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O Escândalo do Petróleo e Ferro

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O Escândalo do Petróleo e Ferro

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 316

Ano de edição: 1951

Peso: 585 g

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Ruim
Marcio Mafra
09/05/2006 às 10:08
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. Acho bastante ingênuo, tentar fazer que seus leitores - e todos os cidadãos da época - entendessem o mundo energético, através de simples "receita de bolo". Parece coisa de político buscando voto em porta de fábrica. Tanto no livro do petróleo como no do ferro, falar em preço de onça, de porcentagens de gases obtidos com petróleo, é meio chatinho. Parece aula de física ou química.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O mais acentuado característico de Monteiro Lobato é a capacidade de apaixonamento - e com isso muito se sacrificou em suas temerárias empresas. Na terra clássica em que "tudo se arranja" e só com "arranjos" e acomodações uma idéia pode vencer, ele queria que as grandes idéias vencessem pelo mérito próprio, e jamais pensou em arranjos - sobretudo com as peças da administração das quais tudo depende. Sua campanha do ferro e do petróleo - principalmente esta - foi de extrema belicosidade, e quanto mais se acirravam contra ele as forças contrarias, mais se retesava ele na violência da defesa. Sua luta pelo petróleo tem grandeza, e na sua irredutível coerência extremou-se a ponto de incidir numa condenação pelo Tribunal de Segurança. Mas, aparentemente derrotado, venceu. Se temos hoje o petróleo já revelado, neste país em que durante tanto tempo era "coisa de sonhador" admitir a existência do petróleo, a ele devemos. E quis o destino que o primeiro poço de petróleo aberto no Brasil surgisse numa localidade da Bahia que tem o seu nome - no Lobato. . .
Esse poço foi aberto em 1939 - e numa curiosíssima previsão Monteiro Lobato o anunciou dois anos antes. Na primeira edição d'O Poço do Visconde, o livro em que ele ensina a geologia do petróleo ás crianças, publicado em 1937, existe este pedacinho profético, no capitulo em que enumera os pontos onde "vai sair" petróleo: "A Bahia perfurou na zona dos camamús e e encheu-se de petróleo; e até na zona do Lobato, nos subúrbios da capital, abriram-se poços de excelente petróleo."
Quase dois anos mais tarde, a 22 de janeiro de 1989, um domingo, Oscar Cordeiro, o verdadeiro descobridor do petróleo no Brasil, vai ao acampamento muito cedo e com grande assombro dá com o petróleo defluindo da perfuração que lá se abria. Como estivesse sozinho, teve a gloria de ver o fluxo do nosso primeiro petróleo, rebentado durante a noite, depois de parado o serviço da véspera... O anjo Gabriel do petróleo brasileiro, foi, pois, o visconde de Sabugosa... As revelações e demonstrações d'O Escândalo do Petróleo são tremendas, e já não ha ninguém que possa alegar ignorância do que se passa nos bastidores. A muralha foi rompida, um feixe de luz desfez o velho mistério e não só já temos o petróleo revelado como sabemos porque demorou tanto e porque tarda tanto em tomar-se o que tem de ser - uma prodigiosa fonte de riqueza nova e o verdadeiro alicerce da independência econômica do Brasil. Lobato deu dez anos de sua vida a essa campanha, saiu esmagado, arrazado - mas vencedor. O que ele semeou está germinando e será arvore um dia - e nesse dia o Brasil compreenderá a grande luta de Lobato e o valor do seu sacrifício. Na segunda parte deste volume vem de novo átona da publicidade a sua luta pelo ferro. Para Lobato, Volta Redonda não é a solução certa. O grande futuro da siderurgia ele o vê na redução dos óxidos de ferro em baixa temperatura - processo ainda muito novo em seu ajustamento final e que ainda luta contra a velha onipotência do alto-forno. No dia da vitória do "Ferro Puro" o nome de Lobato resplenderá, pois foi ele o anunciador desse processo no Brasil, e quem preconizou, contra a sabedoria de todos os nossos técnicos oficiais, o triunfo final da redução em baixa temperatura. "Ceci tuera cela" - diz ele referindo-se a esse processo em contraposição ao alto forno. Confirmar-se-á esta sua profecia, como se confirmou a da saída do petróleo no Lobato? O futuro o dirá. (transcrito da nota dos editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"O Globo" do Rio publicou uma reportagem sobre a excursão feita pelos acinnistas da Cia. Petroleos do Brasil ás margens do Araquá, onde essa empresa está perfurando um poço de petroleo. Ao lado da noticia o vespertino carioca inseriu comentarios, recordando a opinião sobre as nossas companhias de petroleol dada áquela folha pela maior autoridade oficial do Brasil,. o sr. Euzebio de Oliveira, diretor do Serviço Geol-ogico e Mineralogico Federal. "Conforme frisamos então diz "O Globo", esse tecnico não teve duvidas em classificar as iniciativas desse genero entre nós como identicas aos celebres "contos do petroleo" muito comuns na America do Norte, onde se improvisam e se desfazem grandes companhias para devorar não menores capitais de acionistas incautos."
Realmente, o sr. Euzebio tem razão. O que andamos a organizar, nós, os petroleiros do Brasil, não passa do velho "conto do petroleo", tão conhecido no mundo inteiro quanto por aqui o "conto do vigario".
Nos Estados Unidos o "conto do petroleo", consistente em atrair dinheiro de acionistas bobos para perfurar o chão, começou a ser praticado muito cedo, logo depois da descoberta do petroloo na Penssylvania - e a consequencia foi que com dinheiro assim tomado ao publico, os piratas abriram até hoje nada menos de um milhão de poços, dos quais jorrou, até a presente data, a brincadeira de 15 bilhões de barris, no valor de 22 bilhões e meio de dolares. Ao cambio azul do Branco do Brasil, isso corresponde a 292 milhões de contos de réis.
Graças à esperteza desses "contistas", o "otario" americano, que "caiu" com dinheiro para as perfurações, beneficiou-se com uma soma equivalente a varias vezes a riqueza nacional do Brasil.
Para melhor realçar o fantastico desenvolvimento que tomou o "conto do petroleo", nos Estados Unidos, aqui pomos os numeras referentes aos anos de 1929, 1930 e 1931. Unicamente nesse trienio o celebre conto fez resultar um.a produção de 2.761.323.000 barris, no valor, ao pé dos poços, de 54 milhões de contos de réis - ao cambio azul...
Em vista do excepcional sucesso do "conto do petroleo" entre os yankees, outros paises da America principiaram a sentir coceiras, e a pedir, pelo amor de Deus, que os espertalhões fossem operar em seus territorios. E os resultados da pirataria insigne não foram menores.
No Mexico, só nesse bienio, o "conto do petroleo" deu como resultado a extração de 118 milhões de barris. O "otario" mexicano hoje esfrega as mãos e olha com muita ternura para os "contistas" que o enriqueceram.
Na Venezuela, os "contistas" conseguiram perfurar poços em numero suficiente para, nesse trienio, jorrarem 394 milhões de barris. O "otario" venezuelano tambem esfrega as mãos e lambe as unhas, sorridente.
A Columbia quis logo enhar no bolo. Abriu a bolsa aos "contistas" e obteve em igual periodo uma produção de 60 milhões de barris. Otimo! exclamou o "otario" colombiano, piscando o olho.
Depois veiu o Perú. Quis da mesma forma ser "tungado" pelos "contistas do petroleo" - e conseguiu no bienio em causa arrancar ao seu subsolo 37 milhões de barris do precioso liquido. Magnifico! grugulejou o Perú, de papo cheio.
Lá em cima, a pequena ilha de Trinidad, invejozinha, deixou que os "contistas" viessem operar em seu exiguo territorio - e obteve nesses tres anos a ninharia de 4.660.000 barris. Serviu, serviu.. .
O Canadá, aflito, chegou a importar da terra de Tio Sam habeis "contistas" - e graças a eles pôde, nesse periodo, extrair do solo 4.300.000 barris. O rei Jorge, lá em Londres, congratulou-se consigo mesmo.
A Bolivia deixou-se de puritanismo, e entrou na bandalheira. Está hoje, graças ao "conto" com os seus "otarios" rejubilantes.
A Argentina foi nas aguas dos demais. Importou "contistas" e deixou que operassem livremente os "contistas creolos"; tomou muito capital de acionistas incautos e já perfurou 1.600 poços, dos quais, só no periodo acima, obteve 28.300.000 barris, quasi o bastante para o consumo nacional. Está tambem, essa nossa vizinha satisfeitissima com ser "otaria" de tal "conto". Abençôa-o.
Como se vê, na quasi totalidade absoluta dos países das tres Americas, o "conto do petroleo deu os melhores resultados, sendo que num deles, os Estados U nídos, contribuiu com alta quota para faze-lo o mais rico e poderoso país do mundo.
Enquanto todos esses paises deixavam que os espertalhões aplicassem livremente o fecundissimo "conto do petroleo", consistente em tirar dinheiro de acionistas incautos afim de perfurar a terra, aqui neste Brasil de imenso territorio, por si só quasi metade da America do Sul, ficamos todos nós - quarenta milhões de bobos assistindo, de boca aberta, à comica aplicação do "conto do Euzebio",
Em que consiste? Em aplicar anualmente uma verba de 2 ou 3 mil contos na demonstração de que não ha petroleo no Brasil, e na barragem sistematica dos "contistas do petroleo". Com esse dinheiro extorquido ao povo sob forma de impostos dolorosos, Euzebio diverte-se abrindo buracos de tatú nas zonas mais indicadas
e dizendo: "Não ha petroleo; vocês estão vendo que não ha petroleo", E se acaso um desses buraquinhos de tatú atreve-se a dar indicios indiscretos de petroleo proximo, Euzebio, furioso, tapa-lhe a boca com cimento. . .
Nem fura, nem deixa furar - é sua politica geologica.
A desgraça do Brasil e sua derrocada financeira decorrem em grande parte disso - de Euzebio o Todo Poderoso não deixar que se aplique aqui o "conto" que está a enriquecer "todos" os paises da America. Mal um grupo de "contistas" Se reune para apanhar dinheiro do publico afim de perfurar (meio unico que se conhece de tirar petroleo), O bode geologico e mineralogico do Brasil dá o grito dos gansos do Capitolio e em entrevistas aos jornais previne os possiveis "otarios" contra a
"marosca". "No Brasil não ha petroleo, diz ele. Eu, que sou onisciente, sei disso. Deus, o Supremo Arquiteto das Anticlinais e Sinclinais, informou-me em nota confidencial. E o "conto" falha.
Quando o dr. Romero veiu ao Brasil, contratado por uma companhia que se formou especialmente para fazer uso do seu aparelho indicador de oleo e gás, o Jupiter Tonante do Hidrocarbureto trovejou do alto da sua pilha de tamancos: "Mistificação" Ignoro tudo a respeito desse tal aparelho - mas é uma guitarra. Adivinho-o. Eu, eu, eu, eu, o Grande, o Infalível Euzebio, juro-o de mãos postas sobre uma camada do Devoneano."
Mas apesar do escabujamento delfico da Vestal, firmissima no seu dogma do NÃO HA PETROLEO NO BRASIL, acionistas incautos apareceram, e quacro companhias aplicadoras do "conto" estão hoje a perfurar o solo nos pontos marcados pelo aparelho Romero.
Mas Euzebio tem razão. O que essas companhias fazem no Brasil não passa de tirar dinheiro de acionistas incautos para perfurar a terra. Logo, "conto do petroleo" perfeitamente caracterizado, do legitimo, do que foi intensamente praticado na America do Norte. Sua maldade, porém, esconde o resto, e ele "esquece" de acentuar que justamente por ter sido lá comunissimo esse genero de "conto" é que Tio Sam conseguiu abrir um milhão de poços e tirar de dentro deles o "big stick" com que mantem a sua hegemonia do mundo. Se tivesse havido em Washington um Euzebio ao tipo do nosso, com suficiente prestigio oficial para impedir a intensa aplicação do "conto do petroleo", os Estados Unidos da America estariam hoje no mesmo pé dos Estados Unidos do Brasil - na miseria, com o serviço da divida externa suspenso pela quarta vez, sem isca de credito e forçado a sangrar-se fundo no bolso para a aquisição no exterior dum combustivel basico que todos os paises americanos retiram do seu subsolo.
Ha treze anos que este senhor Euzebio mantem o Brasil no regime do "dar para trás no conto do petroleo", impedindo assim, com a sua imensa autoridade de Iluminado-que-sabe-o-que-está -escondido-lá -no-fundo-daterra, a fecundissima aplicação do "conto do petroleo". Graças á sua heroica resistencia contra os piratas petrolíferos, o pobre e surrado Brasil teve, só nesse periodo, de despender 4 ou 5 milhões de contos para a compra do que já devia estar produzindo e exportando.
Por que, santo Deus? Qual o segredo da furia euzebiana contra todos os que se atrevem a perfurar isto é, " fazer aqui o que no mundo inteiro se faz para descobrir petroleo?"
Muito simples. Euzebio dirige a seu bel prazer, e sem controle, uma gorda verba para "investigações de petroleo", com a qual vai abrindo os seus buracos de tatú e orientando a campanha contra os "contistas". Se vier petroleo, raciocina ele, não vem para mim - e a verba some-se do orçamento. Ora, entre o Brasil ficar com petroleo e eu sem verba, tolo seria se vacilasse. A verba é uma realidade; o petroleo é uma hipotese. Viva quem quiser de hipoteses; eu vivo de realidades.
E' este o "conto do Euzebio"


  • Descrição dos personagens

    Autor: Rede Globo de TV

    Veículo: Rede Globo de Tv 2006

    Fonte:

     A reunião de livros escritos por Monteiro Lobato contando as peripécias de Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, tia Anastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa, formam sua mais importante e conhecida obra: O Sítio do Pica pau Amarelo. Dona Benta é a vovó de Narizinho e Pedrinho. Ela lê muito e é excelente contadora de histórias. Domina vários idiomas, tem uma grande cultura e sabe de tudo que acontece no mundo. Dona Benta mora no Sítio do Pica pau Amarelo.

    • Pedrinho é um menino de dez anos que mora com a mãe na cidade. Sua mãe chama-se Antonica e é filha da Dona Benta. Ele vai para o Sítio todas as férias. Pedrinho gosta de aventuras, como caçar onça e Saci.
    • O Saci é uma figura popular do nosso folclore. Ele é um negrinho de uma perna só, que usa uma carapuça vermelha e pita um cachimbo. Ele se torna amigo de Pedrinho quando o menino o captura dentro de um redemoinho mas depois lhe devolve a liberdade. Aí então, o Saci mostra a floresta e todos seus habitantes para Pedrinho.
    • A Cuca também é um personagem do folclore brasileiro. Ela é uma bruxa com cara e corpo de jacaré. Malvada, ela vive em sua caverna escura, criando poções mágicas e planejando invadir o Sítio. Quando fica brava, de muito longe ouve-se o seu urro de raiva.
    • Narizinho, a neta de Dona Benta e prima de Pedrinho, tem oito anos e mora no Sítio. Seu nome é Lúcia e, por causa de seu nariz arrebitado, é chamada de Narizinho. É uma menina gentil, carinhosa e inteligente. Foi criada na roça e sabe subir em árvores e pescar. Sua paixão é a boneca de pano Emília.
    • A Emília, no começo, era apenas uma boneca de pano, feita de uma saia velha de Tia Nastácia. Mas, depois de tomar as pílulas falantes do Doutor Caramujo, não parou mais de falar. Cheia de idéias e mandona, lidera a maioria das aventuras das crianças.
    • Tia Nastácia é sábia em matéria de cultura popular, é uma grande contadora de "causos" e acredita numa série de superstições. Ótima cozinheira, seus quitutes são famosos na redondeza. Tia Nastácia também cuida da limpeza da casa e dos animais. Ela vive querendo matar o Rabicó, animal de estimação de Narizinho, pra colocá-lo na panela. Só que Narizinho não deixa..
    • Rabicó é um leitão, guloso e covarde. Ganhou esse nome por causa do rabo curtinho. Está sempre fuçando o lixo atrás de comida, mas morre de medo da Tia Nastácia. Virou Marquês de Rabicó e casou-se com a Emília, por vontade de Narizinho.
    • Tio Barnabé é um "preto velho" que sabe de todos os mistérios do mato. Foi ele quem ensinou Pedrinho a pegar o Saci. Tio Barnabé cuida da Vaca Mocha e das galinhas.
    • Visconde de Sabugosa é um boneco de sabugo de milho feito por Pedrinho. Ele o deixou na biblioteca o que transformou o Visconde em um sábio, que está sempre pesquisando e estudando sobre vários assuntos. O Visconde tem um laboratório, no porão da casa de Dona Benta. Uma de suas invenções é o pó de Pirlimpimpim que leva as crianças do Sítio em muitas viagens.
    • Quindim é um rinoceronte africano, domesticado, que fugiu de um circo. Muito doce e falante, tornou-se o guardião do Sítio, pelo seu tamanho e sua força. Ele sabe muito sobre gramática e outras ciências, guiando as crianças no País da Gramática.
    • O Burro Falante foi salvo pelas crianças das garras de um tigre no País das Fábulas. É educado e fala muito bem. Ele fica no quintal com Quindim, lendo e conversando. Como sempre dá bons conselhos, a Emília deu-lhe o nome de Conselheiro.
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde.
Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio.
Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente.
Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas.
Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los.
Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos.
Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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