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Cidades Mortas

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Cidades Mortas

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 272

Ano de edição: 1951

Peso: 525 g

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Ótimo
Marcio Mafra
06/05/2006 às 19:51
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. Cidades Mortas reflete - através de seus muitos contos - a vida difícil do povo brasileiro, que ocorreu durante os governos do Presidente Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, que governou de 1910 à 1914 e Presidente Wenceslau Braz Pereira Gomes, que governou de 1914 à 1918. O período de ambos os governos, se insere na mesma época conhecida como Republica Velha, que vai de 1889 a 1930. Este período da História do Brasil é marcado pelo domínio político das elites agrárias mineiras, paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um país exportador de café, e a indústria deu um significativo salto. Porém, uma crise internacional do café, sufocou a monocultura agrícola, afetando toda a área social, resultando em vários problemas e revoltas populares por todo o país. Muita coisa desses desarranjos se vê - nitidamente - nos contos de Cidades Mortas. Vale a leitura. É divertida e curiosa, ainda que escrita em linguagem dos anos 40.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Neste livro, Cidades Mortas, inclue-se algo das primeiras coisas que Monteiro Lobato escreveu ainda em seu tempo de estudante, quando colaborava no Minarete (vide prefacio de Urupes) e n'O Povo de Caçapava, e os ultimos contos que escreveu antes de partir para a America, dados em 1924 ou 1925 no volume intitulado O Macaco Se Fez Homem. As coisas mais antigas refletem uma situação nacional já bem remota, não tanto pelo tempo transcorrido como pela evolução da vida brasileira, forçada pela evolução humana em geral. Era um tempo sem radio, quase sem cinema, sem automoveis, sem aviação, sem a minima preocupação social na politica. O conto "Café! Café!", um dos primeiros que Monteiro Lobato escreveu n'O Povo, revela a mentalidade do fazendeiro daqueles tempos do "café dá para tudo", e da absoluta monocultura. A tremenda crise que derrubou os preços aos extremos limites da baixa foi o grande golpe dado na monocultura e o ponto de partida para a variação de produtos da lavoura atual. Essa epoca de transição aparece bem nitida nos contos mais antigos de Cidades Mortas. Tambem transparece o quatrienio Hermes e o periodo do presidente Wenceslau. Tudo passado - e passado psicologicamente, fá distanciadissimo desta epoca em que a fisica eletronica promete desviar o curso da marcha universal, com encerramento da Idade Moderna e abertura da Idade Atomica. (Transcrito da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Juri na roça. Não é meu este caso, màs dum tio, juiz numa Imoca beira-mar. Homem sessentão, cheio de rabugens, pigarros e mais macacôas da velhice, nem por isso deixa de ser amigo da pulha, como diria Mestre Machado. Gosta de contar pilherias e casos de truz, que a meio descambam em caretas reumaticas, muito de apiedar corações sobrinhos. Os seus dominios juridicos são o reino da propria Pacatez. Os anos ali fluem para o esquecimento no deslisar preguiçoso dos ríbeirões espraiados, sem cascatas nem corredeiras encrespadoras do espelho das aguas - disturbio, tiro ou escandalo passional. O povo, escasso como penas em frango impubere, vive de apanhar tainhas e mariscos. Feito o que, "da capo" ás tainhas e mariscos. E extrema a penuria de emoções. Vidas ha que ardem inteirinhas sem o tremelique duma comoção forte. Só a Morte pinga, a espaços, no cofre dos acontecimentos, o vintem azinavrado dum velho mariscador morto de pigarro senil, ou o tostão duma pessoa grada, coletor de rendas, fiscal, agente do correio. Em tempos deu cedula graúda, um visconde da Jamanta, ultimo varão conspicuo de que ficou memoria no lugar. Fora disso nada mais bole com a sensibilidade em perpetua côma do excelente povo - nem dramas de amor, nem rixas eleitorais, nem coisa nenhuma destoante dos mandamentos do Pasmado Viver. A taramelagem das más linguas vê-se forçada, nos serões familiares, ou na venda do José Inchado (clube da ralé), ou na Botica do Cação de Ouro (aqui o escol), a esgaravatar as castanhas chochas do assunto sovado ou frivolo. Sempre conversinhas que não vão nem vêm. A grande preocupação de todos é matar o tempo. Matam-no, os homens, pitando cigarrões de palha, e as mulheres, gestando a prole enfermiça. E assim escorregam-se para o Nirvana os dias, os meses, os anos, como lesmas de Cronos, deixando nas memorias um rastilho dubio que rapidamente se extingue. Nessa lagoa urbana rebentou com estardalhaço a noticia duma sessão do juri. O povo rejubilou. Vinte anos havia que o realejo da justiça popular empoeirava num desvão do Forum, mudo á falta dum capadocio que lhe metesse no bojo o niquel dum modesto ferimento leve. Fizera-o agora o Chico Baiano, ave d'arribação despejada ali por um navio da Costeira. Que regalo! Ia o promotor cantar a tremenda aria da Acusação; o Zézéca Esteves, solicitador, recitaria a Douda de Albano disfarçada em Defesa. Sua Excelencia o Meritissimo Juiz faria de ponto e contra-regra. Delicias da vida! Ao pé do fogo, em casebre humilde, o pai explicava ao filho: - Aquilo é que é, Manequinho! Você vai ver uma estrumela de gosto, que até parece missa cantada de Taubaté. O juiz, feito um gavião pato, senta no meio da mesa, num estrado deste porte; á mão direita fica o doutor promotor com uma maçaroca de papeis na frente. Em baixo, na sala, uma mesa comprida com os jurados em roda. E a coisa garra num falatorio até noite alta: o Chico lê que lê; o promotor fala e refala; o Zézéca rebate e tal e tal. Uma lindeza! O assunto era o mesmo na venda do José Inchado. - Lembra-se, compadre, daquele juri, deve fazer vinte anos, que "absorveu" o Pedro Intanha? Eh, juri macota! O Dr. Gusmão veiu de Pinda especialmente, e falou que nem um vigario. Era só o "nobre orgo do ministerio" p'r'aqui, o "meritricio doutor juiz" p'r'ali. Sabia dizer as coisas, o ladrão! Tambem, comeu milho grosso! p'r'a mais de quinhentos bagos, dizem. Mas valia. Isso lá valia. Na Botica do Cação de Ouro o assunto ainda era o mesmo. - Não, não; você está enganado; não foi desse jeito, nãol Ora! Pois se eu até servi de testemunha!. .. Não teime, homem de Deus!... Sabe como foi? Eu conto. O Pedro Intanha teve um bateboca com o major Vaz, perdeu a cabeça e chamou ele de estupor bem ali defronte da Nhá Véva; e vai o major e diz: "Estupor é a avó". Foi então o Pedra e... Só não gostou da noticia o meu tio juiz. Maçada. Incomodarem-no por causa dum crimezinho tão atôa. E tinha razão. O delito do mulato não valia uma casca de ostra. Chico Baiano costumava todas as noites "soverter" um martelo da "legitima" no botequim do Bento Ventania. Ficava alegrete, chasqueador, mas não passava disso. Cêrta Vez, porém, errou a dose, e em vez do martelo do costume chamou ao papo tres. A pinga era forte; subiu-lhe imediatamente á torre das ideias. A principio Baiano destabocou. Deu grandes punhadas no balcão; berrou que o Sul é uma joça; que o Norte é que é; que baiano é ali no duro; que quem fosse homem que pulasse para fora, etc., etc. O botequim estava deserto; não havia quem lhe apanhasse a luva, a não ser o Ventania; mas este acendeu o cigarro pachorrentamente, trancou as portas na cara do bebedo e foi dormir


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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