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América

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América

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 311

Ano de edição: 1951

Peso: 565 g

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Ruim
Marcio Mafra
11/05/2006 às 10:25
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. América são quase 40 contos do autor, sobre sua viagem aos EUA, ou América como se chamava nos anos 50. Toda a narração gira em torno do personagem espelho, o Mr. Slang que ele já havia criado anteriormente. Usou-o à exaustão. Quase todos os contos de América são construídos sob a forma pouca imaginosa de diálogo entre dois personagens. Monteiro Lobato tece loas à América, simplistamente diz que nos faltam - apenas e tão somente - o petróleo e as máquinas para que nos tornemos o segundo povo da América. Coisa trouxa, pobre e sem nenhuma graça porque o autor estaria praticando o que tanto criticou no seu livro de estréia: Urupês. Macaquice, imitação, francesice, anglicismo e outras imitações que ainda perduram - agora - sob a égide da incompreendida, porém, inevitável globalização, que tanto confere as vantagens como as desfavorabilidades. América é ruim, quer pela literatura chatinha, quer pelo autentico beija-mão que Monteiro Lobato concedeu aos americanos.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nos anos que passou nos Estados Unidos Monteiro Lobato nunca perdeu de vista o Brasil. Este livro o mostra. E foi o quadro maravilhoso da vida americana que lhe abriu os olhos para uma idéia que depois iria tornar-se a sua idéia central. "Ferro e Petróleo dão a maquina; e a maquina dá a eficiência ao homem. O segredo da prosperidade americana é a maquina, fautora da eficiência. O mal do Brasil está na ineficiência do homem, que o habita, por falta de intensa maquinação; e o país não tem maquina porque não desenvolveu a industria do ferro e do petróleo - ferro, matéria prima da maquina - petróleo, matéria prima da energia que move a maquina".
De volta ao Brasil dedicou dez anos de esforço tremendo para abrir as olhos á nossa gente - esforço que transparece no 7.° volume de suas Obras Completas - "O Escândalo do Petróleo e Ferro". Seria leviandade dizer que o esforço de Lobato foi inútil. Se pessoalmente sua luta de pioneiro fracassou (o que é regra do pioneirismo), a usina de Volta Redonda e a poço de petróleo do Lobato, na Bahia, são produtos indiretos das sementes que ele lançou aos ventos.
Em "América" Monteiro Lobato revive o "inglês da Tijuca", o mesmo que nos começos da presidência Washington Luis dialoga com um imaginário patriota e passa em revista os nossos defeitos viscerais e os males da ditadura Bernardes. Com ele viaja pelos Estados
Unidos, vai a Detroit, a Washington, a Filadélfia - e "conversam" a América, sem nunca, entretanto, se esquecerem do Brasil. Lobato não consegue tirar da cabeça a terra natal - e se nunca teve dó de lhe apontar as falhas, era sempre movido pelo desejo de vê-la reagir e ser os Estados Unidos do hemisfério meridional. (Transcrito da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um país se faz com homens e livros. Minha visita aos monumentos de George Washington e Lincoln provou-me que a América tinha homens. Ter homens, para um país, é ter Washingtons e Lincolns, forças tão marcantes que sobre sua obra não pode a morte. Viva quanto viver a América, seus dois heróis viverão com ela, dia a dia mais sublimados. Já nem mais são homens hoje, decênios passados do desaparecimento da cena, mais semi-deuses. Crescem sempre. Divinizam-se. Em torno destas pilastras a América se cristalizou. Nas maiores crises morais nunca lhe faltará o apoio do general que não mentia e do lenhador que impediu a destruição da obra do general. Com homens e livros. Nos livros está fixada toda a experiência humana. É por meio deles que os avanços do espírito se perpetuam. Um livro é uma ponta de fio que diz: "Aqui parei; toma-me e continua, leitor". "Platão pensou até aqui: toma o fio do seu pensamento e continua, Spinoza". Mr. Slang certa vez me disse que o homem só tinha duas criações; a invenção do alfabeto e a descoberta do fogo. O alfabeto permitiu o acumulo da experiência individual; o fogo abriu caminho para a dominação da natureza. - Compreendo bem a primeira parte, mas tenho duvidas sobre a segunda, objetei eu. Fôra isso no Rio, no alto do Corcovado, por uma linda tarde de ar sutil. Mr. Slang não me respondeu de pronto. Fez uma pausa. Por fim disse: - Basta por hoje que compreenda a primeira parte. A segunda compreenderá por si mesmo, se acaso fôr ter a um país da alta civilização industrial. S6 num país de alta civilização industrial a coisa se fará tão evidente que você a aprenderá sem o auxilio dos meus óculos. O Destino me havia posto na América, país de alta civilização industrial, e pois eu estava próximo de, ou pelo menos apto para, compreender a segunda parte do axioma do meu amigo. E afinal a compreendi sem o auxilio dos seus óculos. Sim, fôra realmente o fogo a magna descoberta que... Mas não antecipemos. Fique o fogo para mais tarde. Estávamos a caminho da Biblioteca do Congresso - o maior templo que ainda se erigiu ao livro, e não convinha ali lidar com fogo. - Ei-la, disse Mr. Slang apontando para o colossal monumento. Ha lá dentro, catalogados, á disposição de quem as queira consultar, 3.890.096 coisas impressas - livros, mapas, musicas, sem contar os manuscritos. Ora, isso quer dizer que ha ali mais de quatro milhões de pontas de fio. Quatro milhões de vidas passadas no estudo e na elaboração escrita da experiência pessoal armazenaram nesta biblioteca a sumula do seu esforço. Filósofos, cientistas, artistas - a gente toda que faz uso do cérebro e que, havendo tomado as pontas dos fios legados pelos avós, encompridou-as um pouco mais e legou aos netos as novas pontas por onde continuem o novelo sem fim. Admirei o monumento com todos os ímpetos da minha capacidade de admiração arquitetônica, embora a sua real grandeza não estivesse na fachada, sim no miolo. Quatro milhões de pontas!... - E por que lhe chamam Biblioteca do Congresso? perguntei. - Parece que a idéia foi não permitir excusa de ignorância aos legisladores. Com tal base de experiência humana ao alcance, caso não legislem a contento não será por falta de meios informativos. O "não sei", o "não sabia" fica desse modo proibido. Esta imensa mole de livros, deliberadamente erecta diante da casa dos legisladores, põe-nos em bem dura situação. Talvez a malícia de Lincoln haja colaborado nisso... Tudo ali são símbolos. A Casa das Pontas não passa duma casa de símbolos. No topo do domo central, que compõe ao modo clássico a massa do edifício, flameja um Archote da Ciência. Sobre as janelas vêem-se esculpidas 33 cabeças representando as raças humanas e no pavilhão de entrada temos enormes bustos de grandes filhos duma dessas 33 raças - a única que conta para a América. São eles Emerson e Irving, o primeiro grande pensador americano e o escritor de maior perfeição de forma e idéia de que a América se orgulha. Irving! Quem não leu "The Sout Gentleman" é feliz - tem em reserva algo delicioso a fazer. E depois, Goethe e Franklin, Macaulay e Hawthorne, Scott e Demóstenes, Shakespeare e Dante


  • Descrição dos personagens

    Autor: Rede Globo de TV

    Veículo: Rede Globo de Tv 2006

    Fonte:

     A reunião de livros escritos por Monteiro Lobato contando as peripécias de Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, tia Anastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa, formam sua mais importante e conhecida obra: O Sítio do Pica pau Amarelo. Dona Benta é a vovó de Narizinho e Pedrinho. Ela lê muito e é excelente contadora de histórias. Domina vários idiomas, tem uma grande cultura e sabe de tudo que acontece no mundo. Dona Benta mora no Sítio do Pica pau Amarelo.

    • Pedrinho é um menino de dez anos que mora com a mãe na cidade. Sua mãe chama-se Antonica e é filha da Dona Benta. Ele vai para o Sítio todas as férias. Pedrinho gosta de aventuras, como caçar onça e Saci.
    • O Saci é uma figura popular do nosso folclore. Ele é um negrinho de uma perna só, que usa uma carapuça vermelha e pita um cachimbo. Ele se torna amigo de Pedrinho quando o menino o captura dentro de um redemoinho mas depois lhe devolve a liberdade. Aí então, o Saci mostra a floresta e todos seus habitantes para Pedrinho.
    • A Cuca também é um personagem do folclore brasileiro. Ela é uma bruxa com cara e corpo de jacaré. Malvada, ela vive em sua caverna escura, criando poções mágicas e planejando invadir o Sítio. Quando fica brava, de muito longe ouve-se o seu urro de raiva.
    • Narizinho, a neta de Dona Benta e prima de Pedrinho, tem oito anos e mora no Sítio. Seu nome é Lúcia e, por causa de seu nariz arrebitado, é chamada de Narizinho. É uma menina gentil, carinhosa e inteligente. Foi criada na roça e sabe subir em árvores e pescar. Sua paixão é a boneca de pano Emília.
    • A Emília, no começo, era apenas uma boneca de pano, feita de uma saia velha de Tia Nastácia. Mas, depois de tomar as pílulas falantes do Doutor Caramujo, não parou mais de falar. Cheia de idéias e mandona, lidera a maioria das aventuras das crianças.
    • Tia Nastácia é sábia em matéria de cultura popular, é uma grande contadora de "causos" e acredita numa série de superstições. Ótima cozinheira, seus quitutes são famosos na redondeza. Tia Nastácia também cuida da limpeza da casa e dos animais. Ela vive querendo matar o Rabicó, animal de estimação de Narizinho, pra colocá-lo na panela. Só que Narizinho não deixa..
    • Rabicó é um leitão, guloso e covarde. Ganhou esse nome por causa do rabo curtinho. Está sempre fuçando o lixo atrás de comida, mas morre de medo da Tia Nastácia. Virou Marquês de Rabicó e casou-se com a Emília, por vontade de Narizinho.
    • Tio Barnabé é um "preto velho" que sabe de todos os mistérios do mato. Foi ele quem ensinou Pedrinho a pegar o Saci. Tio Barnabé cuida da Vaca Mocha e das galinhas.
    • Visconde de Sabugosa é um boneco de sabugo de milho feito por Pedrinho. Ele o deixou na biblioteca o que transformou o Visconde em um sábio, que está sempre pesquisando e estudando sobre vários assuntos. O Visconde tem um laboratório, no porão da casa de Dona Benta. Uma de suas invenções é o pó de Pirlimpimpim que leva as crianças do Sítio em muitas viagens.
    • Quindim é um rinoceronte africano, domesticado, que fugiu de um circo. Muito doce e falante, tornou-se o guardião do Sítio, pelo seu tamanho e sua força. Ele sabe muito sobre gramática e outras ciências, guiando as crianças no País da Gramática.
    • O Burro Falante foi salvo pelas crianças das garras de um tigre no País das Fábulas. É educado e fala muito bem. Ele fica no quintal com Quindim, lendo e conversando. Como sempre dá bons conselhos, a Emília deu-lhe o nome de Conselheiro.
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde.
Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio.
Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente.
Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas.
Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los.
Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos.
Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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