi uma demonstração convincente de que estou próximo do fim - foi um aviso - um preparativo. . E de agora por diante o que tenho a fazer é arrumar a quitanda para a "grande viagem", coisa que para mim perdeu a importância depois que aceitei a sobrevivência. Se morrer é apenas "passar" do estado de vivo para o de não-vivo, que venha a morte, que será muito bem recebida. Estou com uma curiosidade imensa de mergulhar no Além! Isto aqui, o corporal, já está mais do que sabido e já não me interessa. A morte me parece a maior das maravilhas: isto mesmo que tenho aqui, mas sem o corpo! Maravilha, sim. Não mais tosse, nem pigarros, nem (ilegível) da coisa orgânica! - E se não for assim? dirá você. E se em vez de continuação da vida a morte trouxer extinção total do ser? - Nesse caso, vis-otimo! Entro já de cara no Nirvana, nas delicias do Não-ser! De modo que me agrada muito o que vem aí: ou continuação da vida, mas sem estes órgãos já velhos e perros, cada dia com peor funcionamento, ou o NADA!... Você sempre lidou com doenças, a que não prestava atenção. Porque isso de doença só dói na gente. Agora que também me tornei um doente, quero que contes o ponto em que está a tua saúde, e as belezas patológicas que enriquecem o teu patrimônio. Como está o coração? Conheces a Digitalis? o Estrofanto? Depois d'amanhã vou ser examinado pelo Jairo Ramos, o medico que é o Supremo Tribunal desta terra em questão de medicina, e na próxima te comunicarei a minha sentença. Antes que o Jairo fale, não sei como estou. Adeus, Rangel! Nossa viagem a dois está chegando perto do fim. Continuaremos no Além? Tenho planos logo que lá chegar, de contratar o Chico Xavier para psicografo particular, só meu - e a 1ª comunicação vai ser dirigida justamente a você. Quero remover todas as tuas duvidas. Do LOBATO"...


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde.Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio.
Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente.
Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas.
Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los.
Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos.
Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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