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O que é livronautas?

Livronautas - site sem fins empresariais - foi desenvolvido para internautas que gostem de leitura.
O site não tem qualquer ligação com editoras, autores, vendedores, organizadores de eventos literários, gráficas, livrarias, distribuidores, atacadistas ou sebos.

 

COMO SURGIU?

Livronautas é a evolução da Bibliomafrateca, que surgiu em 30 de junho de 2002, assim: Bibliomafrateca, invencionice do Rafael nasceu do axioma "Livro bom some". Rafael Mafra conta como, numa mensagem de e-mail de 31/1/2006: ...”Não sei quem disse a frase, mas conceitua muito bem o assunto: quando se lê um livro, ele passa a ser um pouco seu livro também. O contexto da frase justifica porque o livro é, possivelmente, o artigo de uso pessoal com maior índice de sumiço. Não que nenhum mané nunca fique com seus discos ou até com aquela bermuda que você emprestou na hora do aperto. Mas livros somem. Notadamente os bons. E, como disse o autor da frase, some porque quem lê se envolve, acaba se apropriando um pouco dele.

 

PONTO DE PARTIDA

 

Mesquinho ou não, esse foi o ponto de partida de uma conversa minha com meu pai. Refletíamos sobre os tantos livros que sumiram da nossa casa e não tínhamos nem noção do destino. Concluímos que precisávamos fazer um cadastrinho para registrar quem pegou o quê emprestado. Na hora, idealizamos cadastrar todos os livros e registrar aqueles que foram emprestados. E nos pusemos a refletir sobre a viabilidade da idéia. Para que ela fosse possível, além de tempo, talvez etiquetas e um computador, precisaríamos de algo que aliviasse a obrigação de fazer. Pensamos num cadastro incrementado, que servisse de orientação para quem fosse pegar um livro emprestado. Uma coisa era certa: não queríamos fazer uma biblioteca. Não dividiríamos nossos livros em ficção e não ficção. Não cadastraríamos um autor como Assis Machado, nem um livro como Canela, Gabriela Cravo e. Nada de seriedade. A gente queria poder dar nossa opinião sobre os livros, fosse ela radical ou não. Descomprometidamente poder dar um conceito ruim, para o Machado de Assis, e excelente para um conto chulé e vice-versa. Ninguém poderia dizer que estávamos fazendo aquilo para chamar atenção, afinal estaríamos escrevendo comentários e atribuindo conceitos para nosso uso. Outra coisa era poder contar uma história sobre os livros.

 

A PRATELEIRA

 

Nossa estante de livros era feita em madeira, com prateleiras e divisórias. Só para livros. Sem portas, sem penduricalhos, com 1,80m, ou 1,90m de altura e que ficava no corredor do apartamento. Então, quando eu era bem moleque, os livros que mais me chamavam atenção eram os que ficavam mais embaixo. Geralmente eram grandes e pesados, poucos eram coloridos. À medida que fui crescendo, eram outros livros que chamavam atenção, por suas cores e formas. Meus olhos ficavam a altura das prateleiras mais de cima. Mal aprendera a ler e já estranhava que muitos dos livros lá de casa tivessem capas parecidas. Meu pai sei lá porque, os mandou encadernar antes de eu nascer. Para mim, aquilo era uma só grande coleção. Cresci mais um pouco, meus olhos já alcançavam prateleiras mais próximas do topo. Eu já pegava alguns ali para eu mesmo ler. Muitos dos livros que precisava ler para a escola estavam lá. Comecei a achar estranho que os livros de mesma capa não tivessem muita semelhança entre si, como poderiam ser da mesma coleção? Indubitavelmente, eu passei pela estante dezena de milhares de vezes. Na maioria delas, claro, nem olhei para o lado. Outras vezes, passei olhando as lombadas e algumas capas dos livros. Hoje, sou capaz de saber o nome de autores sabendo apenas o título do livro. Está gravado no meu subconsciente.

 

TODO LIVRO TEM UMA HISTÓRIA

 

A própria coleção de livros tem uma história. Mas cada um dos livros que a compõe, também tem. Meu pai mesmo tem um livro da vez que viajamos a São Luiz do Maranhão, um outro que ele lia em Acapulco, quando aconteceu um terremoto e vários outros que ele não sabe como chegaram lá em casa. Alguns desses têm uma história que só eu sei: o livro super-raro que eu achei num café; o livro que após dez anos sem saber para que servia, o usei na faculdade; os livros que eu também não sei porque fazem parte da coleção. Márcio começou o cadastro com seus conhecimentos de Access. E começamos a cadastrar, aleatoriamente. Percebemos felizes da vida, que muitas vezes estávamos curtindo um livro pela segunda vez. Nada de ler um livro e botar na estante, para sempre. Eles estavam lá, com as páginas fechadas, guardando não só o que o autor escreveu, mas guardando, também, as emoções da leitura que a gente tinha feito. Depois meu pai cismou que ia numerar os livros, botou várias pessoas para trabalhar no sistema e cadastrou fantasticamente todos os livros. Alguns, claro, sem comentários, nem histórico, porque ele não leu.

 

ONDE ESTÃO OS LIVROS EMPRESTADOS?

 

O controle de empréstimo que a gente faz, nem é tão rígido assim. Ficou mais simples saber com quem estão os livros emprestados. Mas agora, os livros que a gente leu, a gente leu e se entreteve pelo menos duas vezes: uma na leitura, outra no cadastramento. Se quem toma um livro emprestado se apropria um pouco dele, nós já nos apropriamos deles duas, talvez, três vezes. Agora todo mundo pode entrar no sistema, pegar o livro emprestado deixar registrado o seu comentário e o conceito atribuído ao livro e, mesmo assim, eles serão muito mais nossos, do que de qualquer um....”