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Urupês

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Urupês

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Monteiro Lobato

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 300

Ano de edição: 1959

Peso: 510 g

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Excelente
Marcio Mafra
23/04/2006 às 19:43
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. Urupês é o melhor livro do autor. Nele estão quase todos os contos que Monteiro Lobato publicou quando, ainda moço, escrevia para os jornais da época. É no Urupês que aparece a genial criação do Jeca Tatu, personagem importante que passou a fazer parte da literatura brasileira, representando o caipira, em contraposição aos "índios" que José de Alencar, Machado de Assis e outros escritores insistiam em "mostrar"como os legítimos representantes dos costumes e "raça" dos brasileiros. Nos contos do Urupês, são percebidas, também, as críticas do autor pelo atraso social, econômico e político do Brasil de então. Isso nos anos 40. Foi pela leitura do Urupês, que se me ascendeu ou despertou um "anti americanismo" muito típico dos adolescentes dos anos 60. Mas, não provocou uma brasilianice, ou um patriotismo exacerbado, até porque, ao longo desse livro, como também em mais alguns outros, como o Escândalo do Petróleo, se percebe claramente, que o autor era demasiadamente patriota, herói civil, ou cidadão politicamente correto. Ora, se o Monteiro Lobato, era pessoa culta, erudita e oriundo da elite, não poderia ser tão "puro" ao ponto de, em alguns contos assumir-se - a si e aos contos - como pessoa absolutamente ingênua, patriota puro, um autentico paladino da cidadania brasileira. O estilo do autor foi o conto, acho que - hoje - seria mais a crônica. Para a época, foi muito bom, fiel e valioso. São livros de fácil leitura, textos gostosos, inteligentes e divertidos. Só exacerba o patriotismo - sob a máscara do politicamente correto - mas que, no fundo vislumbra ter sido movido pelo ouro, pelo vil metal, pela boa e velha grana. Tanto é verdade que os seus herdeiros, viveram dos direitos autorais durante 3 ou 4 décadas, e com recursos de fazer inveja a qualquer cristão. Mesmo assim, vale a leitura, a despeito da gramática e da linguagem dos anos 40, vale um excelente, sem pestanejar.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro de Monteiro Lobato foi bafejado pelas circunstancias e tornou-se em nossa literatura mais que um livro do tipo comum, pois emitiu pseudopodos, influenciou a industria, deu palavras e expressões á língua, hoje dicionarizadas. Candido Figueiredo aumentou o seu dicionário com setenta e tantas expressões da língua brasileira tomadas de URUPES, com as definições dadas por Lobato; e a língua no Brasil enriqueceu-se com a palavra "jéca" e derivados. O livro também afetou a indústria nacional dando margem á criação de editora que se desenvolveu vertiginosamente, sofreu um colapso e ressurgiu transformada na Companhia Editora Nacional, a maior do Brasil. Os serviços que essas duas editoras, filhas de URUPES, prestaram á cultura nacional são infinitos e se projetarão indefinidamente no futuro. Cremos que em literatura nenhuma, em tempo nenhum, um simples livro de contos deu de si tantas conseqüências diretas e indiretas. No frontispício reproduzimos o desenho de um matapau, da autoria de Wasth Rodrigues, que apareceu na capa das primeiras edições; e no fim do volume, os desenhos de "um curioso sem estudos" (que era o próprio Monteiro Lobato) que ilustravam as primeiras tiragens de URUPES e foram suprimidos nas edições posteriores. (Transcrição da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Francisco Teixeira de Souza Pontes, galho bastardo duns Souza Pontes de trinta mil arrobas afazendados no Barreiro, s6 aos trinta e dois anos de idade entrou a pensar seriamente na vida. Como fosse de natural engraçado, vivera até ali á custa da veia cômica, e com ela amanhara casa, mesa, vestuário e o mais. Sua moeda corrente eram micagens, pilherias, anedotas de inglês e tudo quanto bole com os músculos faciais do animal que ri, vulgo homem, repuxando risos ou matracolejando gargalhadas. Sabia de cor a Enciclopédia do Riso e da Galhofa de Fuão Pechincha, o autor mais dessaborido que Deus botou no mundo; mas era tal a arte do Pontes, que as sensaborias mais relamborias ganhavam em sua boca um chiste raro, de fazer os ouvintes babarem de puro gozo. Para arremedar gente ou bicho, era um gênio. A gama inteira das vozes do cachorro, da acuação aos caitetús ao uivo á lua, e o mais, rosnado ou latido, assumia em sua boca perfetibilidade capaz de iludir aos próprios cães - e á lua. Também grunhia de porco, cacarejava de galinha, coaxava de untanha. ralhava de mulher velha, choramingava de fedelho, silenciava de deputado governista ou perorava de patriota em sacada. Que vozeio de bípede ou quadrúpede não copiava ele ás maravilhas, quando tinha pela frente um auditório predisposto? Descia outras vezes á prehistoria. Como fosse d'algumas luzes, quando os ouvintes não eram pecos ele reconstituía os vozeirões paleontológicos dos bichos extintos - roncos de mastodontes ou berros de mamutes ao avistarem-se com peludos homos repimpados em fétos arbóreos - coisa muito de rir e divulgar a ciência do Sr. Barros Barreto. Na rua, se pilhava um magote de amigos parados á esquina, aproximava-se de mansinho e - nhoc! arremessava um bote de munheca á barriga da perna mais a jeito. Era de ver o pinote assustado e o passa! nervoso do incauto, e logo em seguida as risadas sem fim dos outros, e a do Pontes, o qual gargalhava dum modo todo seu, estrepitoso e musical - musica d'Offenbach. Pontes ria parodiando o riso normal e espontâneo da criatura humana, única que ri alem da raposa bêbeda; e estacava de golpe, sem transição, caindo num sério de irresistível cômico. Em todos os gestos e modos, como no andar, no ler, no comer, nas ações mais triviais da vida, o raio do homem diferençava-se dos demais no sentido de amoleca-los prodigiosamente. E chegou a ponto de que escusava abrir a boca ou esboçar um gesto para que se torcesse em risos a humanidade. Bastava sua presença. Mal o avistavam, já as caras refloriam; se fazia um gesto, espirravam risos; se abria a boca, espigaitavam-se uns, outros afrouxavam os cóses, terceiros desabotoavam os coletes. E se entreabria o bico, Nossa Senhora! Eram cascalhadas, eram rinchavelhos, eram guinchos, engasgos, fungações e asfixias tremendas. - É da pele, este Pontes! - Basta, homem, você me afoga! E se o pandego se inocentava, com cara palerma: - Mas que estou fazendo? Se nem abri a boca.. . - Quá, quá, quá - a companhia inteira, desmandibulada, chorava no espasmo supremo dos risos incoercíveis. Com o correr do tempo não foi preciso mais que seu nome para deflagrar a hilaridade. Pronunciando alguém a palavra "Pontes", acendia-se logo o estopim das funga delas pelas quais o homem se alteia acima da animalidade que não ri. Assim viveu Pontes até a idade do Cristo, numa parábola risonha, a rir e fazer rir, sem pensar em nada sério - vida de filante que dá mômos em troca de jantares e paga continhas miúdas com pilherias de truz. Um negociante caloteado disse-lhe um dia entre frouxos de riso babado: - Você ao menos diverte, não é como o major Carapuça que caloteia de carranca. Aquele recibo sem selo mortificou seu tanto ao nosso pandego; mas a conta subia a quinze mil réis valia bem a pelotada. Entretanto, lá ficou a lembrança dela espetada como alfinete na almofadinha do amor próprio. Depois vieram outros e outros, estes fincados de leve, aqueles até á cabeça. Tudo cansa. Farto de tal vida, entrou o hilarião a sonhar as delicias de ser tomado a sério, falar e ser ouvido sem repuxo de músculos faciais, gesticular sem promover a quebra da compostura humana, atravessar uma rua sem pressentir na peugada um côro de - "Lá vem o Pontes!" em tom de quem se espreme na contensão do riso ou se ajeita para uma barrigada das boas. Reagindo, tentou Pontes a seriedade. Desastre. Pontes sério mudava de técla, caia no humorismo inglês. Se antes divertia como o Clown, passava agora a divertir como o Tony. O estrondoso êxito do que a toda a gente se afigurou uma faceta nova da sua veia cômica verteu mais sombras na alma do engraçado arrependido. Era certo que não poderia traçar outro caminho na vida além daquele, ora odioso? Palhaço, então, eternamente palhaço á força? Mas a vida de um homem feito tem exigências sisudas, impõe gravidade e até casmurrice dispensáveis nos anos verdes. O cargo mais modesto da administração, uma simples vereança, requer na cara a imobilidade da idiotia que não ri. Não se concebe vereador risonho. Falta ao dito de Rabelais uma exclusão: o riso é próprio á espécie humana, fóra o vereador.


  • Descrição dos personagens

    Autor: Rede Globo de TV

    Veículo: Rede Globo de Tv 2006

    Fonte:

     A reunião de livros escritos por Monteiro Lobato contando as peripécias de Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, tia Anastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa, formam sua mais importante e conhecida obra: O Sítio do Pica pau Amarelo. Dona Benta é a vovó de Narizinho e Pedrinho. Ela lê muito e é excelente contadora de histórias. Domina vários idiomas, tem uma grande cultura e sabe de tudo que acontece no mundo. Dona Benta mora no Sítio do Pica pau Amarelo.

    • Pedrinho é um menino de dez anos que mora com a mãe na cidade. Sua mãe chama-se Antonica e é filha da Dona Benta. Ele vai para o Sítio todas as férias. Pedrinho gosta de aventuras, como caçar onça e Saci.
    • O Saci é uma figura popular do nosso folclore. Ele é um negrinho de uma perna só, que usa uma carapuça vermelha e pita um cachimbo. Ele se torna amigo de Pedrinho quando o menino o captura dentro de um redemoinho mas depois lhe devolve a liberdade. Aí então, o Saci mostra a floresta e todos seus habitantes para Pedrinho.
    • A Cuca também é um personagem do folclore brasileiro. Ela é uma bruxa com cara e corpo de jacaré. Malvada, ela vive em sua caverna escura, criando poções mágicas e planejando invadir o Sítio. Quando fica brava, de muito longe ouve-se o seu urro de raiva.
    • Narizinho, a neta de Dona Benta e prima de Pedrinho, tem oito anos e mora no Sítio. Seu nome é Lúcia e, por causa de seu nariz arrebitado, é chamada de Narizinho. É uma menina gentil, carinhosa e inteligente. Foi criada na roça e sabe subir em árvores e pescar. Sua paixão é a boneca de pano Emília.
    • A Emília, no começo, era apenas uma boneca de pano, feita de uma saia velha de Tia Nastácia. Mas, depois de tomar as pílulas falantes do Doutor Caramujo, não parou mais de falar. Cheia de idéias e mandona, lidera a maioria das aventuras das crianças.
    • Tia Nastácia é sábia em matéria de cultura popular, é uma grande contadora de "causos" e acredita numa série de superstições. Ótima cozinheira, seus quitutes são famosos na redondeza. Tia Nastácia também cuida da limpeza da casa e dos animais. Ela vive querendo matar o Rabicó, animal de estimação de Narizinho, pra colocá-lo na panela. Só que Narizinho não deixa..
    • Rabicó é um leitão, guloso e covarde. Ganhou esse nome por causa do rabo curtinho. Está sempre fuçando o lixo atrás de comida, mas morre de medo da Tia Nastácia. Virou Marquês de Rabicó e casou-se com a Emília, por vontade de Narizinho.
    • Tio Barnabé é um "preto velho" que sabe de todos os mistérios do mato. Foi ele quem ensinou Pedrinho a pegar o Saci. Tio Barnabé cuida da Vaca Mocha e das galinhas.
    • Visconde de Sabugosa é um boneco de sabugo de milho feito por Pedrinho. Ele o deixou na biblioteca o que transformou o Visconde em um sábio, que está sempre pesquisando e estudando sobre vários assuntos. O Visconde tem um laboratório, no porão da casa de Dona Benta. Uma de suas invenções é o pó de Pirlimpimpim que leva as crianças do Sítio em muitas viagens.
    • Quindim é um rinoceronte africano, domesticado, que fugiu de um circo. Muito doce e falante, tornou-se o guardião do Sítio, pelo seu tamanho e sua força. Ele sabe muito sobre gramática e outras ciências, guiando as crianças no País da Gramática.
    • O Burro Falante foi salvo pelas crianças das garras de um tigre no País das Fábulas. É educado e fala muito bem. Ele fica no quintal com Quindim, lendo e conversando. Como sempre dá bons conselhos, a Emília deu-lhe o nome de Conselheiro.
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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