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A Onda Verde e o Presidente Negro

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A Onda Verde e o Presidente Negro

Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 330

Ano de edição: 1951

Peso: 605 g

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Péssimo
Marcio Mafra
07/05/2006 às 20:06
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. A Onda Verde, são crônicas sobre as plantações de café. Dessas a melhor é a Veteranos do Paraguai, as demais são chatinhas, como aliás são chatinhas as crônicas dos dias atuais dos ecologistas, também conhecidos como ecochatos. O Presidente Negro, ou o Choque das Raças - é algo parecido com as futurologias que já estiveram muito em moda, lá pelos idos de 50. Nada muito novo nem nada entusiasmante, porque, futurologia sempre cheira à cartas de tarô, jogo de dados, bola de cristal e outras mágicas.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

 A ONDA VERDE: "Neste volume reunem-se dois livros de Monteiro Lobato ha muito publicados: "A Onda Verde" e "O Choque das Raças", este agora com o nome de "O Presidente Negro", A primitiva edição de "Onda Verde" saiu em 1920, com alguns dos mais audaciosos pontos de vista de Monteiro Lobato. Ha a sua visão da "onda verde dos cafezais a invadirem e derramarem-se pelas terras roxas de São Paulo, com o "grilo" á frente abrindo o caminho. Pela primeira vez foi acentuada a função criadora do "grilo". Depols surgem as revoltas de Monteiro Lobato, culminada em "Homo Sapiens", o feroz artigo em que, na sua indignação contra os crimes sociais do homem, ele lança um apelo a todos os animais da terra para a deposição do Homo do seu trono de rei. "Animais todos da terra, uni-vos..." E a coragem de Monteiro Lobato vai a ponto de, em "Os livros fundamentais" indicar a leitura de "Tereza a Filosofa" como a criadora do gosto pelos livros no Brasil. " Lobato é sempre Lobato. Em tudo quanto escreveu jamais mentiu a si mesmo - e nisto reside o seu maior valor. Não se falsifica, não escreve para agradar A ou B, e sim, unicamente, para dizer o que pensa e com toda a clareza e crueza. O volume completa-se com "O Presidente Negro" uma fantasia visionadora do futuro, na qual a eugenia recebe todas as honras. A cena passa-se nos Estados Unidos, que então muito impressionavam Monteiro Lobato e para onde, em consequencia desse livro, passou a residir durante quasi cinco anos. " E temos que notar uma sua confissão depois que voltou: "Nada tenho a alterar no "Choque das Raças". A America que lá pintei está absolutamente de acordo com a America (Estados Unidos) que fui encontrar". O PRESIDENTE NEGRO: Nota dos Editores "Este romance de Monteiro Lobato, escrito em tres semanas para o rodapé d'Amanhã de Mario Rodrigues, no ano de 1926, antes da partida do autor para os Estados Unidos, constitue uma verdadeira curiosidade literaria. Embora aparentemente uma "brincadeira de talento", encerra um quadro do que realmente seria o mundo de amanhã, se fosse Lobato o reformador - e em muitos pontos havemos de concordar que sob aparencias brincalhonas brilha um pensamento de grande penetração psicologica e social. O conserto do mundo pela eugenia, o ajuste do casamento por meio das "ferias conjugais", a criação da cidade de Eropolis, o teatro onirico. .. Como H. G. Wells, Monteiro Lobato talvez não tenha imaginado coisas, e sim apenas antecipado coisas. (Transcrição da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Futuro e Presente. Ao entrar no gabinete iluminei-me todo por dentro. Estava miss Jane diante do globo de cristal, absorvida com certeza na visualização de um córte anatomico. Um raio de sol coado pela vidraça transfazia em luz o louro de seus cabelos. Miss Jane era toda atenção. Seus olhos azues verdadeiramente bebiam algum maravilhoso quadro. O professor Benson estacou á porta, fazendo-me gesto de silencio, e assim permaneceu até que a moça désse volta a um comutador e regressasse ao presente. - Papai, exclamou ela, estou no fim da tragedia, no crepusculo da raça. Dudlee ganhou uma estatua. . . Boa tarde, senhor Ayrton. Desculpe-me o estar dizendo a meu pai coisas que nem por sombras o senhor pode desconfiar o que sejam. Compreendo que é indelícado falar em língua estranha na presença de pessoas que a desconhecem. . . A bondade de miss Jane encantou-me; e, corno a jovem não me olhasse nos olhos, pude replicar: - Mas tudo nesta casa me é linguagem estranha! O que acabo de ver assombra-me de tal maneira que tão cedo não me reconhecerei a mim mesmo. - Está fazendo progressos, Jane, O amigo Ayrton compreendeu muito rica da minha exposição. - Ou compreendi. exclamei, ou pareceu-me compreender. Aqui o professor fala com tal simplicidade e clareza que nem parece um sabio. Conheci um lá na cidade, e grande, a avaliar pela fama, com quem tive de tratar a mandado da firma. Pois confesso que não pesquei coisa nenhuma do que o homem disse. Esse, sim, parecia falar urna linguagem de mim nem sequer suspeitada. . . - Não era um verdadeiro sabio, interveiu miss Jane. Os verdadeiros são como meu pai, claros e fecundos como a luz do sol. Mas quer saber o senhor Ayrton o que eu fazia ha pouco? - Não lhe contes ainda, Jane. Explica-lhe primeiro a função do porviroscopio, enquanto vou repousar um bocado. Sou velho e qualquer esforço além do habitual me cansa. Antes que o professor Benson se retirasse, deu miss Jane um salto na cadeira, leve corno a corça, e veiu beija-la no rosto. - Este querido paizinho! murmurou, acompanhando-o com os olhos amorosamente. - Não é uma benção das fadas ter um pai destes? Como sabe conciliar a maxima inteligencia com a maxima bondade! - E com a maxima simplicidade! acrescentei. Não caibo em mim de gosto ao ver o homem que podia ser dono do mundo, se quisesse, tratar-me como se eu fôra alguem. - Não se espante disso. Meu pai é coerente com as suas ideias. Todos para ele somos meras vibrações do eter. - Até miss Jane? - Eu serei vibração de um eter especial, muito afim do que vibra nele, explicou ela a sorrir. Mas, sentemo-nos, senhor Ayrton, que ha muito que conversar. Já disse que eu era um rapaz acanhado, sobretudo em presença de moças bonitas; mas o ambiente de familiaridade e franqueza daquela casa modificou-me logo. Cheguei até a suportar nos olhos os olhares da linda jovem, sem perder a tramontana como da primeira vez. E' que nem remotamente lembrava aquele olhar o olhar malicioso das mulheres que eu conhecera. Fui percebendo aos poucos que de feminino só havia em miss Jane o aspecto. Seu espírito formado na ciencia e seu convivio com um homem superior dela afastavam todas as preocupações de coquetismo, proprias da mulher comum


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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