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Idéias de Jeca Tatu

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Idéias de Jeca Tatu

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 275

Ano de edição: 1951

Peso: 530 g

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Excelente
Marcio Mafra
06/05/2006 às 20:01
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. Idéias de Jeca Tatú é um espetacular livro de contos, da época de 1930 à 1940 - que ridicularizava a "macaquice" brasileira, cuja elite social e política, em tudo e por tudo, imitava a nobreza, a côrte, a gíria e as artes dos franceses. Qualquer pessoa importante na sociedade brasileira, tinha estudado na França, falava ou lia fluentemente o francês, ou quando não fosse muito culto, simplesmente imitava os costumes dos franceses. Tanto que se criou a expressão "francesismo". Para contrapor a isso, Monteiro Lobato trouxe as suas "Idéias de Jeca Tatu", onde o que prevalecia era um nacionalismo - talvez - exacerbado, através do personagem brasileiríssimo Jeca. Por isso a expressão "jeca" que era utilizada como designativa de coisa sem gosto, sem refinamento, grosseira, cafona ou deseducada, passou a ser designativa - apenas - de caipira. Embora, até os dias atuais a figura do caipira não é querida pela sociedade. Caipira não é respeitado como o homem da roça, criador de riquezas, antecedente do homem da cidade, orgulho de todos. Pelo contrário, caipira ainda é uma figura ridícula e simplória, conforme o demonstram as festas juninas. Cada um dos contos, ou crônicas do livro, traça uma caricatura do Brasil de então, passando pelo estilo, estética, arte e principalmente pelo idioma, tanto na forma falada, como também na forma escrita. Após a leitura do Idéias do Jeca Tatu, cabe a reflexão se não estaríamos precisando de um novo Monteiro Lobato, atualizado - combativo, brigão, respeitado - para a era da linguagem da informática, e que pudesse combater o "digitalizar", o "inicializar", o "salvar", o "marketing", o "customizar" o "personal banking" do Banco do Brasil, o "protocolizar", o "teclar" - tantos e tantos outros - além do abominável gerúndio, tipo "estar enviando", "vou estar escrevendo". Como se vê, sabe e lê - nós ainda somos despersonalizados da brasilidade, ainda prezamos pela imitação barata, insignificante e chinfrim dos costumes - não mais da França, do Napoleão e do Luiz XV, mas dos EUA, com a descarada clonagem dos tipos e costumes do Tio Sam, desde Rooselvet, passando pelo Kennedy, Nixon, Carter, Reagan, Clinton. Os contos são curtinhos, bons e divertidos. Vale a leitura. É fácil, curiosa e simples, ainda que escrita em linguagem dos anos 40.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Temos aqui um bem estranho livro. Monteiro Lobato fala de arte, e revolucionariamente como de costume. Sua rebeldia mais acentuada nós mal a compreendemos hoje: a contra o francesísmo, a francesia, a nossa completa anulação de personalidade diante da França. Hoje está tudo mudado; as ideias de Monteiro Lobato venceram em toda a linha. Não só desapareceu a unicidade da influencia francesa, como o que Lobato queria, a arte nacional, a coragem das coisas nacionais e até dum estilo arquitetonico nacional, fizeram-se lugares comuns. Abrimos o radio e ouvimos dez numeros de mote roceira - ao passo que naquele tempo, quando pela primeira vez apareceu Pernambuco a cantar o "Luar do Sertão" de Catulo, o acontecimento foi de tal monta que provocou um seu artigo. Em numerosas paginas deste volume a "terra" aparece em suas onimodas expressões - o interior, a roça, a gente da roça, os costumes e comidas da roça. E Lobato atrevidamente antepõe tudo isso á "chinfrineira do litoral" - essa" civilizaçãozinha de arremedo e de - emprestimo onde tudo são mentiras á terra". Numa simples brincadeira - noticia sobre uma fita de Mato Grosso, tirada pela Comissão Rondon - Lobato conclue que nós aqui no litoral é que estamos necessitando de catequese. Catequese pelos indios, está claro. . . Em Ideias de Jeca Tatu Monteiro Lobato aparece em mangas de camisa, integralmente ele proprio no pensamento e no modo de expressa-Io - vivo, alegre, brincalhão e com a ironia ás vezes levada até á crueldade - v. g. a terrivel satira á idade de Sara Bernhardt. Nunca, como neste livro, Lobato foi tão Lobato. (Transcrição da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Curioso caso de maiterialização. A sobrevivencia espiritual é um fato. Os intermundios andam povoados de sombras, ou larvas, ou almas, que ás vezes se dão ao luxo duma temporaria reencarnação. Agora pelo carnaval tive prova disso. Deambulava eu a deshoras por uma praça vazia, pintalgada de confeti, com estilhas micantes de lança-perfumes nos passeios e fitas serpentinas a balouçarem-se das arvores, quando divisei na minha frente uma sombra a medir passos, meditativa. Botas á Frederica, chapeu de canudo á 1870, sobrecasaca de cintura - um homem evidentemente fantasiado de Camilo Castelo Branco, como o pintam as capas vermelhas da edição Chardron. A tantas, o figurão apanhou da poeira um pedaço de papel, que examinou com atenção á luz do gas. Cruzei-me com ele, cortejei-o. A sombra retribuiu a saudação e interpelou-me: - Moço, está certo de que esta terra é uma que Alvares Cabral descobriu, a contragosto, seculos atrás? Encarei-o a fito; era Camilo em pessoa - a bigodeira, as maçãs salientes, o ar escaveirado... Estremeci e balbuciei: - E', mestre, isto é o Brasil ainda com s ou z á vontade. - lnda reina Pedro Segundo, o neto de Marco Aurelio? - Onde vai isso! E' morto o grande velho; baniram-no pelo crime de ser bom, justo e sabio. Ocupa seu lugar um bando de "maiores brasileiros vivos" que, a falar a verdade, somados e multiplicados uns pelos outro, não valem o sabugo da unha do mata-piolho do velho. - E que lingua se fala por aqui? - A portuguêsa, está claro. - Não me parece, objetou a sombra, sacando das algibeiras o papelucho apanhado na rua. Conheço-me em vernaculo, chamaram-me mestre durante a vida terrena. Ora, sucede que neste periodico vejo um anuncio em lingua que não é a minha, nem é lingua viva ou morta de meu conhecimento. Será o idioma do futuro? E' nesta sopa juliana que os da terra se entendem? Corri os olhos sobre o papel, e corei: o anuncio estava redigido no dialeto dos elegantes. TRIANON Estabelecimento para gozo das exmas. famílias DINERS CHICS A PRIX FIXE Menu CONSOMME AUX REJETONS RIZ AU FOUR A LA KlRIAL SUPREME DE TURBOT COEUR DE MACASSIN CREME PRINCESSE ETC. FIVE-O-CLOC-TEA Aos domingos diners concerts chies a prix fixe com menus delicados. - Tem razão, mestre. Isto é um produto da podridão do chique. - Que? - Diz-se cá destes vortices de elegancia: "podre de chique!" Camilo olhou-me comiserado; depois, baixando os olhos para o papel, comentou. - Já o nome desta baiuca me não sôa bem. Batizar uma casa de pasto, cá na America, com o nome dum antigo castelo francês, sabe-me a disparate. Que é que lá se faz? - Come-se, bebe-se, dansa-se. . . - O nome, então, deveria ser "Á Comedoria Paulistana", ou "Aos bebes da Avenida", ou "A' grossa pagodeira", coisa assim toando com as funções do negocio. Mas. vá lá. Quer o Candido de Figueiredo que nome cada um pinte o seu como lhe apraz. Noto, entretanto, este adendo explicativo: estabelecimento para goso das exmas. familias. Estabelecimento para gozo! Que parvoiçada é esta, moço? - O mestre a definiu: uma parvoiçada. - E este - Five-ó-cloc-tea? Cheira-me a inglês, mas não é inglês, salvo se da Bosquimania. O clock no meu tempo trazia um "k" final, muito gracioso como enfeite coccigeano da palavra. Comeram-no, por que? São kafagos os teus coetaneos, moço? Adiante: Aos domingos diners concerts chies a prix fixe com menus delicados. Que soberba nabiça! Na Somalia nenhum sóba letrado comporia melhor salada de batatas. Como não ha no periodo palavras grifadas, suponho que o que me parece francês são vocabulos já naturalizados no país. Acho razoavel que a lingua adote termos exoticos quando os não possue correspondentes. Mas neste caso diner diz mais que jantar? Prix-fixe é coisa diferente de preço fixo? Menu vai alem da carta ou do cardapio? Que motivos levam vocês a pintalgarem a lingua destas excrescencias inuteis? - A elegancia, mestre. - E que coisa é a elegancia? - E' isto, mestre: uma sensação, uma sugestão. Quando dizemos: a senhora Fulana, sentimo-nos chinfrins; mas si dizemos: Madame Tal, oh goso d'alma! Um bafo de parisianismo nos brumeliza por dentro e por fóra. Incapazes de realizar a verdadeira elegancia, que é um modo de ser e fazer desembaraçado, facil, sem constrangimento nem excesso - uma justa medida no movimento e na atitude - nós inventamos esta maquilhagem do gosto, da palavra, dos sentimentos. E impamos, admirando-nos uns aos outros com ares parvajolas.. - No meu tempo chamava-se isto macaquice. Vejo que ela progride, pois não!... disse Camilo - e, voltando ao tema, continuou: - Leio cá: diners chics. Outrora, quando um jantar era um jantar, se lhe apensavam um qualificativo este só dizia respeito ao seu valor culinario ou nutriente - jantar suculento, jantar opiparo, jantar á moda velha. Mas este "jantar chie" sabe-me a "laranja sutil", a "pão elegante", a "ananás janota", a "feijoada distinta de maneiras", a "batata gracil" e quejandas asnidades. - E' a elegancia, mestre, é o requinte! - Espanta-me tambem o que os elegantes comem. Crême Princesse. Que coisa é? - Uma gemada qualquer, mestre, a excelencia do prato está no nome. - Suprême de turbot. . . - Isso é uma papa de cação de Santos. - Coeur de ma... que? ma-cas-sin... Macassin! Salta rumor! Em França chamam aos bacorinhos, ou leitões, marcassins. Aqui os Kafagos são tambem Refagos. Comem, alem do coração do porquinho, o "r" do marcassinl Porque não dizem ás claras - leitão? - Ah, mestre, que ingenuidade a vossal - E este riz au four? E' arroz de forno, evidentemente. Mas, amigo, se o que vocês comem é o porco e o arroz e se o fato de dar o nome de marcassin ao porco, e riz ao arroz e four ao forno, não melhora o sabor do quitute, por que esta parva mentira da desnaturalização dos piteus? - Ah mestre! Como estamos longe do vosso bom senso! A cultura refinou-nos. A civilização cresce em Vila Mariana como a mamona. Adquirimos tanto gout que, por instinto, o nosso organismo, num diner elegante, repeliria com vomissements incoercibles um plat nomeado á portuguesa, charramente: arroz de fomo, leitão assado. E' mister que eles venham, embora não mudados de substancia, transfeitos em marcassin, ou riz au four à la princesse Quelque Chose. Só assim as fibras da estesia gustativa nos tremelicam de gozo e dos olhos nos correm lagrimas a Brillat Savarin. - Mas o povo desta terra não espinoteia de riso diante da macaqueira? - O povo abre a boca. Mas que importa o povo? Valem as elites, e para estas é prova de suprema distinção receber lições de elegancia do Vatel que organiza a macaqueira e dos garçons que a dirigem. Nos diners, é de de bom tom falar nessa lingua burundanga e mastigar com religiosa unção todos os macassins apresentados, fingindo não saber que aquilo nasceu e cresceu num chiqueiro. Os gestos, o modo de pegar no garfo, os movimentos das maxilas são, no elegante, pautados por um codigo de que os garçons são os fiscais. O grande castigo é incorrer num sorriso comiserado do garçon. Dum elegante contam que, certa vez, inadvertidamente, comeu o peixe com a faca, e como, caido em si, vislumbrasse um sorriso ironico na cara lavada do garçon, ali mesmo deu cabo da vida a tiros de revolver. Não pôde sobreviver á deshonra, o desgraçado! - Estes garçons tão poderosos serão acaso plenipotenciarios do Instituto de França, ou coisa que o valha, aqui destacados em missão civilizatoria? - Nada disso, mestre. São uns pobres diabos que na terra natal foram lacaios e aprenderam, espiando da copa, os habitos dos patrões. Postos no olho da rua, enfiaram-se num porão de navio e, aqui, com grande assombro deles proprios, viram-se transfeitos em mestres e arbitros do bom tom. Dão-nos a comer o que lhes convem e obrigam-nos a comer como lhes apraz. - Os paulistanos, então, não comem o que querem? - Oh, não! Comer o que se quer é regionalismo sordido. Come-se o que. é de bom tom comer. Manducar leitão assado, picadinho, feijoada, pamonha de milho verde, muqueca e outros petiscos da terra, é uma vergonha tão grande como pintar paisagens locais, romancear tragedias do meio, poetar sentimentos do povo. Até o uso desta lingua que herdamos está em via de tornar-se ignominioso. Na altissima roda já a repudiaram para uma idilica mancebia com o francês argelino. Que dirá o estrangeiro se nos pilhar a comer (que horror, meu Deus!) tutú com torresmo, esta vergonhosa pitança regional, ou coisas semelhantes? E assim, na vida como nas artes, a vitoria do dernier cri é completa. O estilo e a lingua desse anuncio comentado atrás é o estilo vitorioso, o estilo de amanhã. Veja mestre, a que altitudes ascendemos!. .. Calei-me. Camilo sacudiu a cabeça como quem viu mais do que esperava. Depois disse: - Sabe que mais? Vou desmaterializar-me já e já; volto aos intermundios e lá darei á sombra de Cabral pesames pela asneira que praticou. Receio que dêm vocês de criar pêlo no corpo e vos nasçam caudas no coccix, e se ponham todos de repente a marinhar arvores acima com bananas na munheca - desmentindo Darwin. O inglês pôs o macaco no começo da evolução: vocês provam que ele acertaria melhor pondo-o no fim. Au revoir!


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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